4 de março de 2013

O peso da idade


Vivemos a era da longevidade. A expectativa de vida aumentou consideravelmente de umas décadas para cá. Se antigamente uma pessoa era considerada idosa a partir dos 60 anos, porque já não apresentava tanta disposição, hoje a realidade é outra. Por conta disso, a população vem envelhecendo bem, de forma saudável (em sua maioria). Tudo isso é muito positivo e prazeroso.

Ao mesmo tempo que encaramos isso com bons olhos e achamos que os “novos” idosos são mais independentes e ativos, por outro lado não enxergamos da mesma maneira as deficiências e dificuldades peculiares da idade avançada.

Quem tem parentes idosos em casa, ou pelo menos convive intensamente com eles, demora um pouco a perceber pequenas mudanças no dia a dia. Aquilo que é comum para nós, julgamos ser comum para eles também, quando na verdade não é. Com o tempo, eles perdem o ritmo do caminhar, o tempo para atividades domésticas, como levantar da cama, tomar banho, fazer as refeições. O tempo de raciocínio também é outro, o que aos poucos vai se tornando mais lento, além da falta de atenção e cuidado com objetos, os problemas de audição, visão e locomoção etc.

O tempo deles é outro e infelizmente nós, que somos jovens, temos pressa para tudo, corremos contra o relógio e raciocinamos rápido, não percebemos essa mudança porque nos acostumamos com essa rapidez. Quando éramos crianças, eram eles que nos apressavam para tomar banho, para comer rápido, para não perder a hora da escola, para fazer logo o dever de casa, para prestar mais atenção nos estudos. E agora, são eles que merecem nossa atenção, nossa paciência... Paciência: virtude que deveria ser regra, não exceção.

Sem querer, acabamos sendo grossos nas respostas ríspidas, nos suspiros de impaciência, na bronca pela demora. Mal damos conta das nossas atitudes e como essas prejudicam e entristecem essas pessoas que um dia foram tão fortes, enérgicas, altivas.

Eles se sentem fracos, de corpo e de alma. Acabam se calando, pois se sentem impotentes diante da juventude mal criada, impetuosa, intolerante, impaciente. Mal sabem esses que o caminho é o mesmo. A velhice é uma questão de tempo, e as deficiências aparecerão da mesma forma.

2 comentários:

Mário Cesar quatromd disse...

É verdade meu filho, hoje não temos mais a disposição de ontem, mas lutamos contra isso, não que desejamos ser igual a vocês, mas achamos que ainda podemos, forçamos o nosso corpo, que certas ocasiões não respondem o que o cérebro manda os outros órgãos a executar uma tarefa simples, que julgamos ainda podermos fazê-la. O resultado é no dia seguinte, os músculos cansados enviam ao cérebro o resultado de esforço exagerado, fora do normal, e vem à prostração, a fadiga, a dor muscular e mental. Eu nos meus 63 anos, ainda me sinto um garoto, para certos serviços manuais e mentais, mas já sinto que não tenho mais 20 anos, tenho necessidade de dormir umas 6 horas, fico muito cansado quando ultrapasso às 8 horas diárias de trabalho, que você sabe que é fatigante enfrentar um trânsito esse tempo todo, ficar sem descanso semanal e anual durante muito tempo. Por esse motivo resolvi tirar umas férias, temporária ou definitiva, porque já tenho condições de pelo menos dar um tempo no meu trabalho. A autonomia de um táxi me proporciona essa facilidade de ganhar sem trabalhar, entregando essa tarefa para uma pessoa mais nova e de responsabilidade, que me pague seguramente um salário fixo sem estresses. Estava eu sem tirar férias desde 2008, realmente precisava de um descanso. Um beijo do seu garotão velho pai.

Anônimo disse...

Belo texto!