8 de maio de 2011

As mães de Jú

No aniversário de seis anos, depois de três anos de espera, ela finalmente voltou. Estava decidida levar sua pequena Jú, que havia deixado com sua vizinha quando resolveu abandonar seu lar. Ela só não esperava encontrar Jú sorridente, bonita em seu vestido rodado, comemorando com a nova família seus seis anos. A nova mãe já tinha se preopucado em preparar uma humilde festinha para a mais nova integrante da família de três irmãos.
Todos estavam celebrando os seis anos de Jú e os três de convivência. Triste e desolada, Neusa, a mãe biológica, resolveu ir embora porque percebeu que já havia perdido sua filhinha. A culpa lhe fez voltar depois de tanto tempo para tentar resgatar o passado. Achou que iria reencontrar sua filha triste, saudosa, a sua espera, mesmo depois de três longos e penosos anos. Enganou-se. Neusa, inconsolada, deparou com uma família feliz. O que mais lhe impressionou foi ver sua pequena Jú integrada àquela bela família, que a recebeu como a caçula.
Lídia, a nova mãe, sabia que esse momento poderia acontecer mais cedo ou mais tarde. Na época, Neusa pediu um favor para sua vizinha. “Cuide bem de minha filha, por favor. Preciso encontrar um emprego, uma casa... está difícil viver aqui”. Lídia prontamente recebeu Jú com muito carinho, até sua mãe voltar e buscá-la. Só não sabia que levariam três anos para isso.

A cada ano que passou, Lídia via em Jú uma desesperança de uma mãe que lhe abandonou porque não estava preparada para assumi-la, para ser uma mãe de verdade. Não julgou a falta da vizinha, mas era impossível não se envolver com aquela doce menina. Aos poucos, Jú foi esquecendo sua mãe e enxergou em Lídia sua verdadeira. A mãe que cuidava, que lhe dava carinho, lhe educava, lhe dava o mais importante: o amor materno.
Jú sabia que existia uma mãe no passado, mas seu coração já não tinha dúvidas: sua mãe era Lídia. A criação de Jú, não diferente dos demais filhos, foi ríspida, linha dura. Às vezes, Jú se perguntava se a antiga mãe seria tão dura em certos momentos, mas naquela altura, o que importava? Jú cresceu e, como muitos adolescentes, resolveu enfrentar sua família. Chegou a questionar por que era tão “maltratada” pela mãe? “Será por que você foi obrigada a me adotar? Por que não me devolveu para minha verdadeira mãe?”. Lídia sofria com isso, mas nem por isso deixou de amar sua filha rebelde. A escolha foi feita lá no passado, Jú era sua filha como os outros. Os direitos eram iguais. O amor era o mesmo. Mas a culpa por não ter dado chance a filha escolher entre ela e sua verdadeira mãe lhe fez questionar se agora não era hora de Jú conhecer Neusa.

O encontro foi feito. Jú finalmente, depois de quinze anos, reencontrou sua primeira mãe. O encontro foi estranho. Neusa só se culpava pela ausência mas tentou uma reaproximação, mesmo que de forma tímida. Esse e tantos outros encontros só fez Jú valorizar ainda mais o papel de Lídia em sua vida. Ela foi a mãe que realmente esteve ao seu lado, em todos momentos.
Depois de alguns anos, Neusa adoeceu e, na beira da morte, pediu perdão mais uma vez a sua querida Jú. Seria a última vez que Neusa pedia perdão...

Essa história é baseada em fatos reais. Jú perdoou sua mãe biológica. Mas o perdão veio depois da morte de Neusa.

2 comentários:

ALÔ! ALÔ! disse...

Alô Mario,bom dia!Não sei se Ju pode se considerar sortuda por ter tido duas mães,ou talvez uma e meia.Me compadeço do vazio que Neusa sentia e tenho certeza,mesmo com todas as dificuldades,que Lídia ficou com a melhor fatia do bolo.Todas as mães cometem erros,as vezes querendo acertar,as vezes porque são humanas e as vezes porque filho não vem com manual mas como já disse uma mãe coragem certa vez,¨só as mães são felizes¨.Não existe uma palavra que defina com exatidão o que é ser mãe e me sinto honrada por ter sido escolhida para fazer parte deste clube mágico.Linda história a que vc contou,parabéns.Abraços,Anna Kaum.

Mirys + Guigo + Nina disse...

Uau!

Que texto lindo! Que história impactante!

Eu, como irmã de 3 crianças adotivas, não tenho como não me ligar à sua narrativa... e ficar torcendo para que, se um dia eles tiverem (ou quiserem) escolher, eles escolham a gente!

Bjos e bençãos.
Mirys
www.diariodos3mosqueteiros.blogspot.com