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1 de fevereiro de 2017

O Fim da Rádio MPB FM 90.3



Chegou ao fim a rádio MPB FM 90.3 no dia 31 de janeiro de 2017. Uma emissora que valorizava nossa cultura popular brasileira, nossos artistas, nossa música. Um veículo que divulgava trabalhos excelentes de profissionais incríveis como o mestre Fernando Mansur, radialista, professor e grande comunicador da era moderna do rádio.

Desde seu lançamento, na década de 2000 pelo Grupo O Dia, a proposta da então Nova MPB FM foi inovar, abrindo espaço para verdadeira Música Popular Brasileira, com multiplicidade de gêneros musicais. Ao contrário de outras emissoras, que durante a programação maçante de músicas estrangeiras ainda tocavam alguns sucessos nacionais, a MPB FM só tocava música feita por artistas brasileiros.

Tive a oportunidade de ir em algumas gravações do programa Palco MPB FM, com apresentação de Fernando Mansur. Um dos programas mais significativos da emissora, que abriam espaço para artistas apresentarem seu show, com uma hora de duração. Todos foram sempre muito animados. Outros programas também marcaram, como Faro MPB e o Samba Social Club, aos finais de semana, que tocava samba de raiz e trazendo novidades do mundo do samba.

Como jornalista, lamento profundamente o fim de um importante veículo de comunicação. Mas como amante da boa música popular brasileira, ouvinte de rádio e admirador de grandes artistas nacionais, fico triste pela perda de um canal que transmitia bem-estar.

Ficamos órfãos.

Nas redes sociais, o anúncio do fim da rádio repercutiu muito, e todos lamentavam com seus depoimentos pessoais de como a rádio fazia parte do seu dia a dia. O sentimento é de perda mesmo.
Mesmo depois da venda de 50% da marca ao Grupo Bandeirantes, em 2012, o combinado era que a identidade da programação fosse mantida até certo tempo. Mas parece que esse período acabou e a Band decidiu encerrar as atividades, passando a frequência para Band News (que continua também na 94.9 FM).

Em tempos de spotify, a crise chegou às emissoras de rádio. Os antenados dirão que é a modernidade avassaladora, permitindo você criar sua própria rádio, sua própria programação. Os saudosistas dirão que é o fim da era do rádio de pilha, de rádio do carro, do som da sala, do “MPB FM. Todo mundo Ama”.
Viva a Música Popular Brasileira. Viva MPB FM.

4 de março de 2016

Contra ou A favor - Lula na berlinda

Hoje foi um dia histórico. Em mais uma ação da Operação Lava Jato, o ex-presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, foi obrigado a prestar depoimento, sendo suspeito de ter se beneficiado pela corrupção da Petrobras. Repercussão global, o país parou para acompanhar a ação. Houve barulho e confusão. Houve gente defendendo o ex-presidente. Houve gente ofendendo o ex-presidente. Houve confronto entre eles. Houve agressão aos jornalistas, principalmente da Globo. Bolsa subiu 4%. O dólar desceu. A ação da Petrobras valorizou. Teve panelaço nas janelas. Manifestação prós e contras ao Governo.

Mas nunca houve tanto meme produzido em um único dia, pulverizado pelos inúmeros grupos do Whatsapp. Então, fiz um compilado dos melhores memes do dia:










16 de fevereiro de 2016

Galeria de Bumbum Salimeni


Um fenômeno chamado Juju Salimeni tomou conta do meu perfil @galeria_de_parede no Instagram.
Já tinha visto algumas fotos da ex-panicat, mas confesso que não imaginava o quanto a modelo causava nas redes sociais.

No último sábado, estive na Sapucaí no desfile das campeãs. Aproveitei para tirar fotos das seis escolas que desfilaram. E, entre tantas beldades que passaram por lá, uma chamou mais atenção. Juju Salimeni veio como musa da Unidos da Tijuca com uma fantasia ousada, adaptada para o desfile de sábado, o que lhe deixava praticamente nua.

Muitos anos dedicados à malhação, dieta rigorosa e toda aquela vida restrita só podia dar como resultado um corpo perfeito. Tudo ali chamava atenção, mas seu incrível e estável bumbum parou a avenida. Eu, que estava lá em cima da torre, não me contive e fui conferir mais de perto o fenômeno. Desci 13 metros como um foguete e lancei minha lente 300mm para observar de perto tamanha beleza.

Já no domingo, escolhi algumas fotos para postar nesse perfil galeria, que criei para postar fotos artísticas. Pois bem, bastou postar uma única foto de Juju Salimeni com sua perfeição corporal, que uma avalanche aconteceu no meu perfil.

O número de curtidas já passou de 6 mil, quando a média não passa de 50. Em apenas três dias, dos humildes 350 seguidores, “até o fechamento dessa edição”, já se somam 2.500! É ou não é um fenômeno?!

Quando entrei no perfil da Juju, achei 7,7 milhões de seguidores e percebi que uma simples foto de marmitas da semana soma mais de 32 mil curtidas. Diante disso, nada mais justo que uma foto de Juju na avenida com seu bumbum de sobrenome Salimeni tenha tamanha repercussão.

Sorte a minha!

14 de agosto de 2015

Criadores de heróis



Não sou especialista em teorias da comunicação, mas não precisa ser um profundo conhecedor de teorias para pensar sobre o papel das grandes mídias na sociedade. A questão é: até que ponto aquilo que a comunicação de massa define como importante realmente influencia a opinião pública? Quem constrói os heróis nacionais?

A questão já foi exaustivamente debatida, uns com olhares negativos, outros positivos. Muitos, hoje, acreditam que, com avanço das tecnologias e a influência das mídias sociais, não há espaço para grande mídia determinar o que é relevante, enquanto o público apenas consome, sem reagir. Todo mundo informa, todo mundo recebe, todo mundo responde. Todos para todos.

Entretanto, muitos devem ter se perguntado: por que a mídia deu tanta divulgação, com extensa cobertura sobre a morte do cantor sertanejo Cristiano Araújo? Para muitos, ele passou ser conhecido apenas após sua morte. Isso gerou até polêmica sobre a crônica de Zeca Camargo chamando atenção sobre a comoção nacional diante do fato. Ele termina a crônica contradizendo a letra de Tina Turner “We don´t need another hero”. Mas quem cria nossos heróis?

Duas lembranças fortes que tenho da minha infância foram as mortes de Ayrton Senna e dos integrantes do grupo Mamonas Assassinas. Lembro da repercussão midiática de ambas as tragédias. Foi realmente uma comoção nacional. Eu, ainda criança, chorei como se o piloto fosse um ente próximo, familiar. A mídia me proporcionou isso. Ela permitiu que eu e milhares de brasileiros nos tornássemos próximos ao ídolo, ao herói Ayrton Senna. Até quem não acompanhava as corridas de Fórmula 1, nas manhãs de domingo, nem era fã do piloto se comoveu com a morte estúpida dele. Nunca antes daquele momento midiático se escutou tanto a música “Canção da América” de Milton Nascimento, quando a letra dizia “Amigo é coisa para se guardar do lado esquerdo do peito”. É como se milhares de brasileiros estivessem se despedindo de um amigo de fato.

Não menosprezando a morte de ninguém, muito menos dos sentimentos daquelas pessoas próximas aos que morreram, mas por que a mídia, de forma geral, adota esse tipo de ação? Apenas por audiência?
Muitos irão defender a ideia que independe da ação da mídia para alguém escolher seu ídolo. Afinal, somos livres para gostar de alguém que se destaca pelos seus atos, por sua profissão, por sua trajetória etc. Portanto, quando esse ídolo morre, é natural que seus fãs se manifestem, lamentem por isso. E a mídia estaria apenas repercutindo essa reação do público.

Uma das personalidades mais respeitadas e admiradas pelos brasileiros, independente de crença ou religião, já anunciava que sua partida seria feita em meio a uma grande festa nacional, o que “abafaria” sua morte. Pois bem, Chico Xavier desencarnou no mesmo dia em que o Brasil foi campeão da Copa do Mundo, em 30 de junho de 2002.

Enquanto o mundo e, principalmente, os brasileiros estavam todos voltados para a comemoração do pentacampeonato da seleção brasileira de futebol, pouco se falou da morte do famoso médium, restando pequenas notas nos principais veículos de comunicação. Será que ele não merecia verdadeira comoção nacional? Será que os brasileiros não sentiram a morte daquele também considerado herói? Será que ele chegou a ser um herói?

1 de março de 2015

Rio de Janeiro - o anti-herói


Entende-se  por anti-herói aquele herói torto, cheio de defeitos, imperfeito. Geralmente ele só quer curtir a vida e tirar sarro do herói. Costuma ser vaidoso e nada modesto,  além de transformar algo sem graça em interessante.

  Ipanema, Urca, Lapa e Vila Isabel
Se pudéssemos personificar o Rio, eu diria que ele é um verdadeiro anti-herói. Sabe que é bonito, safo, famoso e admirado, mas nem por isso esconde que é um "purgatório da beleza e do caos". Suas paisagens são antagônicas. Seja luxo, seja lixo. Seja praia, seja centro, seja favela, seja subúrbio. Seja limpo, seja sujo. Seja velho, seja novo. Seja Zona sul, seja Zona norte.  Seja descolado, seja almofadinha,  seja vagabundo, seja engravatado.

Desfile do Grupo de Acesso 2015 na Sapucaí 

O anti-herói se faz às vezes de herói, às
vezes de vilão. As manchetes de jornal mostram o lado perverso, com a violência, a corrupção,  o tráfico,  a pobreza e o descaso. Mas quando o assunto é sobre o aniversário do Rio, ah...

Arcos da Lapa durante uma manhã 
Aí as notas frias dão lugar às crônicas e aos belos textos sobre as belezas naturais da cidade,  do carisma do carioca, do carnaval, das praias, da cidade maravilhosa. Vamos falar então do Cristo, Pão de Açúcar,  Lapa, Maracanã,  Jardim Botânico, Lagoa Rodrigo de Freitas, Ipanema, Leblon, Copacabana, Rocinha, Vidigal, Vila Isabel, Madureira.

Pôr do sol em Ipanema durante SUP

O Rio dos contrastes, de seus personagens, das dificuldades de qualquer metrópole,  e de suas peculiaridades. A cidade cercada de montanhas, com uma das maiores florestas urbanas do mundo, com 750 favelas e com metro quadrado mais caro que Nova York.

É óbvio que anti-heróis não agradam a todos. Nem o Rio. Mas quem disse que eles se importam com isso?

Viva os 450 anos da minha cidade. Viva o Rio de Janeiro. Viva o anti-herói.

Vista do Parque das Ruínas em Santa Teresa


13 de maio de 2014

Afinal, quem é o público?



Eu tenho hábito de trabalhar escutando rádio. E costumo “zapiar” as estações, sempre na busca por música. Mas é inevitável não reparar as “atrações” das rádios cariocas, que tentam chamar atenção do ouvinte de todo jeito.


A rádio MPB FM, por exemplo, é nitidamente uma rádio voltada para um público que gosta de escutar apenas músicas cantadas em português. Valorizar cultura nacional, incentivar os artistas brasileiros, tudo isso é super válido. Mas acho que falta um direcionamento melhor de qual público ele quer atingir de fato. Independente da programação musical, a rádio tem em sua grade diversas chamadas, programas e boletins com assuntos tão diversos que a impressão que dá é que eles querem atingir TODOS os públicos, sem exceção


Logo após o anúncio das principais notícias do dia, vem o boletim “Nas ondas” às 7h30, quando a maioria está colocando sua gravata para trabalhar no escritório ou já se encontra no engarrafamento a caminho do expediente. A voz do surfista Rico de Souza, no melhor estilo “fala brother! Aloha”, enuncia a condição do mar para os interessados em pegar sua prancha e curtir umas ondinhas pela manhã. E mesmo quando não há onda, ele sugere “uma boa caminhada na orla é sempre bom para saúde”. Bacana, interessante, mas vamos falar sério, soa deboche para quem não tem esse tempo livre para “praticar esporte na orla”.


Há também o boletim da moda, com uma espécie de “personal stylist” com voz de gripada, meio anasalada, mostrando “a tendência das cores, tecidos e cortes” da última estação.  É o momento mulherzinha que abrange todas as mulheres bem resolvidas, com alto poder aquisitivo para consumir as tendências das vitrines do Village Mall. Não esqueçamos também da hora “Mais sustentável”, com a voz calma e suave da atriz Isabel Fillardis, que traz um pouco de esperança para humanidade, com mensagens de como transformar o mundo com pequenas atitudes sustentáveis! Enquanto você imprime vinte páginas de um relatório que vai virar lixo depois da reunião, você aprende que reciclagem é uma responsabilidade de todos nós!


Finalmente, temos o boletim do marqueteiro Diego Maia, especialista em dar as melhores dicas para ganhar dinheiro com sua empresa fundo de quintal. Com voz expressiva e ar-ti-cu-la-da, típica de quem fez aquele curso de oratória para impressionar o ouvinte, o cara é tão incisivo em suas mensagens que você, leitor, se questiona “por que ainda sou empregado se posso ter minha empresa e ser rico”? Fico imaginando todos os empresários ligados na rádio escutando, entre um sambinha e outro do Zeca (“Deixa a vida me levar!”), as dicas imperdíveis desse guru das vendas.