30 de dezembro de 2009

Balanço Geral

Pra começar, estou sumido...
Acabei me dando férias do blog, sem querer. Por várias vezes, tive vontade de escrever episódios bacanas, mas não escrevi.

Mas antes do ano terminar, quis passar por aqui e fazer um “balanço geral” do que foi este ano para mim. E para começar, digo que 2009 foi um ano breve, mas com muitas, muitas realizações. Lembro-me que meu primeiro post do ano escrevi “a sensação que tenho é que estamos correndo tanto contra o tempo que já se torna obsoleto desejar feliz ano novo! Quando menos se espera, mais um ano já se foi”. E cá estamos no final de 2009. Mais que um término de um ano, estamos concluindo uma década, a década 00.

Particularmente, foi um ano de surpresas. Depois de anos curtindo a vida de solteiro, em fevereiro conheci aquela que vem me fazendo feliz a cada manhã, e não foi amor de carnaval! Certamente, aprendi 20 anos em nove meses (parafraseando JK) o que é um relacionamento. Muitos erros, boas tentativas, grandes realizações, melhores satisfações...

Também foi um ano de decepções, daquelas pessoas que infelizmente não souberam valorizar o verdadeiro significado da palavra família. E mesmo triste, desejo que o próximo ano sirva de tempo hábil para recuperação, tentando consertar o erro e apagando as mágoas. Ao mesmo tempo, toda essa lamentável passagem em minha vida trouxe um fortalecimento e maior entrelaço dos que prezam pelo amor familiar, por parte de minha querida mãe e meus irmãos. Não triste, porém saudoso, lembro-me também da partida de minha avó paterna que com certeza partiu para planos melhores e mais reconfortantes, ao lado de entes queridos já iluminados.

Dos quatro casamentos que fui este ano, presenciei emoções diferentes, assim como personagens e suas histórias de vida. Em cada casal, vi um novo começo de ano, um futuro promissor, com muitas expectativas de que tudo vai dar certo. “Vida longa aos recém casados!”. E para o próximo ano, mais quatro estão na agenda! Com muita alegria e apreço, recebi o convite para apadrinhar o casamento de duas queridas amigas. É uma satisfação imensa poder participar de momentos felizes como esse.

E é inevitável não me imaginar daqui alguns anos sendo um desses personagens do altar. Apesar dos laços desfeitos e das experiências “traumatizantes” que presenciei, ainda acredito no casamento, quando duas pessoas decidem unir suas vidas em prol de uma caminhada única, uma comunhão de sentimentos e de esperanças, um verdadeiro crescimento espiritual mútuo. Acho que falta justamente nas pessoas a crença no matrimônio, no amor familiar, repassado aos seus filhos e netos. O que mais existe neste mundo é gente infeliz e amargurada, porque não conhece esse tipo de amor.

E talvez meu maior desejo para os próximos anos, muito além de “planos e estratégias para 2010”, é justamente que as pessoas se amem mais, se respeitem mais e se unem mais em prol da felicidade coletiva. Menos egoísmo, menos desprezo, menos amargura, e mais doação!

Uma das maiores alegrias que tive este ano foi escutar da minha aluna de dança de salão (sim, eu brinco de dar aula de dança para amigos nas horas vagas) a seguinte frase: “quando eu estou aqui, dançando, eu consigo esquecer todos meus problemas – da minha mãe doente, das minhas irmãs problemáticas, dos filhos difíceis... esqueço das dores do corpo, esqueço dos meus limites, da minha timidez. É minha terapia semanal”!

Então, aproveito para desejar a todos que acompanham este humilde blog um ano novo com muitas danças, cantos, risos e tudo aquilo que alegra a vida! Obrigado por mais este ano, galera!

Segue um vídeo do comediante Marcos Veras no último programa do Altas Horas. Vale a pena rir!

18 de novembro de 2009

Relacionamentos...

Relacionamento 1 (a desconfiança)

- Você está estranho...
- Impressão sua.
- Há um tempo você não me olha mais, não me quer mais...
- Não estou bem, pra falar a verdade.
- O que você tem?
- Não sei... estou meio triste...
- Com que?
- Com tudo... com meu trabalho, com a falta de grana, sem saco pra nada...
- E comigo? Também está sem saco?
- Desculpa, mas realmente não tô com cabeça para conversar agora...

Relacionamento 2 (a despedida)

- Precisava falar com você.
- Mas você vai casar esse final de semana.
- Eu sei... mas precisava te ver.
- Por que?
- Não sei... eu queria te dizer o quanto você foi importante para mim e...
- Você ainda gosta de mim? É isso?
- Eu sinto um carinho muito grande por você e não queria perder isso nunca.
- Mesmo com casamento marcado? Por que você me procurou?
- Na verdade... eu queria me despedir de você...
- Despedir como?
- Pelo menos a última vez...

Relacionamento 3 (o covarde)

- Eu quero terminar com você.
- Hã? Como assim? Eu fiz alguma coisa?
- Não... o problema sou eu... eu não gosto mais de você...
- Não gosta mais de mim? Como assim? Você nunca demonstrou isso... até ontem...
- Eu não consigo mais te ver como minha mulher, entende? Eu acho que eu não te mereço...
- O que está acontecendo de fato, fulano?
- É isso, eu não tenho mais tesão por você e prefiro acabar tudo agora.
- Até essa semana você não parava de correr atrás de mim pela casa... agora diz que não tem mais tesão por mim? Como assim? De uma semana pra cá você diz isso? Sabe que isso significa? Isso é uma fuga sua! Você está mentindo pra mim... é isso.
- Mentindo por que?
- Porque você acha que eu te acho um merda, um fracassado. É isso? Só porque você está sem emprego? Só porque você acha que eu estou melhor que você?
- Não é nada disso...
- É isso sim, e você não quer assumir para mim! Prefere me agredir, dizendo que não me ama!

Relacionamento 4 (o bem resolvido)

- Olá, tudo bem?
- Oi, tudo bem, e você? Já casou?
- Ah, não... só ano que vem...
- Nossa, que legal! Quero ser convidado, viu?
- Ah... você nem foi no meu aniversário e agora quer ir no meu casamento?
- Pois é...
- Na verdade... eu tenho que te agradecer de alguma forma... afinal, naquela noite que você não foi é que eu conheci meu noivo.
- Ah é? Me sinto então menos culpado por não ter ido...
- Se você tivesse ido, eu não teria coragem de ter ficado com ele na sua frente.
- Eu também não ficaria na sua frente...
- Pois é, me sentiria mal...
- Mas a gente nem tava mais junto nessa época

Relacionamento 1...

- Você está gostando de alguém?
- Não... claro que não... estou apenas confuso.
- Confuso de quê? Sobre nossa relação?
- Também.
- Mas como assim? O que aconteceu para você ficar assim? Eu fiz alguma coisa?
- Não é com você... o problema é comigo...
- Mas então você não sabe se gosta ainda de mim?
- Eu gosto muito de você ainda. Mas não sei se é isso que ainda quero para mim...
- Tem certeza que não tem ninguém no meio?

Relacionamento 2...

- Tá maluco? Você não pensa na sua noiva?
- É só uma despedida... eu sei que você ainda tem carinho por mim também...
- Você está sendo egoísta... você não pensou em mim não? Você vai casar, cara! E eu? O que você acha que eu vou fazer no próximo sábado, hein?
- Eu não queria te magoar... desculpe... eu só queria me despedir de você, de tudo que nós vivemos...
- O que vivemos já passou... foi bom enquanto durou... mas agora você é um homem praticamente casado. Não pode querer que seja simples assim...
- Só um beijo... eu te peço...
- Um beijo?
- Me dá um abraço... pense em tudo que vivemos juntos?
- Você tem certeza no que você vai fazer daqui pra frente? Você tem certeza que ama essa garota? Eu tenho pena dela...
- Eu a amo muito, tenha certeza disso... mas a nossa história também foi importante para mim... entenda que esse nosso encontro é apenas para fechar esse ciclo... só um beijo...

Relacionamento 3...

- Você não está me entendendo...
- Você é que não está me entendendo... como assim você quer terminar de uma hora pra outra nossa história? Nossos planos? Nossas vidas? Cara, eu confiei em você, eu apostei em nós... eu te amo...
- Desculpe... eu não posso mais continuar...
- Você sabe que isso que você está passando é uma fase ruim... você vai sair dessa... e melhor que tenha meu apoio ao seu lado! Não confunda as coisas! Por que você quer acabar com nosso relacionamento assim?

Relacionamento 4...

- E você, casa quando?
- Se tudo der certo, em 2011. Voltei para minha ex.
- Nossa, que legal! Eu sempre achei que um dia vocês voltariam... achava que você ainda gostava dela...
- Ah é? Algumas pessoas achavam isso... mas quando eu estive com você, realmente essa volta estava muito distante...
- E vocês estão bem agora então?
- Estamos. Vamos ver se agora dá certo.
- Vai sim! Pensamento positivo! Olha, eu desejo que você seja muito feliz, viu? Sério! Eu gosto muito de você.
- Ah, eu também gosto muito de você! Muito obrigado. Bem, eu preciso ir agora, depois nos falamos melhor.
- Claro! Beijo.
- Beijão.

Relacionamento 3.

- Você merece uma pessoa melhor...
- Eu sei quem eu mereço.
- É melhor assim... me esquece, por favor...
- Você precisa de ajuda... você quer um tempo para pensar melhor?
- Não.
- Ok. Por favor, eu quero ficar sozinha...
- Desculpa. Tchau.
- Tchau.

Relacionamento 2.

- Confesso que eu prefiro ser hoje sua ex. Sinto pena da sua noiva. Mas desejo sinceramente que você seja feliz.
- Eu tenho certeza que eu vou mudar daqui pra frente. E por isso que vim te encontrar hoje.
- Só um beijo?
- O último beijo.

Relacionamento 1.

- Eu prefiro ficar sozinho por enquanto...
- Por quanto tempo?
- Não sei...
- Uma semana? Duas?
- Eu te procuro para conversar...
- Eu vou esperar... mas eu ainda quero acreditar em você.
- Tudo bem. Tchau.
- Beijo.

22 de outubro de 2009

Comentário geral: para vencer na vida!

Neste momento, estou me dedicando aos estudos para um determinado concurso. Entre os livros da bibliografia, está o “Aprender Economia”, de Paul Singer, o qual estou relendo por sinal.

Em uma passagem do livro, no capítulo que tenta explicar o por quê da existência de ricos e pobres, achei interessante o seguinte trecho:
“Os pobres não podem ficar muito tempo na escola, mesmo quando esta é gratuita, porque precisam trabalhar para sustentar a si próprios e suas famílias. O vestibular para a universidade é extremamente competitivo e só quem teve tempo e dinheiro para se preparar, consegue um lugar nela. O grupo assim selecionado já é privilegiado desde sua origem familiar e o credencialismo, que domina a entrada na carreira gerencial, reitera o privilégio de geração em geração”.

Se pararmos para pensar, até mesmo para realizar um concurso público – e assim tentar conquistar um bom emprego, com salário digno – o candidato não pode ser pobre. Veja: se este for procurar todos os livros descritos no edital, há o gasto mínimo de tempo e dinheiro para estudar todo conteúdo programático. As opções seriam, em primeiro lugar, procurar a maioria dos livros em bibliotecas públicas: tarefa um tanto difícil (por experiência própria!), porém não impossível. Segunda opção, sendo talvez das mais caras, é comprar a maioria desses livros – que geralmente não são baratos. A terceira opção, e o que vem acontecendo ultimamente, é procurar por cursos preparatórios para concurso, em que além das aulas direcionadas, algumas ainda disponibilizam material de apoio, contendo o resumo dos principais pontos. Esta última opção também exige um investimento que muitas vezes falta para quem está desempregado ou simplesmente não tem disponível.

Ou seja, para “vencer” na vida, não basta talento, esforço próprio, estudo e dedicação exclusivamente. É claro que tudo isso é fundamental para qualquer um. Mas é preciso ter um mínimo de dinheiro para se investir em capital humano, infelizmente!

São muitas emoções...

Em meio aos estudos, li um texto muito interessante sobre a estrutura emocional do homem. Nele, diz-se que “desde o nascimento somos nutridos tanto de emoções como de leite. (...) Não se vive sem afeto. Freud e depois os psicanalistas demonstraram como as primeiras emoções estruturam a personalidade. Na vida adulta evoluímos, apesar de emoções vividas na fase de crescimento. Uma das principais vantagens da maturidade e da experiência é saber identificar nossas emoções e, em alguns casos, até domesticá-las progressivamente”.

Será que somos capazes de controlar de fato nossas emoções?
Quando o coração acelera ao ver a pessoa amada, ou um nó na garganta quando perdemos alguém querido, agitação das mãos diante uma prova importante, o rosto corado quando nos constrangem... a emoção aflora sem que possamos controlá-la de fato.

Ser emocional faz parte do homem, assim como sermos equilibrados emocionalmente. Imagina se brigássemos com todos aqueles que nos provocam (os chefes, principalmente)? Ou se a cada derrota ou decepção (amorosa, por exemplo), nos tornássemos deprimidos e abatidos?

O texto ainda diz: “Para muitos, o mundo perfeito não teria emoções, tudo seria racional, refletido, calculado. Mas que sentido teria a existência? O ser humano sem emoção seria uma máquina. As emoções são tão inerentes ao ser que, segundo alguns estudiosos, estão inscritas no nosso patrimônio genético. Segundo Darwin, existiriam seis emoções que são comuns a toda a humanidade, independente da cultura: alegria, tristeza, surpresa, medo, desgosto e raiva.”

Prefiro ser emotivo a ser racional, seco. Expor os sentimentos é uma forma de mostrar quem realmente somos, o que pensamos, como agimos. Não tenho vergonha de chorar quando algo me emociona de forma verdadeira. O ser calculista demais chega assustar, e pode ser confundido com psicopata.

Por último, o texto completa: “As emoções regulam nossa percepção do meio e as relações com as pessoas. Em decorrência das emoções nos aproximamos ou nos afastamos, às vezes pelas mesmas razões, mas administrando as emoções diferentemente.”

Acrescento a esse pensamento a importância do carinho e afeto dos pais com seus filhos. Acredito que uma criança que recebe amor fraterno dos pais (e avós, irmãos, tios etc) vem se tornar um adulto feliz emocionalmente. Nossa percepção de mundo e nossas relações com outras pessoas dependem dessa formação desde o início.

Texto
AS EMOÇÕES NO CORAÇÃO
A estrutura emocional
URURAHY, Gilberto; ALBERT, Eric. O cérebro emocional: as
emoções e o estresse do cotidiano. Rio de Janeiro: Rocco, 2005.

16 de outubro de 2009

Na cama com divã

Vários relacionamentos se baseiam na cama. Se o sexo é bom e recorrente, então o casamento dura, caso contrário, ou separa-se ou arranja-se amante. Essas “soluções” simplórias talvez não se tornariam tão comuns se a questão do sexo não fosse prioridade no matrimônio.

A questão é polêmica, porque uns acreditam que sexo é fundamental e pode sim determinar o fim de um relacionamento, às vezes de anos. Já outros preferem o companheirismo, o carinho, a atenção mútua, o respeito e tantas outras qualidades também importantes para um casamento feliz.

Acontece que o homem (de uma forma geral) ainda fundamenta seus relacionamentos com os prazeres carnais, o sex appeal fala mais alto e o resto (carinho, respeito, admiração etc) é resto. Ou melhor, só o complemento. “O Homem necessita de sexo”, diz a ciência. Então, o que se vê são homens e mulheres de meia idade, ou até já idosos, frustrados no casamento, porque os companheiros (ou companheiras) já não acompanham o mesmo pique peculiar da juventude. E, não raro, acabam procurando o sexo fora de casa, apenas para sua própria satisfação.

Numa sociedade prioritariamente machista, geralmente essa pulada de cerca acontece com os homens, porque depois de um tempo, as mulheres deixam de lado o libido e passam a focar em outras coisas, como na educação dos filhos, no crescimento profissional etc.

Mas uma matéria de hoje no Globo-online me chamou atenção por um fato curioso. Primeiro detalhe é que na história contada o traído é o marido, que resolve entrar na justiça contra o amante de sua mulher por calúnia e ofensa à honra, pedindo indenização por danos morais. Segundo detalhe (e o mais bizarro!), o juiz responsável pela sentença não só inocenta o réu como ainda “culpa” o marido por deixar que tal traição acontecesse. O juiz, então, resolve “esculachar” o cara, dizendo que “em muitos casos, o marido relapso leva a esposa a buscar a felicidade em braços de outros”.

Que o juiz não quisesse dar como causa ganha para o marido traído por questões legais que não competem a nós questionar, até entenderia. Porém, que direito esse juiz tem em julgar o comportamento do homem traído? Então é assim? Você, homem ou mulher, que não “cumpre com seu papel sexual” no matrimônio periodicamente é culpado por permitir que seu (sua) companheiro (a) lhe traia? A adúltera, neste caso, estaria correta em procurar um amante?

Ainda em sua sentença, o juiz descreve “alguns homens, no início da ‘meia idade’, já não tão viris, o corpo não mais respondendo de imediato ao comando cerebral/hormonal e o hábito de querer a mulher ‘plugada’ 24hs, começam a descarregar sobre elas suas frustrações, apontando celulite, chamando-as de gordas (pecado mortal) e deixando-lhes toda culpa pelo seu pobre desempenho sexual”. Soa até engraçado isso, nas palavras de um juiz. Convém dizer também que – mesmo cometendo tal atitude errada, conforme descrita acima – não justifica a traição.

Por analogia, pensaríamos então: “a mulher que apanha do marido tem o direito de matá-lo”. Não sendo por legítima defesa (em casos extremos), essa atitude então seria justificável para esse juiz, certo?

Para terminar, copio aqui um trecho do livro Nosso Lar (que estou relendo por agora) que trata justamente dessa questão do papel do sexo no casamento. Antemão, não estou aqui levantando a bandeira do “Abaixo o sexo”. Nada disso. É apenas uma maneira de parar para refletir sobre o assunto.

“(...) o sexo é manifestação sagrada desse amor universal e divino, mas é apenas uma expressão isolada do potencial infinito. Entre os casais mais espiritualizados, o carinho e a confiança, a dedicação e o entendimento mútuos permanecem muito acima da união física, reduzida, entre eles, a realização transitória. (...)”.

15 de outubro de 2009

Dois anos de Rascunho

Poucas coisas mudaram nesses dois anos de blog, mas continuo firme e forte com meus rascunhos mentais, porém nem sempre passados a limpo. Sim, a falta de tempo é sempre a culpada pela não atualização recorrente do blog.

Mas o Rascunho passou a ser uma “válvula de escape” para os momentos em que o “escritor” falava mais alto. Ao mesmo tempo, não vejo como uma “necessidade” o ato de escrever, ou seja, de sempre atualizar o blog. Desde o início, quando criei o blog, não tinha a intenção de me tornar refém da escrita, achando que deveria ser um ato quase sagrado. Escrevo quando tenho vontade e quando tem assunto para tal.

Isso não quer dizer que não sou um blogueiro assíduo. Gosto de ler blog dos amigos virtuais (quando há o bendito tempo!), e gosto de fuçar novos blogs. Confesso que poucas coisas me interessam e me prendem atenção. Mas um bom texto e um tema instigante me fazem parar um pouquinho para ler com calma.

Esse post na verdade é só um pretexto para lembrar que são dois anos rascunhando minhas reflexões e, mais que tudo, registrando para mim mesmo aquilo que acho importante na minha vida. Daqui a não sei quantos anos, volto no blog e releio um texto que lembre aquele período em que foi escrito. Arquivo pessoal mesmo.

Portanto, mais que escrever para os outros, eu escrevo para mim mesmo! Interessante isso, não? Nossos diários virtuais passam a ser a nossa própria lembrança para os esquecimentos futuros – inevitáveis conforme envelhecemos. É a mesma coisa quando viajamos e tiramos milhões de fotos, para justamente no futuro lembrarmos de cada detalhe da viagem, através dos registros fotográficos.

Contudo, todavia, entretanto, confesso também que muitas das minhas reflexões – quando compartilhadas com os leitores do blog – acabam gerando um feedback interessante, com os comentários que recebo aqui. É sempre bom saber o que outras cabeças pensam!

Então é isso. Aos que já conhecem o blog, continuam sempre visitando (e quando possível comentando). Aos que estão entrando agora, sejam bem-vindos e quando puderem, dêem uma olhada nos textos antigos!

Só para relembrar:
- Um ano de blog
- Quando Crescer...
- Quem muito idealiza, pouco realiza
- Outono
- Nosso Lar – o filme
- BINGO!!!

8 de outubro de 2009

O primeiro amor (Parte 1)

A vida nos prepara uns inesperados encontros que nos deixam entorpecidos...

Quando eu era garoto, com meus, sei lá, dez, onze anos, conheci aquela que eu depois definiria como meu primeiro amor. Bem parecido com a letra de Lulu Santos [Ai veio a adolescência (...) A garota mais bonita/ Também era a mais rica/ Me fazia de escravo do seu bel prazer], ela também era a garota mais bonita e a mais rica do colégio. Chegava de caminhonete, com motorista todos os dias. Tinha pais separados e, como a caçula de três irmãos e única menina da família, era bem mimada por todos. Seus longos cabelos loiros e lisos e seus belos olhos azuis traduziam aquilo que eu também defini como beleza perfeita. Ela era perfeita... pelo menos para mim.

E nesses olhares de garoto, eu criei meu primeiro amor platônico, fantasioso e intensamente desejado. Aos mais próximos, não escondia minha admiração por ela. Mas ela, como todo tímido que se presta, não imaginava minha paixão. E essa paixão surgiu na terceira séria primária e persistiu por longos anos até o ano da separação, na sétima série. Neste ano, ela resolveu deixar o colégio público e passou a estudar no pomposo Notre Dame. Durante todos esses anos, o ingênuo apaixonado procurava se aproximar como amigo íntimo para então fazer parte de sua vida. Realmente nos tornamos grandes amigos, de altos papos e confidências dignos da pré-adolescência.

E graças a essa proximidade, o amigo se fez presente, sempre ouvindo as histórias e as primeiras aventuras amorosas dela. Por dentro, intimamente, eu sofria imensamente. O medo de perder essa amizade era maior que a coragem para revelar meu amor, por isso, preferia continuar naquela incômoda situação de amigo/confidente.

Depois da sétima série, nunca mais nos vimos pessoalmente. Ainda éramos muito novos, e não havia meios para manter contato, como há atualmente. Mas a lembrança da linda menina permanecia e com ela a esperança de um dia reencontrá-la. Por muitas vezes, me pegava pensando nela: “como estaria ela hoje?”, “será que continua bonita, simpática?”, “será que me reconheceria hoje? Afinal, não sou mais aquele garoto de óculos, cabelo liso estilo ‘asa delta” e bochechudo”; “quais são os amigos dela agora? Quais os lugares que ela deve freqüentar? Será que está namorando?”. O tempo e a distância fizeram o papel inevitável da separação e do esquecimento.

Então surgiu o Orkut – essa inovadora ferramenta poderosa que conseguiu em muito pouco tempo reunir em sua rede pessoas que um dia fizeram parte de sua vida. É como se pudéssemos resgatar uma memória praticamente esquecida e nos atualizar daquilo que nunca imaginaríamos rever.

Tão logo entrei na rede, passei a catar todos aqueles que de alguma maneira me traziam boas lembranças, principalmente no período escolar. E ela não seria diferente. De certo, foi uma das primeiras a quem busquei. Não seria tão difícil assim, afinal, seu nome completo ainda estava vivo em minha memória.

Então, com um simples botão de busca, um turbilhão de sentimentos veio à tona diante da tela do computador. Sim, eu havia encontrado, pelo menos em foto, aquela menina de treze, quatorze anos, loirinha, de olhos claros, pele clara, magrinha. Era a própria, agora, com seus vinte e poucos anos. Logicamente, seus traços já eram adultos, mas a fisionomia era a mesma.

Desde esse momento, reacendeu aquela velha esperança de reencontrá-la, pelo menos para uma conversa de velhos amigos. Não, não estava confundindo os velhos sentimentos. Não voltei a ser aquele garoto tímido e apaixonado. Não tinha a intenção (e nem queria) reviver a velha paixão. Afinal de contas, nós crescemos, somos adultos. Mas há de convir que algo de estranho ressurgiu. Não sei explicar exatamente, mas é como de alguma maneira parei para pensar que um dia essa menina foi a pessoa mais “importante” para minha vida durante anos. Não tinha idéia na pessoa em que ela “se transformou”. Poderia ter se tornado uma mulher completamente diferente daquela que conheci na infância e adolescência. Só o fato de poder revê-la, mesmo sabendo disso, me trazia um sentimento de saudade. Acho que é isso. A palavra certa então é saudade. E uma saudade boa, de um período bom, daquele tempo em que éramos apenas jovens...

Finalmente trocamos mensagens. Ela me adicionou em sua rede de amigos. Eu já fazia “parte de sua vida” novamente, pelo menos virtualmente. Mas durante esses anos de Orkut, poucas vezes nos falamos para falar a verdade. E a idéia do reencontro pessoalmente permanecia.

Como seria esse reencontro? Onde seria? Qual seria minha reação? E a dela? Será que ficaríamos na formalidade do estilo: “olá, quanto tempo”, apenas? Cheguei a imaginar encontrá-la num bar à noite, ou numa caminhada na Lagoa, sei lá. O que eu falaria? E o que ela responderia?

O primeiro amor (Parte 2)

Estava no Centro da cidade, mais precisamente saindo de uma reunião no prédio sede da empresa – onde só apareço esporadicamente quando há reuniões. Desci os 17 andares pelo elevador. Ainda refletindo sobre as atividades do dia, saí apressado do elevador rumo à saída. Havia um evento comemorativo acontecendo justamente no térreo e em volta uma concentração de pessoas assistindo tal apresentação.

Passei por alguns funcionários quando percebi de relance uma pessoa loira, alta, magra que me lembrava alguém, não sabia exatamente. Por um instante, imaginei ser ela. Será? Então, chamei pelo primeiro nome. Ela escutou. Virou para trás e olhou para mim. Sim, era ela. Caramba, em frações de segundos eu a reconheci e ainda tive o impulso de chamá-la.

“Olá, você por aqui?”, perguntei eu, com um ar de surpreso. Imediatamente olhei para baixo e percebi seu crachá.
“Oi, você também trabalha aqui?”, perguntou ela. Respondi que trabalhava na empresa sim, mas em outro prédio e, portanto, estava de passagem. Senti um ar formal, pouca receptividade talvez. Duas pessoas praticamente estranhas. Parecia apressada também, e sem prolongar muita a conversa, se limitava a responder minhas poucas perguntas. Será que estava em um mau dia? Resolvi terminar o diálogo, me despedi e fui embora, antes de me tornar inconveniente.

Nos instantes seguintes eu ainda tentava entender o que tinha acabado de acontecer. Depois de 13 anos e tantas expectativas, esse encontro aconteceu de forma tão vazia, inexpressiva e fugaz que não deu tempo de sentir absolutamente nada. Sabe aquela sensação quando esbarramos em uma pessoa na rua, pedimos desculpas, e mal olhamos para ela? Foi um pouco assim... apenas um instante.

Isso não quer dizer que eu esperava uma reação explosiva, uma receptividade calorosa. Nada disso. Mas também não imaginava que seria seco assim. Percebi naquele instante que éramos apenas adultos. Nos esbarramos novamente na vida, e ainda em ambiente de trabalho. Cada um com sua vida de adulto. E ponto. Nada de lembranças, recordações, conversas nostálgicas, risadas amigáveis. No final de tudo, restou um “foi bom te ver. Tchau”.

6 de outubro de 2009

Amor bandido

Manoel Carlos já disse em uma entrevista que costuma recortar histórias interessantes (e inusitadas) nas páginas de jornal para um dia, quem sabe, se tornarem folhetim. Assim fazia também Nelson Rodrigues, que assinava a coluna “A vida como ela é”, em que contava “causos” da vida cotidiana de pessoas aparentemente “normais”.

Pois bem, hoje depois de ler uma dessas histórias inacreditáveis percebo o quanto esses escritores estavam certos. Não há melhores histórias de amor (tragédia ou não) do que essas retiradas do jornal.

Sandra Regina, uma mulher com seus trinta e muitos anos, que tem uma filha de onze e mora com os pais e irmãos, resolveu viver uma aventura amorosa. E sem se preocupar com absolutamente ninguém, ela foi capaz de largar família, emprego e uma vida adulta para se envolver com um tal de Juan. Eles se conheceram na escadaria de uma estação de metrô em São Paulo e, depois da investida do homem, ela acabou cedendo...

Ele, um assaltante de banco, com uma lista de crimes no currículo, conseguiu seduzir a tal mulher, enganando com falsas histórias, profissões inventadas, riquezas arranjadas, mas apaixonado por ela.

Vale a pena ler na íntegra a história desses dois na matéria do G1.
Este é um dos milhares de casos em que mulheres são enganadas por homens trapaceiros. Porém, em muitas dessas histórias, o golpe é premeditado, principalmente quando os relacionamentos começam pela internet. Neste não. Eles se conheceram “por acaso” e pessoalmente. Ela se encantou por ele e, por que não, ele por ela?

Sem dinheiro e sem rumo, os dois viveram por cinco dias uma história de amor vagabundo. Com frases de efeito do estilo “estou viciado em você”, “estou apaixonado por você. Nunca senti isso por ninguém. Larga tudo” e ainda “o amor faz perder o fôlego, mas também faz perder o juízo”, Juan conquistou o coração carente de Sandra Regina, de forma avassaladora. Tanto que mesmo depois da revelação, ela o aceitou como bandido. Depois de tentar extorquir, e não conseguir dinheiro algum, ele resolveu terminar o relacionamento relâmpago.

Mesmo diante do risco, ela se sentiu feliz. “Ele me tratou como uma rainha”.
Casos como esse trazem à tona várias reflexões sobre comportamento humano. Uma delas é: por que o homem é capaz de cometer loucuras por amor? Ou ainda, até que ponto a carência afetiva faz do homem um “refém” da paixão?

2 de outubro de 2009

Copa e Olimpíadas no RIO!


Sou carioca da gema com muito orgulho e com muito amor! E nada mais justo para a cidade considerada mais alegre do mundo (inclusive ganhando de Barcelona nesta disputa) ganhar o direito de sediar as Olimpíadas de 2016! É um dia especial não só para todos nós cariocas, mas para todos nós brasileiros!

“O Rio tem alma, tem coração e quer de verdade fazer as Olimpíadas. O Rio provou ao mundo que nós conquistamos cidadania absoluta! Ninguém tem dúvida da grandeza econômica e social do Brasil!”, disse o Lula em entrevista. “Os outros países apresentaram propostas, nós apresentamos a paixão pelo esporte”, completou o presidente.

Foi uma campanha impecável encabeçada pelo próprio presidente, que fez uma apresentação emocionada na defesa pela cidade do Rio de Janeiro, em Copenhague. Por mais que os concorrentes fossem fortes – Tóquio, Chicago e Madri –, os argumentos eram imbatíveis: Brasil, sendo um dos dez países mais ricos do mundo, nunca sediou uma olimpíada até hoje. Resultado: 66 votos para o Rio, 33 para Madri, já depois da eliminação de Chicago e Tóquio.

O que isso tudo significa?
Mais que oportunidades para a cidade, uma realização, satisfação e conquista coletiva de uma nação que sempre procurou ser reconhecida internacionalmente! É o Rio feliz, centro das atenções, sem ser pelos habituais noticiários de criminalidade e violência.

Como carioca, quero presenciar este grande momento, assim como será a Copa de 2014. É o momento para arrumar a casa, com uma grande faxina, sem puxar a sujeira para debaixo do tapete. Menos turbulência urbana, menos conflitos entre comunidades rivais, menos violência, menos sujeira, menos desrespeito. Mais harmonia, mais segurança, mais oportunidades de emprego, mais paz!

Explode coração, na maior felicidade, é lindo o meu Rio contagiando, sacudindo essa cidade!


22 de setembro de 2009

Festival do Rio 2009


Para os fanáticos (e não cinéfilos) pela maratona de filmes, começa nesta quinta, 24 de setembro o Festival do Rio. Com mais 300 títulos, de 60 nacionalidades diferentes e muitas expectativas, o festival promete como sempre!

Confesso que não sou tão fanático assim, e procuro selecionar (bem selecionado) quais os filmes que tenho muuuita vontade de ver. Aqueles que eu tenho muita vontade, ou espero entrar em cartaz ou analiso o “custo-perrengue-benefício” pra saber se vale realmente a pena.

Mas este ano, estou empolgado por dois motivos: primeiro porque acabei de concluir um curso de extensão sobre Formação Executiva em Cinema e TV, que abriu “minha mente” ainda mais para esse universo de business cinematográfico (depois irei escrever um texto só sobre essa experiência). Segundo que, por conta do curso, fiz amizades do meio e portanto irei prestigiar os filmes em que alguns participaram. Além disso tudo, é claro, eu quero curtir os documentários fantásticos que vêm por aí.

O primeiro é Caro Francis – doc sobre o jornalista polêmico e figuraça Paulo Francis que “à sua maneira, denunciou todos os dias a impossibilidade de existência de vida inteligente no pensamento dominante”. Para todo jornalista, um dever de casa! O segundo, assim como o primeiro, também é um dever de casa, já que se trata do ícone da TV brasileira, sendo considerado um dos maiores comunicadores de todos os tempos: Chacrinha! Em “Alô, alô Terezinha”, é contada a trajetória desse artista com direito a artistas populares e chacretes (roda, roda, roda e avisa, um minuto pro comercial!). Como boa estratégia de marketing, virou febre no youtube o vídeo do Biafra, cantando seu clássico “Voar, voar, subir, subir”, em que um cara de parapente “atropela” o cidadão no auge de sua performance. Ambos os documentários são de Nelson Hoineff.

Outros dois documentários que valem a pena (e irão passar de graça no auditório do BNDES!): Simonal, Ninguém sabe o duro que dei, dia 28/9, às 19h (eu assisti e é muito bom!), e Palavra (En)cantada, dia 30/9, às 19h. Outro filme que promete é Bellini e o denômio, abrindo o festival. Já deu pra perceber que só tenho “olhos” para filmes nacionais... eu disse, eu seleciono bastante.

É impossível você sair do festival satisfeito. Todo ano você se programa para assistir a maioria dos filmes desejados, mas os contratempos são inevitáveis.

Não podia terminar esse texto sem ressaltar os brilhantes títulos de certos filmes do festival. É um talento à parte quem leva horas (ou talvez dias ou meses) para definir um bom título do seu filme e acaba definindo isso...

- Sexo, quiabo e manteiga com sal;
- Amor, sexo e mobilete;
- Queridinho da mamãe;
- Para quem você ligaria?
- O maravilhoso mundo da lavanderia;
- Matadores de vampiras lésbicas;
- Mais tarde, você vai entender...
- O lar das borboletas escuras
- O homem que comeu as cerejas
- Os inquilinos (os incomodados que se mudem)
- O coração às vezes para de bater
- Bom dia, meu nome é Sheila ou Como trabalhar em telemarketing e ganhar um vale-coxinha. (sim, isto é um título só!)

(por favor, caro leitor, escreva nos comentários qual seu predileto!).

Confira a programação completa!

Quantas cores você conhece?

Reza a lenda que mulheres conseguem enxergar cores que os homens não enxergam: cor granada, bordeaux, salmão, azul petróleo e verde petróleo (será que é da camada pré-sal?), goiaba, melancia, pêssego, amarelo manga, vermelho cereja (e toda salada de fruta), lavanda, berinjela etc. Agora inventaram mais um: nude. Eu nunca vi, mas dizem que é quase cor de pele.

Alguém sabe a diferença de uva, vinho e roxo?

“vinho é o produto final e uva é a matéria-prima”, ora bolas!

Sendo assim...

O que é berinjela? Um legume
O que é Salmão? Um peixe
O que é melancia? Uma fruta
O que é granada? Um artefato de guerra
O que é Bordeaux? Uma região na França onde se produz vinho

E depois de levarem horas decidindo qual cor de vestido comprar, no final elas acabam escolhendo o famoso “pretinho básico”. Vai entender...

Um teste: quantas cores você consegue identificar na escala pantone?


Obs: eu vejo as cores básicas de lápis de cor e suas variações.

27 de agosto de 2009

Onde está o Belchior?

Coitado do Belchior...

o cara resolveu desaparecer para mídia, mas "preocupada" com seu sumiço, resolveu lançar o "onde está o Belchior?". Sendo um rapaz latino americano sem dinheiro no bolso e com medo de avião, ele deve estar curtindo uma praia cheia...


eu já achei!

25 de agosto de 2009

BINGO!!!!

Aquela vizinha espaçosa e invasiva – que minha avó tem – adora contar suas vantagens, que nem sempre são. Desta vez, ela veio contar uma história de bingo. Ela é viciada em bingo, como muitas desocupadas da Zona Sul. É capaz de dizer ao marido – que não suporta o jogo – que vai à missa, para encontrar um tempinho e dar uma “passadinha” no bingo.

Em uma dessas saídas, ela tinha na carteira cinqüenta reais. Chegou a pegar mais cinqüenta no armário do marido, mas depois a culpa bateu e resolveu devolver antes de sair de casa. Já no Bingo clandestino (agora todos os bingos são clandestinos!), ela resolveu comprar uma cartela, de quinze reais. “O prêmio será uma televisão LCD, 42 polegadas”. Que beleza! E olha que nem precisava de cartela cheia.

Não seria surpresa se o resultado disso não desse em... BINGO! Ela levou a televisão... quer dizer... ainda não! “E agora? Como eu vou chegar com essa televisão em casa? Meu marido vai me expulsar de casa! Outra televisão ele não vai suportar!”.

Parênteses: Sim. Ela já ganhou uma televisão antes no bingo. E quando ganhou, pensando que iria surpreender a família, ligou toda contente para casa pedindo que o marido buscasse para levar o prêmio. “Onde você está?”, perguntou o marido. “Benhê, vem me buscar. Estou no Bingo”, respondeu. “Como assim? Você não ia para igreja?”, “Você vem ou não vem me buscar?”. Ele foi, mas contrariado e prometendo nunca mais fazer isso.

Pois então, ela se encontrava na mesma situação. E agora?
Agora vamos tentar as vizinhas. Alguém teria que ajudar nessa tarefa! Ela pediu para o gerente do bingo segurar por um momento o prêmio, enquanto tentava resolver o problema. Tocou em uma campainha e nada. Tocou na segunda, e nada. Tocou na minha avó também, mas não havia ninguém. Sem saída, ela voltou ao Bingo. “Poxa, seu gerente, você bem que poderia reverter o prêmio em dinheiro, hein?”, indagou. “Mas minha senhora, eu não posso. O prêmio é uma televisão. E se você não puder levá-la, vamos voltar a sortear no bingo”, respondeu o gerente do bingo clandestino.

Depois de tanta negociação, a vizinha conseguiu convencer o gerente. Recebeu mil reais pelo aparelho. Ok, a televisão vale muito mais que isso, mas fazer o quê? Ela não podia voltar para casa com a SEGUNDA televisão ganha no bingo. Paciência.

Da próxima vez conto o episódio quando a vizinha foi parar na delegacia por conta do bingo.

19 de agosto de 2009

Jeunes filles au piano, déjà vu


É engraçada a sensação de rever um momento do seu passado, quando nos deparamos com lugares, cheiros, pessoas ou situações que nos levam às lembranças da infância. Depois de receber um convite inesperado, resolvi comparecer a um sarau. O lugar já não é mas o mesmo, nem as pessoas, mas o ambiente me inspirava o passado. A anfitriã deste encontro, e quem me fizera o convite, foi uma das minhas ex-professoras de piano, que há anos não me via. Ela não escondeu a emoção ao me rever depois de tantos anos. Há pelo menos dez anos deixei a escola de música e desde então pouco fiz contato com a casa. Muitos professores e alunos da época já não estão por lá... nem a querida secretária.

Guardo boas lembranças dessa época, quando pude aprender e apurar meu breve talento musical. Foi lá também que descobri o prazer do teatro. O lugar respirava arte para todos os lados, e meu encanto era tanto, que praticamente fazia deste o meu terceiro lar (o segundo certamente era casa de meus avós). É desta época também minhas primeiras aventuras no palco, quando minhas mãos molhadas de suor arriscavam Mozart, Johann S. Bach, Chiquinha Gonzaga, Zequinha de Abreu...

E foram justamente essas lembranças que me fizeram conferir de perto este sarau. Quando cheguei à antiga casa, deparei-me com janelas fechadas, porta trancada e a ausência do letreiro. “Poxa, cadê a escola?” Foi quando me lembrei do antigo (e por sorte o mesmo) telefone e pude conferir o novo endereço.

Já no novo espaço, reparei as expressões dos novatos, a simpatia peculiar de minha ex-professora e seu cuidado com os convidados, a tensão pré-apresentação dos alunos... nossa! Exatamente quando era um deles. “Este aqui foi nosso aluno desde os seis anos de idade”, orgulhava-se Tia Cecília ao me apresentar para os presentes. E minha figura ainda se fazia presente de alguma maneira naquele novo espaço: havia fotos dos antigos alunos no mural na recepção, e eu estava lá, em pelo menos duas fotos.

No final das contas, toda essa lembrança me deu vontade de voltar a estudar música, mas infelizmente as prioridades da vida adulta são outras, o que nos forçam optar pelos cursos de pós, idiomas, reciclagens e tantos outros para crescimento na carreira. Quem sabe, na aposentadoria não volto a me dedicar aos exercícios, arranjos e harmonias musicais?

Para terminar esse raciocínio, volto a dizer como é bom rever nossas lembranças do passado. Durante anos, enquanto estudei piano, lembro-me de uma réplica do quadro de Pierre August Renoir, chamado Jeunes filles au piano, que ficava em cima do antigo piano da sala. Lógico que não me importava o nome do pintor, o nome do quadro, quando foi pintado, muito menos o museu em que se encontrava. Mas sua figura era marcante, tanto que guardei em minha memória.

Em janeiro de 2008, quando tive a grande oportunidade de visitar o Museu D´Orsay, em Paris, ao adentrar em uma das salas, deparei-me com o quadro original. Foi inevitável a emoção do instante. Pois naquele momento, depois de tantos anos, revi minha infância celebrada naquela pintura singular e inesquecível.

Ontem, revi o velho quadro, ou melhor, a velha réplica que tanto me marcou na infância, exatamente em cima do velho piano... só que em outra sala.

14 de agosto de 2009

Segue seu caminho...

Viemos ao mundo para crescer! Aprendemos a cada dia uma lição diferente e desde pequenos, vamos construindo nossos caminhos. Às vezes, por comodidade, optamos pelo mais fácil, sendo muitas vezes esse o mais errado também. Então, nos deparamos com pessoas e situações de todos os tipos. Aos poucos, vamos construindo também nossa personalidade e nosso caráter. E nesse ponto específico, o papel dos pais é fundamental. Eles são nossa base, nosso maior exemplo a ser seguido. Deles, tiramos o que é certo e o errado. E com eles, aprendemos o caminho do bem. Assim deveria ser.

“Honrai a vosso pai e a vossa mãe”, independente dos erros que cometam, das falhas e defeitos que carregam. Pense que estes são tão humanos quanto você e, portanto, suscetíveis ao erro. “São crianças, como você”, como dizia Renato Russo. Isso mostra, que nem sempre é o filho que aprende a lição com o pai. Muitas vezes, nós, filhos, é que mostramos o que é o certo e o errado. Talvez porque falte a maturidade espiritual aos mais velhos.

Ao contrário do que costumam dizer, escolhemos sim nossa família. Pai, mãe, irmãos, avós não são parentes à toa. E esses fazem parte de sua vida, querendo você ou não. Vieram unidos para crescerem e progredirem juntos. Cada um no seu tempo.

Quando alcançamos a idade adulta, já com nossos princípios fundados, percebemos o quanto nossos pais foram importantes para nossa formação como cidadão, homem de bem. Mesmo que seja pelo caminho torto. O exemplo negativo também é válido, justamente para percebermos o que NÃO devemos fazer quando adultos.

O maior exemplo é quando vivenciamos situações de brigas e desrespeito em nossos lares e prometemos não seguir o mau exemplo quando passamos constituir nossa próxima família. Palavrões, vícios, traições e xingamentos são exemplos a serem findados, esquecidos, deletados de nossa memória.

Nós somos responsáveis pela felicidade do próximo e, principalmente, dos nossos filhos! Passemos então os conceitos do respeito, do amor, da caridade, da compaixão aqueles que estamos deixando no mundo. Essa é a verdadeira passagem de bastão. Esse é o verdadeiro exemplo a ser seguido.

Aos que pensam apenas nas heranças, nos bens materiais, nas riquezas conquistadas com suor do trabalho dos que já se foram, só lhes resta a compaixão, porque desconhecem o futuro incerto que há pela frente. Riquezas são findáveis, quando não administradas com primor. E muitas vezes, a opção pela riqueza material nos leva para caminhos obscuros, já que atraem apenas os interesseiros e oportunistas.

Busquemos, então, o que nos proporciona a verdadeira felicidade: a paz de espírito e a certeza que não iremos prejudicar o próximo com os nossos interesses, principalmente, se esses forem apenas materiais. A família é o maior presente que Deus poderia nos dar em vida. Acredite nisso!

11 de agosto de 2009

Uma luz no fim do túnel

Hoje passei por um susto e tanto. Rolou um tiroteio no Túnel Santa Barbara, e eu estava no meio disso!!!

Estava indo para o trabalho e no meio do túnel houve um engarrafamento. De repente alguns carros começaram a dar marcha ré, e logo em seguida, as pessoas começaram a abandonar os carros e saíram correndo em direção contrária ao trânsito para sair do túnel. Como estava entre os carros, eu e minha amiga fizemos o mesmo, abandonei meu carro, e saí correndo também. Quando não estávamos mais aguentando correr (e nessa hora percebi o quanto estou fora de forma!) dei uma parada, mas logo começaram os tiros, quando voltamos a correr desesperadamente. Sério, sensação horrível!

No final, a polícia (que queria entrar de carro no túnel) entrou correndo. Depois o trânsito foi liberado e conseguimos sair em paz. Pelo menos um carro foi assaltado e este estava muuuuito próximo da gente.

Já virou clichê a revolta dos cariocas com a violência urbana. Ok, vivemos em uma grande metrópole, e todas têm problemas de violência. Mas de qualquer forma é revoltante sim perceber que a qualquer momento você pode passar por situações de perigo. Não estava andando de madrugada, nem em situações de risco. Estava indo para o trabalho, às 7h30 da manhã. E o que percebemos é a falta de segurança para todos os lados.

O desespero toma conta e você é obrigado a abandonar tudo em prol de sua segurança. “Corre, corre!”, é o grito de ordem dos transeuntes. Você fica parado? Claro que não! E nesse corre-corre, cenas desumanas de idosos abandonando seus carros, amedrontados, tentando fugir do perigo. “Saia do carro, filha!”, gritava um senhor tentando salvar a sua e a vida de sua esposa, também idosa.

Infelizmente, apenas quando vivenciamos situações como essas é que percebemos o quão perigoso está em viver nesta cidade.

Enfim, depois do sufoco e do susto, agora está tudo bem.

Matéria do G1
Matéria do RJTV

4 de agosto de 2009

À Deriva – o filme


Um olhar adolescente para as questões adultas é o que traz o filme “À Deriva”, de Heitor Dhalia (o mesmo de “O Cheiro do ralo”). Em estilo bastante “afrancesado”, o longa tem um ritmo lento, com uma fotografia fascinante (até porque tem Búzios como cenário) e um roteiro bem trabalhado. Tudo para tornar um filme real. Digo real, porque a construção da narrativa se faz conforme as descobertas da protagonista. Aos olhos de espectadores aflitos (acostumados a filmes de ação), pode parecer um filme chato, em que nada acontece de extraordinário. Mas para quem está a fim de curtir um filme Cult, vale muito a pena.

Filipa é uma menina com quatorze anos, sendo a mais velha de três filhos de um casal à beira de uma separação. Ela descobre que o pai trai a mãe, e percebe que esta não anda bem emocionalmente, com suas constantes crises e bebedeiras.

Em meio ao turbilhão familiar, Filipa ainda consegue desvendar o universo da sexualidade, peculiar da idade efervescente. Ela vai “transparecendo dúvidas, curiosidades e inseguranças comuns a sua idade”, como bem define a crítica do Globo. Ao mesmo tempo, encontra no mundo adulto, um universo de farsas, traições, bebidas, sexo, que de alguma forma é desmascarado por ela aos poucos. É nesse processo de deflagrar a realidade em que o filme se desenrola.

É flagrante perceber que a protagonista é a nova aposta do diretor, em selecionar uma menina desconhecida, em princípio com pouca expressividade e, portanto, pouca experiência dramática. Porém, é interessante saber que tal escolha saiu realmente “por acaso”, ao ser identificada pelo Orkut.

Quando criança, passando pela adolescência, buscamos nos pais a nossa base. Mas quando percebemos que os nossos pais também são tão frágeis e sujeitos a falhas, ficamos “desconsertados”. O significado do título vem justamente provar que, todos nós – incluindo jovens e adultos – estamos à deriva de nossas próprias vidas: sujeitos aos erros e acertos, sem base, muitas vezes. Com final sereno, belo e metafórico, o encontro entre pai e filha demonstra exatamente isso.



Site do filme

3 de agosto de 2009

Se não aguenta, por que veio?

A sessão “Page not found” do Globo online é realmente fantástico! Divirto-me com as pérolas e bizarrices do mundo. E desta vez a bizarrice é o fim de um casório envolvendo um homem de 85 anos e uma jovem de 24. O motivo: “ele só queria sexo”! O velho bilionário deu uma canseira na menina e esta acabou não aguentando e pediu a separação. “Ele queria sexo quase o tempo todo, e eu não sou esse tipo de garota”, reclamou a menina.

Ela, coitada, era manicure de um luxuoso hotel e saiu da vida difícil depois de ser conquistada pelo coroa. Antes de casar, foi presenteada com um Porsche. Bem, no final de tudo, ela resolveu arranjar um novo namorado, com 28 anos. Este, talvez, tenha um apetite sexual compatível com a idade...

Leia a matéria

24 de julho de 2009

Come mortadela e arrota caviar

Zeca Baleiro soube traduzir muito bem em sua música “Vai de Madureira” o espírito de grandeza de muitas pessoas que gostam de “arrotar caviar”, mas que só tem dinheiro para comer mortadela mesmo (e olhe lá!). O que não falta é gente assim...

Vale a pena conhecer essa letra:

Se não tem água Perrier, eu não vou me aperrear
Se tiver o que comer, não precisa caviar
Se faltar molho rosé, no dendê vou me acabar
Se não tem Moet Chandon, cachaça vai apanhar

Esquece Ilhas Caiman, deposita em Paquetá
Se não posso um Cordon Bleu, cabidela e vatapá
Quem não tem Las Vegas vai no bingo de Irajá
Quem não tem Beverly Hills mora no BNH

Quem não pode, quem não pode
Nova York vai de Madureira
Quem não pode Nova York
Vai de Madureira
Quem não pode Nova York
Vai de Madureira

Se não tem Empório Armani
Não importa vou na Creuza costureira do oitavo andar
Se não rola aquele almoço no Fasano (na 2ª, ANTIQUÁRIO)
Vou na vila, vou comer a feijoada da Zilá

Quem não pode, quem não pode
Nova York vai de Madureira
Quem não pode Nova York
Vai de Madureira
Quem não pode Nova York
Vai de Madureira

Só ponho Reebok no meu samba
Quando a sola do meu Bamba
A sola do meu Bamba
Chega ao fim

20 de julho de 2009

Enquanto não se torna mais um dia comercial...

Então, hoje é DIA DO AMIGO! E para minha felicidade, já recebi vários abraços, mensagens, torpedos, e-mails de amigos de diferentes grupos. E se antes eu pensei “poxa, não fui o primeiro a desejar feliz dia do amigo aos meus amigos”, agora penso: “graças a Deus, fui lembrado por eles primeiro”. E por isso que escrevo agora tanto para os que já falaram comigo, quanto aos que ainda não tiveram oportunidade (ou porque desconhecem a data comemorativa).

Ao contrário de que muitos pensam, nós podemos escolher sim os nossos irmãos de sangue antes de nascer (assim como nossos pais, avós etc). Mas é certamente mais fácil admitir que são os nossos amigos os irmãos escolhidos em vida. Eu prefiro concordar com Vinícius de Moraes, que dizia: “a gente não faz amigos, reconhece-os”. Isso porque muitos já nos acompanham de outras vidas...

E todos meus amigos representam meus irmãos reconhecidos (de sangue ou não), que ao longo de meus 27 anos se tornaram fundamentais para minha formação como filho, irmão, companheiro, cidadão e homem de bem. A cada etapa de minha trajetória, eles se fizeram presentes, principalmente nos momentos mais difíceis. Minha felicidade é vê-los felizes. Para esses, ofereço sempre meu sorriso e minha alegria de viver porque é assim que devemos presentear todos os dias os nossos verdadeiros amigos!

17 de julho de 2009

Piadas de sexta-feira

Hoje é dia de piadas...

(desculpe meninas, essas são machistas mas engraçadas!)

MENOR CONTO DE FADAS DO MUNDO.

Era uma vez um rapaz que pediu uma linda garota em casamento:
- Você quer se casar comigo?
Ela respondeu:- NÃO!
E o rapaz viveu feliz para sempre, foi pescar, jogou futebol, foi pra balada, conheceu muitas outras garotas, transou com várias delas, visitou muitos lugares, sempre estava sorrindo e de bom humor, nunca lhe faltava grana, bebia cerveja com os amigos sempre que estava com vontade e ninguém mandava nele. A moça teve celulite, varizes, engordou, os peitos caíram, se fudeu e ficou sozinha.
FIM.

E com vocês, Shii: the best game for women!

video

Nosso Lar – o filme

Visite o site oficial do filme Nosso Lar.
Veja também matéria sobre filme no Estadão online


Em meio à rotina do trabalho, algo interessante aconteceu esta semana. No prédio em que trabalho, distante do centro urbano, reparei nas últimas semanas uma movimentação de operários construindo uma espécie de cenário. E na última segunda-feira percebi que estava certo. A foto acima representa um dos cenários de um filme que está sendo rodado. Trata-se da filmagem de Nosso Lar, baseado no livro espírita homônimo, psicografado por Chico Xavier através do espírito André Luiz.

Quem conhece este livro, sabe que é uma das obras mais importantes para compreensão do mundo espiritual, e assim da Doutrina Espírita. Publicada em 1944, é a primeira de uma série de obras psicografadas de André Luiz.

Confesso que fiquei feliz em presenciar de perto este momento, por dois motivos. Primeiro que sou apaixonado pelo universo do cinema, e vejo com muitos bons olhos o cinema nacional voltando a fazer sucesso. Segundo porque vejo com entusiasmo a oportunidade de transformar em filme (de grande produção por sinal) uma história fantástica que narra o dia-a-dia da maior colônia espiritual do Brasil, com milhões de espíritos desencarnados, apresentado por um espírito de luz como André Luiz. Na verdade, o próprio conta a sua história de como ele chegou a esse ambiente, nos desvendando o universo espiritual.

Além de tudo isso, como que “por acaso”, esbarrei na entrada do banheiro com o ator Renato Prieto, que interpreta no filme André Luiz. Muito simpático, este ator é bastante reconhecido no meio espírita principalmente pelo seu trabalho de divulgação da doutrina através de suas belas e emocionantes peças, entre elas Além da Vida (que tive o privilégio de assistir), E a vida continua, e o próprio Nosso Lar.

Ele me contou que o filme é uma produção americana (não chegou a mencionar o nome, mas desconfio que seja Fox Filmes), com a maioria da equipe, portanto, estrangeira, mas com elenco nacional, incluindo ele. É gratificante saber que existe interesse estrangeiro (no caso a Fox) em querer filmar uma história espírita e nacional, já que se baseia no livro de Chico Xavier.

A produção realmente impressiona pela sua estrutura, com número de profissionais envolvidos, equipamentos utilizados etc. Uma boa produção, um elenco excelente e uma história fantástica são elementos fundamentais para acreditar que este é um filme que promete! E espero conferir o mais breve o resultado final na tela grande.

A tempo, a cena filmada neste espaço é do momento em que André chega ao hospital da colônia, depois de um longo período no chamado Umbral.

2 de julho de 2009

"Tudo azul, todo mundo nu"

Transparência, honestidade, liberdade. Três palavras que podem significar muita coisa em um ambiente profissional saudável. Ser um bom profissional requer mais que competência e talento. É indispensável transparência para expor suas opiniões, desde que saiba respeitar o próximo. Honestidade, não só no ambiente de trabalho, mas em tudo na vida. E liberdade, para que o profissional se sinta integrante de uma equipe – independente de sua função. Ser reconhecido pelos colegas e o chefe é o primeiro passo.

Difícil é aquele que não tem uma história para contar sobre seu ambiente de trabalho. As fofocas, as intrigas, as mentiras, o boicote, a falsidade são elementos comuns quando não há essas três palavras descritas acima. E muitas vezes somos “obrigados” a conviver de forma pacífica com esses elementos, para não se dispor com o colega ou superior. Tudo pela “boa ambiência”!

Mas o assunto tratado aqui é bem mais leve que isso...

Imagina trabalhar em uma empresa que resolve adotar a Sexta-feira Nua. Sim, todo mundo nu no escritório!

Depois de contratar a consultoria de um psicólogo conhecido como “líder pelado”, uma empresa de marketing e design inglesa aceitou a sugestão do consultor em estabelecer o dia que todos os funcionários deveriam trabalhar pelados, com o intuito de melhorar a integração da equipe.

“Ao tirar as roupas, eles deixariam de lado suas inibições e poderiam falar mais abertamente e serem mais honestos sobre suas opiniões”, diz a matéria.

E se a moda pegar?

23 de junho de 2009

Que susto...

Depois de assistir ao documentário “Ninguém sabe o duro que dei”, que vem rediscutir se o coitado do Simonal seria ou não informante do Dops (Departamento de Ordem Política e Social), acordei assustado hoje.

Imaginem vocês que sonhei reviver um tempo triste de nossa história, em que todos tinham medo de se expressar, soltar o verbo, manifestar sobre qualquer coisa: desde o café frio do botequim até os habituais escândalos do Senado.

As letras eram censuradas, os músicos eram exilados, as peças eram proibidas e só se liam receitas de bolo nos jornais diários... éramos todos tachados de subversivos!

Quando não se bastava o tormento, ainda vi uma cena assustadora: meus governantes eram todos militares!!!! Socorro!!!!


Foto: Ricardo Stuckert

19 de junho de 2009

O famoso calote amigo

Em todo grupo de amigos, há sempre um que já é velho conhecido no grupo pelos seus calotes. Todo mundo é amigo, mas também ninguém fala na cara da pessoa e acaba deixando passar...

Eu conheço pelo menos duas pessoas assim, de grupos diferentes de amizade, mas que a fama já é tanta que o pessoal corre quando a pessoa solta um “paga pra mim, depois acerto contigo?”.

Esta semana, combinamos um encontro na casa de um amigo, que voltou a morar no Rio (para felicidade de todos!). Daí, o combinado também era cada um levar alguma coisa pra beber e comer. Até aí, tudo bem.

Quando estava pronto pra ir sozinho, liga uma amiga pedindo carona (já o primeiro ato). “Ok, então passo daqui a pouco na sua casa”. “Não, estou no shopping, na academia. Pode passar aqui?”. Hum... (ela mora do lado da minha casa, mas me fez passar no shopping – segundo ato).

Bem lembrando que antes de ir buscá-la, já tinha passado num lugar para comprar massa branca (como petisco), e só faltava então algo para beber. Como já adivinhava, ela não tinha comprado nada, então, acabamos passando num mercado próximo.

Eu só fiz pegar o refrigerante, enquanto ela encheu o carrinho de refri, dois sacos de pão de queijo e ainda dois sacos de batata frita (para ir beliscando no caminho). Então, na hora de pagar...

- Este cartão não foi aceito, senhora.
- Não???? Como assim? Ai meu Deus... então tenta com esse outro aqui, por favor.
(comentário da pessoa: “bem, eu passo o cartão, mas nem sempre tem dinheiro mesmo... se colar, colou”)
- Senhora, este outro cartão também não está sendo aceito.
- Ah, não é possível! Gente, como pode? Aff...
(agora vem a clássica frase!!!!)
- Amigo, paga essa para mim, depois eu acerto contigo?

E agora? O que você faz?

1- Finge que seu cartão não está passando também e diz que o seu dinheiro está contado para o refri?
2- Acaba pagando tudo, para terminar logo a situação e sair o mais rápido possível do mercado?
3- Se vai pagar no cartão também, fala logo que está cansado de receber calote e que não vai pagar nada não?

18 de junho de 2009

Hoje é dia de Maria Bethânia.

É comum buscarmos nossos ídolos no mundo das artes, seja na literatura, na poesia, na dança, no teatro, no cinema, na música e tantas outras expressões culturais. E muitas vezes, nossas referencias são pessoas que já não se encontram encarnadas, nos restando seus registros, seus livros, discos, filmes etc.

Porém, não há melhor satisfação quando conseguimos presenciar um show, uma peça, ou simplesmente um encontro casual com esses ídolos. Quem me dera ter assistido a um show de Vinícius, Jobim, Elis...

Mas essa satisfação plena vem à tona toda vez que assisto a um show de Bethânia. Ela fascina com sua presença. Se ouvir suas músicas já nos eleva, assisti-la ao vivo, no palco, chega ser uma viagem.

Nascida no dia 18 de junho de 1946, essa baiana com seus longos cabelos grisalhos e voz inconfundível não só acumula fãs de todas as idades, como agrada os ouvidos de tribos diferentes.

E o que lhe faz ser tão especial? Sua musicalidade e sua sensibilidade em interpretar cada letra com seu jeito único. Sua voz é firme, forte, grave, e ao mesmo tempo suave. Seu repertório é brasileiro, sem preconceito, e ao mesmo tempo não mercadológico, ou seja, sem a preocupação em “agradar o grande público”, no bom sentido, é claro.

Então, é possível escutar desde Roberto Carlos (“As canções que você fez pra mim”, um dos álbuns mais elogiados de sua carreira) até Zezé Di Camargo (É o amor), passando por veteranos Chico, Caetano, Vinícius, Noel Rosa, Gonzaguinha, e novos como Ana Carolina, Jorge Vercillo, Chico César, Adriana Calcanhoto, com a mesma admiração.

Sem contar as canções regionais. Ela sabe bem o que significa diversidade cultural brasileira. Muitas vezes, enxergamos o trabalho de pesquisa apurada de canções que são praticamente resgatadas do grande baú que é a verdadeira música popular brasileira. Mais uma vez, sem preconceito, Bethânia é capaz de selecionar em seu repertório músicas pouco conhecidas pelo grande público. E o resultado disso são discos riquíssimos como Âmbar (1996), Maricotinha (2001), Imitação da Vida; Cânticos, Preces, Súplicas à Senhora dos Jardins do Céu (2003), Brasileirinho (2004).

Pés descalços, saias brancas rodopiantes,
Pulseiras e cordões que chocalham,
Ela vem com seus
Cabelos soltos, largos, fartos,
Uma voz que vibra
Um olhar que interpreta, a mão que acompanha,
O som, a luz, a cor do som
Uma pausa para leitura
Dos poemas da alma
Depois um batuque dos negros
O palco-terreiro
Os músicos deuses
O público, seus súditos
Uma força a cantar
Chamada Bethânia.

Para quem não conhece, ou quer conhecer mais:
http://www.mpbbrasil.com/content.asp?cc=1&id=27445
http://www.mariabethania.com.br/

9 de junho de 2009

“Estava precisando...”

A falta de prática faz cometer erros bobos, mas que servem como experiência (como se diz: afinal, fazer merda serve para adubar a vida!).

Sabe aquele presente que você está sonhando em receber da pessoa amada, e a expectativa é tanta que você idealiza algo surpreendente? Então essa pessoa chega e finalmente entrega o “presentão” com aquele sorriso no rosto, todo feliz porque acha que comprou o melhor presente para a ocasião!

Então, ela abre o presente e... “nossa... que legal... estava precisando!”.

É... acho que seu presente não agradou. Está estampado no rosto dela a decepção mal disfarçada. Não era BEM isso que ela gostaria de ganhar no Dia dos namorados.

- Mas não foi isso que você estava precisando?
- De uma pilha recarregável para minha máquina e um carregador? Ah sim... era.
- Então... eu pensei que você iria ficar satisfeito por voltar a usar sua máquina de estimação.
- Eu gostei sim. Realmente estava precisando...

Ok. Você tentou acertar no presente. A intenção foi boa, mas... isso é presente romântico onde? E aquele cordão lindo que ela namorou na vitrine quando passeavam no shopping? E o vestido com capuz que ela já deu várias indiretas? Tanta coisa interessante e logo um conjunto de pilhas e um carregador? Tudo bem... É a falta de prática. Quem sabe no aniversário não acerta?

Porém, entretanto, todavia, contudo, ela não engoliu muito bem. E só esperou a ocasião certa para “comentar” sobre a falta de romantismo do rapaz.

Quando foram comprar os presentes para duas amigas aniversariantes, tiveram a brilhante idéia de passar em uma joalheria. Viram juntos as opções de brincos, cordões, pulseiras e anéis, até que escolheram as que tinham mais a ver com a personalidade de cada uma.

No final, ela não resistiu...

- Pois é, saber comprar artigos femininos para suas amigas, você sabe bem. É tão bom ganhar presentes que têm “a nossa cara”...
- E por que você está falando isso?
- Nada não... é que eu ainda não tenho costume de vestir pilhas.

5 de junho de 2009

Blog sem fio

O que acontece com duas mulheres “atormentadas”, trocando farpas, rancores, amores por um homem-menino-moleque?

O resultado disso são textos e revelações bombásticas de corações apunhalados, machucados por duas relações mal resolvidas.

Palco das disputas amorosas, dos desabafos e esculachos, o blog se mostrou a ferramenta mais apropriada para essa calorosa tensão pré-barraco. Lugar onde se pode soltar seus sentimentos mais primitivos, porque, afinal, é um espaço livre, público. Uma escreve, a outra acompanha. Até quando? Há uma provocação implícita para saber até quando a outra agüenta.

Será que teremos um ringue real, ou ficaremos no deboche virtual?

Vale lembrar que o rapaz já passou, e a briga agora não é por ele. Disputas de egos femininos feridos.

Não há mais romance no ar
Só restam histórias para contar
De mágoas que insistem ficar

4 de junho de 2009

Outono


Eu gosto do outono.
É uma estação fria, com calor do sol fraco
O céu parece mais límpido
O azul celestial com tom vívido

Eu gosto do outono.
É quando o cachecol rima com óculos de sol
Quando o cobertor se faz necessário
E convida para um sono a dois
Eu e você de conchinha

Eu gosto do outono.
A luz do dia pede um registro
Então você saca sua câmera
Tira uma foto bacana
E depois pendura no vidro.

Eu gosto do outono.
Finalmente me despeço do calor sufocante
Aproveito a brisa da orla
E meu cansaço se desfaz num instante

Hoje foi bom acordar do seu lado
Sentir o ar frio da manhã nascente
Passando pelas pernas, entre a gente
Foi então que percebi
Porque eu gosto do outono.

29 de maio de 2009

À la Nelson Rodrigues

Pense numa história típica de Nelson Rodrigues. Casos bizarros, relacionamentos estranhos, triângulo amoroso, ciúmes, paixões, olhares, insinuações...

Pois bem... cá estou para contar uma história real alheia.

Depois de alguns relacionamentos complexos, confusos e tensos, eis que chega um momento de paz! A tal paz interior que há tanto tempo lhe faltava, por conta dos amores complicados de outrora. Mas nem tudo são flores...

Recapitulando alguns fatos importantes: ela namorou um cara que não lhe arrebatava o coração, não lhe tirava o fôlego, não esquentava a relação... um relacionamento morno (quase frio). Resolveu dar um basta, por mais que ferisse o coração alheio.

Pois bem, quando se pensava que seria um momento de paz (a tal paz interior que lhe faltava), ela arranjou um amor avassalador, de tirar o fôlego, de subir pelas paredes. E quando tudo parecia intenso e perfeito, o tal do “infinito enquanto dure” acabou. Restaram algumas peças de roupa na casa dele, e assim que pôde, passou por lá, tomou um café com avó, desabafou uns lamentos, tudo antes dele aparecer.

Ficou uma certa mágoa, mas tudo bem... vai passar.

E passou. Uma semana depois estava viajando para Salvador, no carnaval. Detalhe: aquele ex (o tal do relacionamento morno, quase frio, quase nada) foi no mesmo grupo de amigos. Conclusão: um revive foi inevitável. “Até que foi bom”.

E desse “até que foi bom”, ele hoje se tornou um belisco. É isso mesmo, um tira-gosto para horas vagas... não é o prato principal, mas já mata a fome se precisar.

Coincidência ou não, o irmão daquele ex (o da paixão avassaladora, ok?) trabalha com ela e, sem grandes pretensões, foi se criando uma amizade entre os dois. Vale lembrar que esta amizade só veio aumentar depois do término do namoro com irmão.

Uma amizade diária tão bem humorada, calorosa, altas risadas, café, almoço, lanche, papo pra depois do expediente... mas quem é esse mesmo? Ah o seu ex-cunhado? Hum... sei. “Mas vocês conversam sobre o fulano?”; “Nunca falamos dele... não é incrível?”. Incrível!

E onde você quer chegar com essa conversa? Por acaso vocês já estão tendo um caso? Afinal, o que rola?

Bem... por enquanto só um encantamento de ambas as partes. Se pode rolar algo mais? Não se sabe... às vezes o inconsciente nos burla deixando uma pergunta no ar: “será?”
Se fosse um conto de Nelson Rodrigues, certamente não existiria esse “será”. Ele era direto, objetivo: a próxima cena seria uma saída do trabalho direto para o motel mais vagabundo da cidade... uma transa extravagante, sem culpa, sem pudor, ofegante e realista.

Mas a vida nem sempre é como ela é. Os medos, a consciência, o bom senso, a culpa ainda nos prendem. Só restando ao imaginário nelson-rodriguiano o desejo reprimido.

21 de maio de 2009

Quando o teste do sofá é uma furada!

Meninas, cuidado! Anda por aí um homem muito perigoso de aparência suspeita que vem cometendo abuso com... candidatas a atrizes da Globo!

Parece piada mas não é! Este homem foi preso porque se passava por diretor de TV e convidava meninas “inocentes” para realizarem um teste (?).

Pelo que parece, o golpe era sempre praticado com meninas novas, sonhadoras, com pouca oportunidade na vida e que, portanto, o discurso de emprego “fácil” na emissora certamente seria um atrativo irresistível. Conclusão: o cara aplicava o famoso teste do sofá, tirava seu proveito e caía fora, simples assim!

Depois de testar 20 mulheres, ele foi denunciado por uma menina de 18 anos, que chegou ter relações sexuais em troca do emprego. Com um crachá falso, ele se aproximava da vítima já lhe convidando para realizar diversos testes dramáticos, entre eles situações de raiva, emoção, amor, ternura e eróticas!!!! Tudo super profissional! Fico imaginando a cena: “agora eu quero uma cara de raiva (...) hum... agora eu quero ver uma expressão de ternura! Isso, assim, gostei! Agora uma cara de safadinha...”

Será que ele se apresentava como Severino cara crachá?

Leia a matéria

18 de maio de 2009

Letra e música

Eu procuro um amor, uma razão para viver, e as feridas dessa vida eu quero esquecer. Pode ser que eu gagueje sem saber o que falar, mas eu disfarço e não saio sem ela de lá. Procuro um amor que seja bom para mim. Vou procurar, eu vou até o fim. E eu vou tratá-la bem, para que ela não tenha medo quando começar a conhecer os meus segredos.

Essa música "Segredos", de Frejat, tinha um significado único para mim até alguns meses atrás. Escrever sobre desejos, sonhos, segredos era uma forma de desabafar e, de alguma forma, extravasar os sentimentos escamoteados.

Muitas vezes sem nexo, minha fala não tinha ordem cronológica, nem ordem direta de sujeito-predicado. Eram frases soltas, versos brancos, poemas livres... afinal são rascunhos mentais (não necessariamente passados a limpo).

E dentro desses desabafos eu sempre me questionava: “até quando?”. Até quando “procuraria por este amor, uma razão de viver...”? Meu medo era não saber esse quando. Mas eu iria “até o fim”.

Hoje escutei esta música no rádio. E escutei de uma forma diferente, como se ela agora não tivesse mais sentido em minha vida. É engraçada essa relação letra-vida. Para cada momento de nossa vida, temos uma música marcante, que nos diz exatamente o que pensamos internamente. Louvemos os letristas e músicos que sabem expressar poeticamente aquilo que não conseguimos falar com simples palavras.

Algumas músicas nos fazem relembrar passagens de nossas vidas, nem sempre com letras representativas desse momento. Por exemplo, toda vez que toca “Bem que se quis”, da Marisa Monte, eu me lembro da minha cirurgia da vista, quando recebi alta e voltava feliz para a casa com apenas seis anos.

Já “Baianidade nagô” marcou um passeio de colégio, quando deveria ter uns oito anos de idade, e que todos nós cantávamos super empolgados no velho ônibus do colégio. Depois quando eu repeti a terceira série primária, eu não podia ouvir essa música que chorava lembrando os amigos da antiga turma.

Sempre fui ligado à música desde muito pequeno. Cada letra, cada melodia que escuto tem um significado (vide meu perfil!). Se ontem músicas de amor não me falavam nada, hoje, elas tomam sentido. Se ontem, eu “procuro um amor que seja bom para mim”, hoje “ela me faz tão bem, que eu também quero fazer isso por ela”.

Pouco tenho falado sobre esse meu “novo tempo”, mas talvez porque falte tempo mesmo para falar... porém em breve novos “desabafos” virão... com o novo sentido em minha vida. Graças a ela, é claro!

4 de maio de 2009

Isso é só para loucos, só para raros... caretas não!

Mais visual, menos palavras...

(Praia do Meio)

O clima é de paz e amor total, com boa dose de aventura nas trilhas de Trindade – um paraíso escondido atrás de um morro, perto de Parati, no Rio de Janeiro. O feriado de primeiro de maio tem cara de preguiça, com direito a praia, cachoeira e piscina natural. Um lugar com visual incansável. (Praia de Fora)


(Praia do Meio)


Lá também há uma cachoeira em que a pedra lhe engole literalmente...






Este é um lugar também para situações alucinantes mesmo para os não adeptos da marola, além de momentos hilários, como almoçar um PF ao som de Ventania... “Só para loucos, isto é só para loucos/ Caretas, não/ Colhendo cogumelos na varanda de cristal/ Avenida paralela toma forma de aspiral/ Colhendo cogumelos pra fazer um chá legal/ Ficar muito louco, curtindo um visual”.

(trilha da Serra da Bocaína, vista para Praia do Cachadaço)



(Entre a Praia do Meio e a Praia do Rancho - passeio de barco)



20 de abril de 2009

Tom & Vinícius – o musical

Contar a história de dois dos maiores personagens cariocas definitivamente não é uma tarefa fácil. Um ficou conhecido como poetinha, que apesar do tom pejorativo atribuído ao talento na época, não diminuiu o valor deste grande artista. Já o outro é considerado um dos mais importantes maestros brasileiros. Tom e Vinícius.

Na última sexta-feira, tive o prazer de assistir ao musical Tom & Vinícius em cartaz no teatro Carlos Gomes, no Centro do Rio. Confesso que sou suspeito para falar desses dois, pois desde pequeno (pequeno mesmo!) sempre me familiarizei com o som e a poesia dessa dupla. Não sei explicar direito o meu sentimento, mas sabe quando você sente saudade por um momento em que você não viveu? Pois é, difícil de explicar, imaginar... mas enfim, é exatamente o que sinto quando o assunto é Bossa Nova e particularmente os dois.

Todas as histórias dessa época me encantam, porque lembram um Rio belo, elegante, com mulheres finas, homens alinhados. Hoje, dizer que algo tem “bossa” é sinônimo de charmoso, bom gosto, refinamento. Não é à toa. Começando pelo presidente “bossa nova” JK, que transparecia elegância e bom humor por onde passava, parece que todas as imagens referentes a esse tempo são de um Rio calmo, boêmio, inspirador e com uma beleza natural deslumbrante. Respirava-se poesia e música, quando os jovens com seus 17, 18 anos tinham como diversão maior os encontros despojados nas praias, nos bares e até mesmo em casa.

Entre muitas histórias de como nasceu Bossa Nova, dizia-se que este jeito manso de cantar, bem ao estilo João Gilberto, como se fosse um sopro do ouvido, era justamente porque os jovens se reuniam em suas casas, e as festinhas não tinham hora para acabar. Os vizinhos reclamavam do “barulho”, então a solução era continuar cantando, mas bem baixinho, “um cantinho, um violão”...

As canções tinham como marca a celebração pela vida, justamente para ir contra ao período baixo-astral do samba-canção, como “Folha Morta” (Sei que falam de mim, sei que zombam de mim, oh Deus, como sou infeliz), ou em “Ninguém me ama” (Ninguém me ama, ninguém me quer/ Ninguém me chama de meu amor/ A vida passa, e eu sem ninguém/ E quem me abraça não me quer bem).

Então, nada melhor que cantar “Chega de saudade”, “É melhor ser alegre que ser triste/ Alegria é melhor coisa que existe/ é assim como a luz no coração”; “A felicidade é como uma gota de orvalho, numa pétala de flor/ Brilha tranqüila/Depois de leve oscila/E cai como uma lágrima de amor”; “O barquinho vai, a tardinha cai”, e por aí vai...

E tudo começou com Tom e Vinícius...

A história deles começou quando Tom foi apresentado a Vinícius – um conhecido poeta – em um bar chamado Villarino. O ano era 1956 e Vinícius, que já tinha ouvido falar muito sobre o jovem músico através de seu cunhado, o jornalista e boa praça Ronaldo Bôscoli, resolveu convidar Tom para musicar Orfeu da Conceição – um grande musical da época.

A partir daí, nascia um casamento perfeito entre dois homens que se completavam: letra de Vinícius, música de Jobim. E é nesse clima que o musical narra a trajetória desses dois artistas, no auge de suas carreiras, começando em 1956 até meados de 1960, quando Garota de Ipanema já era gravada em inglês, francês, espanhol e até japonês. A montagem passa por momentos únicos da dupla, quando por exemplo Tom e Vinícius convidaram a então cantora popular da rádio Elizeth Cardoso para gravar as letras que enfim popularizaram-se com o disco “Canção do Amor Demais”, não antes da também gravação histórica de “Chega de Saudade” com a batida marcante de João Gilberto.

Vinícius é encarnado em Thelmo Fernandes, ator desconhecido que peca um pouco em sua interpretação um tanto caricatural do poetinha, já Tom é muito bem vivido pelo ator completo Marcelo Serrado, que não só esbanja um senso de humor, até então desconhecido do músico, como mostra um talento estrondoso, tocando piano e violão ao vivo. Não menos merecido, segue o elenco de atores/cantores que transmitem um encantamento afinado e refinado, apresentando diversas canções da dupla.

O público é instigado o tempo todo a participar, pois é quase impossível não se emocionar com os versos de amor inconfundíveis de Vinícius, casados com as melodias suaves e românticas de Tom. Das minhas prediletas, estavam: Modinha, Lamento no Morro, Eu sei que vou te amar, Chega de Saudade, Por causa de você, Insensatez, e Eu não existo sem você (letra completa no final).

Um detalhe interessante: para quem assistiu ao documentário Vinícius, de Miguel Faria Jr, irá identificar várias passagens do filme durante a peça. Achei interessante isso, porque no documentário, aparecem justamente momentos marcantes, diálogos e histórias engraçadas que contam um pouco quem foram esses dois grandes personagens. Isso demonstra também o cuidado dos autores, Daniela Pereira de Carvalho e Eucanaã Ferraz, em transformar essas passagens relatadas em depoimentos ou vídeos da época em dramaturgia.

Enfim, para quem viveu essa época, ou para os amantes da bossa nova como eu, este é um programa imperdível!

(foto de divulgação: Vani Toledo)

Eu não existo sem você


Eu sei e você sabe, já que a vida quis assim

Que nada nesse mundo levará você de mim

Eu sei e você sabe que a distância não existe

Que todo grande amor

Só é bem grande se for triste

Por isso, meu amor

Não tenha medo de sofrer

Que todos os caminhos me encaminham pra você



Assim como o oceano

Só é belo com luar

Assim como a canção

Só tem razão se se cantar

Assim como uma nuvem

Só acontece se chover

Assim como o poeta

Só é grande se sofrer

Assim como viver

Sem ter amor não é viver

Não há você sem mim

E eu não existo sem você

14 de abril de 2009

Segue sua estrada

Se há sol, há praia!
E não adianta vir com sua preguiça chata.
Dessa vez não vou deixar você me prender.

Quero buscar minha praia,
Quero fugir do caos urbano
Vou pegar minha estrada

Quero azul claro do céu
Transfigurado com o escuro do mar
Quero o pouco do verde que resta na encosta
E desalinha o caminho das pedras.

Quero um refúgio estranho
Onde as pessoas andam nuas
Porque precisam da natureza crua.
Onde o mar é revolto
E carrega os pertences alheios.

Vou atrás dessa praia, que está logo ali.
Ali, além, muito depois do seu mundo materialista!
Milhas distantes dos seus shoppings super lotados.
Dos engarrafamentos sufocantes.

Quero um sábado de luz, cor, vento, maresia
Quero um Rio de sol a pino.
Onde é possível ver caranguejo brotando da areia.
Espuma de ressaca e ondas de assustar.



- fotos de Prainha e Grumari, RJ -

13 de abril de 2009

Para que facilitar, se podemos complicar?

- Olá, o que posso ajudar?
- Oi, eu quero dois sundaes, por favor. Mas como eu não gosto muito de castanha e ela não gosta de cobertura, eu queria que você colocasse duas vezes castanha em um sundae, e duas vezes cobertura no outro, tudo bem?
- Desculpe, senhor, mas isso não é possível.
- Mas por quê?
- Não temos permissão para isso, senhor.
- Desculpa, mas eu não vejo nenhum problema nisso. Veja bem, ao invés de você colocar dois sundaes completos, eu só peço que tire a castanha de um e coloque no outro, assim como a cobertura deste outro no primeiro... algum problema nisso?
- Desculpe, senhor, mas cada sundae só dá direito a uma cobertura e uma quantidade certa de castanhas.
- Eu sei, minha querida! Mas eu paguei por dois sundaes, e se eu não gosto de castanha mas paguei por ela, você por favor coloque a minha parte da castanha no sorvete dela. Assim como a cobertura dela no meu sorvete! Qual a parte que você ainda não entendeu?
- Senhor, infelizmente não podemos mudar o procedimento de nosso serviço. Então, não é possível modificar o nosso produto final.
- Então eu quero falar com o gerente, por gentileza.

- Olá, o que posso ajudar?

8 de abril de 2009

Um pouco sobre BBB

Vou ser breve, porque sei que muitos já vão escrever sobre isso mesmo...
Confesso que me surpreendi com esta edição do BBB. Desta vez, eles fizeram um programa para superar as expectativas do público, cansado de ver gente vazia, festinhas, brigas, futilidades enfim. Colocaram os integrantes em situações bizarras que testaram o limite do ser humano – tendo como exemplo máximo o tal quarto branco. Todos sabiam que estavam fazendo parte de um jogo quase injusto, com gente nova entrando, com divisão da casa em lado A e B, com paredões surpresas e por aí vai.

Depois de nove edições, não dá mais para ficar discutindo se é um programa fútil ou não. Não adianta, todo ano as pessoas dizem que não vão assistir (como eu!), mas acabam acompanhando. O lema do programa acaba sendo “falem mal, mas falem de mim”, porque no final, todo mundo comenta mesmo.

Talvez desta vez o público tenha escolhido para ser o grande ganhador o verdadeiro jogador de todas as edições. Max foi determinado do início ao fim. Jogou de cara limpa e não escondeu isso. Foi inteligente e soube ter carisma ao mesmo tempo. Não colocava fé nele no início, principalmente porque tinha lido uma entrevista, em que ele demonstrava ser uma pessoa arrogante, prepotente, cheia de si.

Realmente Max mostrou segurança. Mas também mostrou um lado sensível, de alguém que se envolve com as pessoas, acredita na amizade, acredita que o jogo deve ser jogado e, portanto, não se abalou todas as vezes que foi emparedado. Saiu ileso das pressões que um BBB é capaz de provocar em um aspirante a famoso.

Talento ele tem para continuar sendo o artista plástico que já era, antes de entrar na casa. Talvez agora só com mais oportunidade de ter seu reconhecimento pelo mercado.

Mais uma vez, o grande barato do programa foi o trabalho de edição do início ao fim. Para quem conhece esse meio, é uma aula de dinamismo, de praticidade e criatividade e superação.

Especula-se que a edição 10 do BBB seja especial, com a participação exclusiva de artistas. Seria um “Casa dos Artistas”? Será que a Globo vai dar esse gostinho para o Silvio?

7 de abril de 2009

Dia do Jornalista


Não querendo ser clichê, mas dia do jornalista é que não falta! Isso é sério! Teoricamente hoje é comemorado o Dia do Jornalista, mas reza a lenda que dia 29 de janeiro também, assim como 16 de fevereiro, 3 de maio, 1º de junho... (leia mais sobre o porquê de tanto dia na matéria).


Certamente esta é uma profissão que desperta diversas reações nas pessoas em geral, isso porque ela carrega um grande paradoxo: se por um lado, alguns a definem como o “quarto poder” (depois do executivo, legislativo e judiciário), sendo de grande importância na formação da opinião pública de uma sociedade; por outro lado ela é encarada como o monstro perverso e sensacionalista, que pode denegrir a imagem de qualquer um que vai contra os seus interesses (traduzindo, os interesses dos “donos” da comunicação).

No fundo, a ideia que se passa é “falem mal, mas falem de mim”. Afinal, ela está presente todos os dias em sua casa, através dos jornais, das revistas, do rádio, da televisão, da internet e outros meios de comunicação. Estar antenado ao que acontece desde o seu bairro até do outro lado do planeta, de certa forma depende exclusivamente do jornalismo.

Muitos criticam o profissional de jornalismo porque acreditam que eles “burlam”, “interferem”, “manipulam” qualquer tipo de informação, faltando com a verdade. É claro que não existe verdade absoluta, e tudo depende da visão de quem informa. E isso não é uma característica própria de um jornalista. Isso é do ser humano.

Se você escuta uma história de alguém ou passa por uma situação, automaticamente você passará a sua versão sobre o fato. Se esta versão é verdade ou mentira, só quem passou pela mesma situação dirá (ou também terá a sua própria percepção).

Mas há uma grande diferença do bom e do mau jornalismo. Hoje, nos deparamos com profissionais despreocupados com a ética e o bom senso. Infelizmente, o sensacionalismo vende, porque o público compra isso. Porém, isso não quer dizer que só consumamos lixo. Há muitos profissionais sérios no mercado sim, só precisamos reconhecê-los.

O que falta na sociedade é senso crítico para distinguir o bom do mau comunicador. Nem sempre o jornal mais vendido é o mais confiável. Nem toda revista que se diz com “credibilidade” no mercado é confiável. Antes de acreditar na verdade absoluta de uma matéria, seja ela escrita por um colunista renomado ou por um jornalista comum de redação, devemos ter senso crítico, analisar e observar que contexto aquele texto está sendo escrito, para quem está sendo escrito e, principalmente, por que está sendo escrito.

É justamente isso que aprendemos em uma boa faculdade de jornalismo! Antes de saber escrever, de informar, de praticar o jornalismo, aprendemos a importância dessa profissão na construção de um pensamento, de uma ideia, de uma opinião. Ser crítico é buscar sempre o equilíbrio nas múltiplas verdades disponíveis ao nosso redor. Buscar ser ético sempre, procurar informar aquilo que realmente tem interesse público, priorizar a neutralidade, mesmo sendo impossível não transparecer seu ponto de vista. Escutar não só uma versão, mas duas, três, ou quantas forem necessárias para que não haja favoritismo.

Jornalismo é uma prática diária sim, mas não é um mecanismo robótico. Não existe receita de bolo para isso. Cada dia, devemos refletir o porquê de uma notícia divulgada. Quais os impactos dela na sociedade, no progresso de uma nação... pode parecer filosofia barata, mas não é. Basta lembrar quantas vezes o nosso país parou por conta de denúncias publicadas nos jornais.

Talvez seja uma profissão ingrata, pois põe a cara a tapa o tempo todo. Seus erros são muito mais percebidos que os acertos, porque mexem com a vida das pessoas.

É comum escutar: “jornalista se acha entendido de tudo, mas na verdade não entende nada. Escreve sobre todas as áreas, sem fundamento, sem estudo, sem conteúdo”. Sobre isso, lembro-me de um professor que dizia: “o bom jornalista não é aquele que sabe tudo, mas aquele que conhece alguém que sabe”. Seu papel, portanto, é democratizar o conteúdo específico, divulgando para grande massa.

No fundo, o grande barato dessa profissão é sua gama de experiências. Ser jornalista é conhecer lugares, vivenciar histórias, absorver conteúdo, aprender com a experiência alheia e, principalmente, conhecer pessoas, desde o Seu Zé até o presidente da República!