18 de fevereiro de 2009

Cadê o bom senso?

Podem me chamar de moralista, mas onde já se viu elaborar uma propaganda (bem feita, diga-se a verdade!) apelando totalmente para o bacanal?

Tudo bem que trata-se da propaganda de uma marca de camisinha, mas e daí? Até que ponto é saudável a exposição sem limite do sexo? Será que o comunicador está pensando realmente no seu público alvo?

Será que houve uma pesquisa de marketing para saber se é isso que o potencial consumidor quer assistir? Ou melhor, será que existe um planejamento de marketing para este tipo de abordagem publicitária?

Como comunicador social, eu não concordo com esse tipo de apelação propagandística, em que o foco é “vamos ser diferentes”, “vamos inovar”, “vamos impactar”! Realmente, se a intenção era impactar, assustar, chamar atenção... conseguiu! Agora se o retorno esperado será alcançado... daí já desconfio!

Desconheço quais os veículos que seriam utilizados para este tipo de propaganda. Certamente serão exclusivos para o público adulto. Porém, eu recebi este vídeo – por incrível que pareça! – por um e-mail do trabalho! Falta senso de quem envia, falta senso de quem produz e talvez falte senso meu, em republicar isso aqui. Mas aqui, vê quem quiser!

Esta é a versão "brasileira"...

video

mas a original está aqui

13 de fevereiro de 2009

Inclusão digital: bom ou ruim?

Confesso que fiquei na dúvida do título deste post, porque não sabia se colocava “Bizarrices do Youtube” ou “Maldita inclusão digital”. Mas preferi este título porque acho que há assuntos instigantes em que limitar-se a um julgamento pejorativo deixa de ser interessante para discussão posterior. Então pergunto: a inclusão digital é boa ou ruim?

Para quem não tem TV a cabo, fica difícil escolher uma programação interessante na TV aberta, principalmente aos domingos. O “cardápio” é tão ruim, que o telespectador realmente não tem muita opção. Daí o velho discurso que a comunicação de massa não presta porque não oferece um “produto de qualidade” ao povo brasileiro e, conseqüentemente, este povo não tem cultura e blábláblá whiskas sache...

Por outro lado...
E quando você tem um leque quase infinito de opções disponível na Internet e MESMO ASSIM o povo continua consumindo (Olha os apocalípticos aí gente!) a cultura-lixo de massa?

Vamos traduzir...

Você já conhece a Stefhany (Ela é linda. Absoluta. Stefhany)? E a Christney Spears?

Pois então, tratam de figuras peculiares do “caldeirão” youtube, em que tudo é possível! A idéia de “uma idéia na cabeça e uma câmera na mão” foi incorporada de tal maneira que qualquer um pode montar seu vídeo e publicar (para o desespero dos pais do Cinema Novo! Imagina Glauber Rocha assistindo um clipe desses?). E o pior: ainda faz sucesso!

É o caso da sem-noção Stefhany que virou um sucesso no Nordeste com suas adaptações toscas e seus clipes fantásticos no youtube . A mãe da estrela virou sua empresária (?) e ajuda a filha a compor as letras, criar os roteiros dos clipes, e ainda contrata um câmera man para gravar. É tão absurdo que se torna notícia nacional!

Pode parecer absurdo para nós, mas para maioria infelizmente não é. Não tem prova maior que o fenômeno chamado Calypso!

A grande mudança aconteceu de fato com a inclusão digital. Se antes, estes “sucessos” eram regionais, agora são nacionais, ou até internacionais. Com a “democratização” digital, tudo é possível. Então, isso é bom ou ruim?

Nem um, nem outro. Apenas excêntrico, ou seja, aquilo que está fora do centro, o incomum, o alternativo, esquisito, extravagante, original... diferente. Para uns, motivo de deboche, para outros, gosto pessoal.

No final, escolha o seu próprio cardápio.

À francesa


Há um ano fiz uma viagem fantástica, e me lembrei de uma passagem interessante quando caminhava em direção ao Museu d´Orsay, em Paris.

Estávamos eu e meu irmão caminhando numa rua que mais parecia um bosque, perto do Rio Sena, quando uma francesa com seus cinqüenta e poucos anos, descabelada e devidamente encasacada (mas não bem arrumada), nos interrompeu mostrando uma aliança de ouro, muito bonita.

Aparentemente, não percebemos qualquer situação estranha, pois a senhora veio nos perguntar se tal aliança era de um de nós. Respondemos que não, mas ainda assim ela insistiu sugerindo, então, que ficássemos com a aliança. Em princípio, achei gentileza da parte dela, por preferir nos entregar algo que ela achou e, certamente, tinha valor.

Sem jeito, meu irmão acabou aceitando o “presente” da francesa, engatando um “merci, au revoir”, até que veio um pedido acanhado. Ela não fez questão de ficar com a aliança “perdida”, que segunda a própria, havia achado naquele local, porém aproveitou para pedir dinheiro. Alegou que precisava comprar uns remédios e que, infelizmente, não tinha o dinheiro necessário.

Depois da “gentileza” com a história do anel, meu irmão ficou sem graça de não ajudar, e acabou dando umas moedas. É claro isso foi apenas um pretexto para pedir dinheiro, mas achei interessante o estilo à francesa da senhora.

No final, resolvemos deixar a aliança perdida no mesmo lugar. Afinal, o marido naquela altura já deveria estar apanhando da esposa...

(o que você faria?)

4 de fevereiro de 2009

Nove anos de espera...

Os mosquitos teimavam assombrar o ar da Ilha Universitária. O mesmo ar que trouxe a poeira para o carro. É hoje minha prova de direção. A tensão é inevitável. Passo um batom para relaxar, afinal é preciso ter beleza na condução. Bebo água, compro loção repelente e ajeito no dedo o anel favorito. Superstição? Talvez. Ou então, um TOC disfarçado em tensão pré-habillitação.

O céu insistia na sua cor plúmbea, apesar do bafo pré-carnaval, afinal, estamos em fevereiro! O povo já vai se aglomerando, carros enfileirados, faces transfiguradas pelo medo da reprovação.

Cai uma baliza. Cai a segunda baliza. Este já perdeu a chance. Game Over, fim de linha.

Do outro lado da rua, um sorriso estampado, uma vitória nas mãos! Este é um vencedor das pistas, mesmo com seus 40 quilômetros por hora.

Meio dia, o mormaço acalora, mais um gole d´água. Agora falta muito pouco. Os instrutores parecem rotineiros, operários do Fordismo. Olhos cansados porém atentos aos novatos do trânsito. Entram e saem de carros. São os donos do poder. Devemos respeitá-los, com um sorriso acanhado porém simpático.

Chega minha hora. A porta está aberta. Ajeito o banco, olho os retrovisores, aperto o cinto, abaixo o freio de mão! A sensação é de que irei pilotar um boing. Estou pronta para levantar meu vôo único! Alcançar o céu, a estrada infinita! Nada mais me impede de seguir meu longo caminho! Até que, neste momento, uma voz insiste em me perturbar: “podemos começar”. Como assim? Ainda não saí do lugar? Ok, deixei-me escapar por alguns instantes. A prova vai começar...

(inspirado em momentos de Julinha Linhares)



1 de fevereiro de 2009

Un cacho de tango

Quarta-feira, 17h30, Centro da Cidade (Rio), Chuva calorosa, gente passando, e a gente andando... e muito.

Percorremos alguns quilômetros, ou vários metros, até chegar à porta do teatro. Sim, estávamos indo ao teatro, em plena quarta-feira, após-expediente, numa tarde chuvosa e abafada no centro do Rio. Espetáculo do Projeto Conexão Espanha com a Bailarina Inmaculada Ortega. Ingressos esgotados. O cansaço já se fazia presente. Na fila de “espera”, um senhor – muito “interessado” – questiona o bilheteiro – muito do invocado – se há desistência para o espetáculo. Não satisfeito com a resposta – muito evasiva – o mesmo senhor – muito insistente – volta a perguntar “mas que horas começa a desistência?”.

Saímos de lá decididos a não perder o programa (nem o humor!).

Então, lembrei-me que havia dois convites para o Cine Odeon, para qualquer filme. Vamos ao cinema? “Claro, já estamos perto”. Andamos mais alguns metros. Cinema cheio. Filme em cartaz “Se eu fosse você 2”. Hum... já vi. E você? É, eu também... quer ver novamente? Hum... acho que não. Então? Pois é, está chovendo, né? Já sei, liga para sua amiga e pede para ela procurar na Internet onde está passando um filme... acho que é Tango. É um filme sobre tango... Ok, o nome do filme é Tango? Hum... acho que é tango.

Depois de alguns minutos embaixo de chuva, com um calor abafado, com as pernas cançadas, em pé, no meio do centro da cidade. O filme se chama “Café dos maetros”, e está passando em Botafogo, às 7h30. Que horas são? 18h55. Será que dar tempo? Vamos de metrô. Mas é na Praia de Botafogo... lá do outro lado. Vamos, dá tempo.

Deu tempo. O suor era inevitável, assim como o cansaço. Estávamos acabados. Tudo para não perder o programa (nem o humor!). Ingressos na mão!

Café dos maetros – o filme





Bem, agora sim! Vamos ao filme.

A comparação é inevitável. Quem viu Buena Vista Social Club, e se emocionou com a paixão daqueles velhos cubanos com sua salsa inconfundível, certamente terá a mesma sensação, ou sentimento por este filme.

É um filme para ser visto, mas muito mais para ser ouvido e, portanto, apreciado. Por muitos momentos, deu vontade de aplaudir, como se estivesse em um concerto histórico. É esta sensação. Afinal, são pessoas que vibram aos seus setenta, oitenta anos ao tocar e cantar as belas canções do tango argentino. São histórias de personagens que fizeram história nas décadas de 40, 50, 60.

O que chama atenção é a paixão que cada um deles têm com o tango. Uma paixão traduzida no vigor em que interpretam aquelas letras carregadas de dramaticidade. Tango é uma expressão de dramaturgia sem dúvida. Seja pelos músicos, seja pelos dançarinos.

Bem, no final, ficou a promessa de montar uma coreografia de tango, com direito a cavanhaque – para mim – e flor vermelha – para ela.

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