2 de junho de 2016

Mais que 21k



Correr uma prova de meia maratona exige mais que esforço e dedicação. Quando escolhi correr a meia, sabia que seria um processo a ser encarado com muita força de vontade. Afinal, não são apenas 21 quilômetros de corrida. São alguns finais de semanas acordando cedo para correr. É uma reeducação alimentar necessária para corrigir os erros e abusos da dieta. É abrir mão de às vezes sair com os amigos para beber. É encarar a malhação como se fosse uma fisioterapia para que seus joelhos suportem tanto esforço concentrado.

Há três anos, fiz uma cirurgia de emergência no joelho esquerdo. Foi um longo processo de recuperação, que cheguei a pensar que não seria possível voltar às condições normais físicas para praticar esportes, como a corrida. Em 2014, aos poucos, fui experimentando as primeiras corridas, sempre buscando melhorar o desempenho, não em tempo, mas em distância. E assim consegui passar de apenas 2km para 4, 6, 8 até chegar aos 10km. Na época, cheguei a completar uma prova de 16k, o que já me deixou satisfeito. No mesmo ano, cogitei em me inscrever em uma meia maratona. Mas como teria uma viagem de férias que me exigiria bom condicionamento físico, fiquei com medo de forçar e, talvez, me prejudicar durante a viagem.

O ano de 2015, confesso que dei uma boa relaxada, e pouco me esforcei para seguir um ritmo de treino. Fiz apenas uma prova durante todo o ano, e o resultado não poderia ter sido pior. Fechei o ano com 6 quilos a mais que meu peso anterior, sem condicionamento físico para voltar a correr.
Mas o ano de 2016 iniciou já com a ideia da Meia Maratona do Rio, com data marcada. O plano era buscar uma ajuda de uma profissional nutricionista para prescrever uma dieta e já começar o planejamento de treinos para prova, com cinco meses pela frente. Ainda em janeiro, procurei uma amiga e nutricionista, que logo preparou uma dieta “radical” para que eu pudesse ver um bom resultado ao longo dos primeiros dois meses. O mais radical mesmo foi cortar totalmente o açúcar, o que para quem é viciado em doces e café foi de fato um sacrifício. Aos poucos, o café foi ficando amargo, mas não menos gostoso. E o que parecia impossível, passou a virar hábito. Café sem açúcar, sem nada. O chocolate passou a ter 70% cacau. Bolos e afins totalmente cortados do cardápio.

O resultado veio de forma gradual, mas prazerosa. As corridas, por sua vez, foram ficando constantes e longas. Os treinos passaram a fazer parte de uma rotina. Segunda, quarta e sexta passaram a ser o dia do fortalecimento muscular. Terça, quinta e finais de semana meus treinos regulares. Buscava deixar para sábado ou domingo as corridas mais longas. Já durante a semana, os treinos de até 8k, ou tiros totalizando 5k.

Não fiz parte de nenhum grupo de corrida, com acompanhamento profissional. Mas tive o apoio de dois amigos que já somam duas maratonas no currículo e, portanto, sabem qual ritmo certo de treinos.  Busquei adaptar meu ritmo e meu tempo para objetivo final: correr 21k com tranquilidade, sem forçar demais o joelho, sem acabar um derrotado no final da prova.

De janeiro até maio, foram cerca de 30 corridas de rua (sem contar os treinos na esteira), alcançando a distância máxima de 18k na última semana (o que não foi ideal, mas ok). Meu tempo nunca foi de um corredor típico, com pace médio de 6:30 min/km.

Finalmente, chegou o tão esperado dia da prova. O desafio foi lançado. A largada foi na Praia da Barra. A prova, incluindo maratona, meia e family run, somava 29 mil participantes, mas a grande maioria foi para tentar a meia maratona. O percurso não poderia ter sido mais especial: começando na praia da Barra (próximo do Pepê), passando pelo Elevado do Joá, São Conrado, Avenida Niemeyer, Praias do Leblon, Ipanema, Copacabana, passando ainda por Botafogo e chegando ao Aterro do Flamengo (sem precisar dar aquela maldita voltinha de retorno). Foram 21 quilômetros em um percurso apaixonante, vendo o esforço de cada um, ouvindo os aplausos e os gritos de quem acompanhava da rua, passando por músicos se apresentando em tendas montadas especialmente para a prova, até alcançar a tão aguardada linha de chegada, cercada de fotógrafos, imprensa, familiares, amigos, pessoas que você nunca viu antes, mas que estavam ali, incentivando por aquela conquista só sua, única, especial.

Não foram apenas 21k, foi uma soma de garra, superação, suor, dor, força, determinação, concentração, cinco meses, 30 treinos, bolhas nos pés, sol na cabeça, treinos intermináveis, dietas, domingos às 6h, ladeiras, esteiras, ciclovias, lagoas, maracanãs, areias, asfaltos, chuvas, ventos... uma medalha e várias recompensas!

A alegria de poder olhar para trás e ver que cada quilômetro valeu a pena.

Quando me perguntam: “e a próxima? Maratona?”.

Confesso que ainda não estou preparado para tanto. 



Um comentário:

Carolina Camisão Moura disse...

É, não está preparado mesmo! Ainda...
Daqui a um ano, estará com certeza!!!!! ;)
#rumoaos42k #marionamaratona2017 #euapoio rs