5 de outubro de 2010

Eles são fiéis

O filme é antigo, mas só agora assisti “Marley e Eu”. Demorei tanto para ver porque todo mundo que assistiu, independente de ter cachorro ou não, dizia que tinha chorado. Parece besteira isso, mas eu me preparei psicologicamente para assistir, já sabendo que ia me lembrar dos meus velhos cachorros.

O filme é realmente emocionante no final (chega ser uma tortura ver o animal sofrer e a família acompanhar o processo), mas eu achei muito triste mesmo. E eu me vi em vários momentos do filme, desde a “escolha” do filhote (mesmo sabendo que quem nos escolhe é o animal, rs!) até o final. Eu tive dois cachorros: um fila chamado Lion e a fêmea – uma mistura de pastor alemão com vira lata – chamada Madonna. Gostava muito dos dois, mas tinha um cuidado e carinho especial pela Madonna, porque eu criei praticamente sozinho. E eu explico porquê.

Na época, nós tínhamos uma casa de veraneio, mas enquanto filhotes eles foram criados no apartamento do Rio mesmo. O primeiro, Lion, quando chegou, eu era muito novo, tinha meus nove pra dez anos, e como toda criança, eu só gostava de brincar com o cachorro, sem me preocupar com as necessidades do animal. Lembro-me que eu e meus irmãos dividíamos o quarto e dormíamos num treliche, e eu na cama debaixo. Como todo filhote, Lion nunca dormia a madrugada toda, e acordava para brincar. Eu fingia que dormia para não ter que ficar brincando com ele, o que sobrava para meus irmãos mais velhos a tarefa de “entretê-lo” até pegar no sono novamente.

Quando chegou a Madonna, meus irmãos se vingaram e me fizeram cuidar sozinho dela, inclusive nas madrugadas, quando passei a brincar com ela quase todas as noites. Por conta disso, me apeguei com a Dona (como a chamava) que era do estilo “Marley de ser” – incontrolável!

Mais tarde, quando já crescida, ela foi para o tal chalé ser companheira do Lion, então só nos víamos quando viajávamos final de semana ou férias. Foram vários episódios engraçados com os dois. A cada ida para a casa, a recepção era uma festa. Era inevitável impedir que ela pulasse com as patas sujas de lama na roupa limpa, mas a alegria era tanta que isso não importava nem um pouco.

Infelizmente, meus cachorros morreram de tristeza, numa época de quase abandono porque quase não íamos visitá-los. Isso virou uma tortura para mim. Não tinha idade suficiente para pegar o carro e lá buscá-los. Era criança, não podia tomar decisão sozinho. O que me serviu de experiência sobre a responsabilidade de ter um animal doméstico.

Todo mundo que tem um sabe que cachorro é um companheiro para todas as horas. Lhe ver chorar, e não pergunta nada, mas fica do seu lado. Faz festa sempre quando lhe ver, mesmo quando você passa um bom tempo distante. Quando faz besteira, finge que não é com ele e faz “cara” de inocente. Acaba com o pé do sofá, rouba suas meias, disputa comida e por aí vai. Pode parecer clichê tudo isso, mas é verdade.

No final do filme, a mensagem resume o que significa um animal tão amigo na vida do homem: “Um cachorro não precisa de carrões, de casas grandes ou roupas de marca. Um graveto está ótimo para ele. Um cachorro não se importa se você é rico ou pobre, inteligente ou idiota, esperto ou burro. Dê seu coração para ele, e ele lhe dará o dele”.

Saudade grande dos dois.

4 comentários:

Leticia disse...

Até hoje não assisti esse filme por medo. Sou muito apegada a minha cachorra e sei q o filme é triste a beça. Adorei o texto e o final é muito bonito! Bjs

PS - To super comentando seu blog hein... haha

Ju disse...

Eu assisti o filme mt tempo depois dele ter sido lançado, assisti sozinha no quarto e o rodrigo estava na sala, quando ele foi no quarto e me viu chorando horrores não entendeu nada!

Eu tive muitos bichos ao longo da minha vida, então ver o filme mexeu comigo de diversas maneiras!

beijos, ju

railer disse...

eu tinha peixes de estimação. não sei cuidar de outros bichos.

O Chandriano disse...

Olha, eu gostei do filme, mas gostei muito mais do livro ( que é muito diferente do filme, sugiro que leia)

Quem tem ou gosta de cachorros se emociona com o filme e livro, eu chorei, confesso, quando li. Lembrei também dos meus antigos cachorros e dos atuais, tenho 2 labradores, parecidos com o Marley. Acabei de ler o livro e fui brincar com eles, aproveitar ao máximo a companhia dos meus mais sinceros amigos.


Abração