4 de fevereiro de 2009

Nove anos de espera...

Os mosquitos teimavam assombrar o ar da Ilha Universitária. O mesmo ar que trouxe a poeira para o carro. É hoje minha prova de direção. A tensão é inevitável. Passo um batom para relaxar, afinal é preciso ter beleza na condução. Bebo água, compro loção repelente e ajeito no dedo o anel favorito. Superstição? Talvez. Ou então, um TOC disfarçado em tensão pré-habillitação.

O céu insistia na sua cor plúmbea, apesar do bafo pré-carnaval, afinal, estamos em fevereiro! O povo já vai se aglomerando, carros enfileirados, faces transfiguradas pelo medo da reprovação.

Cai uma baliza. Cai a segunda baliza. Este já perdeu a chance. Game Over, fim de linha.

Do outro lado da rua, um sorriso estampado, uma vitória nas mãos! Este é um vencedor das pistas, mesmo com seus 40 quilômetros por hora.

Meio dia, o mormaço acalora, mais um gole d´água. Agora falta muito pouco. Os instrutores parecem rotineiros, operários do Fordismo. Olhos cansados porém atentos aos novatos do trânsito. Entram e saem de carros. São os donos do poder. Devemos respeitá-los, com um sorriso acanhado porém simpático.

Chega minha hora. A porta está aberta. Ajeito o banco, olho os retrovisores, aperto o cinto, abaixo o freio de mão! A sensação é de que irei pilotar um boing. Estou pronta para levantar meu vôo único! Alcançar o céu, a estrada infinita! Nada mais me impede de seguir meu longo caminho! Até que, neste momento, uma voz insiste em me perturbar: “podemos começar”. Como assim? Ainda não saí do lugar? Ok, deixei-me escapar por alguns instantes. A prova vai começar...

(inspirado em momentos de Julinha Linhares)



Um comentário:

Júlia disse...

qui emolçion!!!
thanks darling!!