24 de maio de 2012

Educar seus filhos


Ontem assisti a uma palestra cujo tema era “meus filhos são espíritos”. Independente da crença de cada um, a questão levantada foi justamente como educar os filhos, respeitando a individualidade de cada um e principalmente repassando os valores morais fundamentais para formação do caráter do indivíduo.

Uma coisa é certa: ninguém quer falhar na educação do filho. Mas sabemos que em muitos casos a “ovelha negra da família” é conseqüência de uma educação frouxa, sem limites, ou pior, quando não há um acompanhamento presencial do crescimento do filho. É comum escutar: “não sei onde errei”, ou ainda: “tenho três filhos, dois são ótimos, mas sempre tem um que foge da linha. Como isso é possível se todos receberam a mesma educação?”.

Aí está o problema. Cada um é de um jeito, pensa e se comporta diferente. Educação não existe como uma receita de bolo. Para cada ser humano, é preciso observar seus temperamentos, desde o início. Cada um traz em si uma longa bagagem, de outras vidas mesmo, e inconscientemente suas características são apresentadas nos pequenos gestos. É o caso de irmãos serem às vezes tão diferentes entre si, apesar de conviverem com os mesmos exemplos em casa. Respeitar o ser humano é entender seu comportamento, e tentar consertar os “defeitos” desde criança assim como elogiar as “qualidades” também.

Se antes, a sociedade machista predominava, o que significava separar as funções dentro do seio familiar – o homem provia o sustento do lar, enquanto a mulher educava a prole; hoje não há papeis bem definidos entre pai e mãe. Ambos passaram a participar mais da educação dos filhos, assim como são os responsáveis pelo sustento e conforto da família.

Mesmo diante dessa mudança, outro fator vem proporcionando transformações significativas na educação dentro de casa. A internet é hoje o grande “bicho papão” para os pais. Controlar o acesso nem sempre garante que o filho estará resguardado, preservado de todas as tolices presentes nela. Censura dentro de casa pode gerar curiosidade ainda maior, principalmente quando se ultrapassa a porta.

Em texto publicado em seu blog, Artur Xexéo cita uma crítica ferrenha do escritor Ziraldo à internet e complementa com seus comentários: “Zilraldo acertou em cheio ao criticar a idiotice que reina no mundo virtual. A internet tornou-se mesmo palco para canalhas e invejosos. Protegida, muitas vezes, pelo anonimato, essa turma ocupa o espaço de comentários nos blogs, usa a rapidez de se soltar um pitaco no Twitter, aproveita-se da força viral de um e-mail para emitir pensamentos pouco elaborados e, na maioria das vezes, agressivos, inconsistentes, precipitados, raivosos... resumindo, cheios de canalhice e inveja. (...) Esta liberdade vem revelando um caráter da Humanidade que era escondido pelos meios anteriores à revolução digital”.

Moral da história: a responsabilidade dos pais se tornou ainda maior diante das inúmeras oportunidades criadas não só pela internet, mas todas as ferramentas acopladas ao mundo virtual, como Ipads, celulares, laptops etc. O desafio é encontrar o equilíbrio entre o que é permitido e saudável e o que deve ser controlado e limitado. A base está nos princípios passados ainda pequenos. Não há proteção que se impeça a curiosidade e o acesso a esse mundo múltiplo. Se os próprios adultos são seduzidos diariamente, o que dirá o jovem em formação?

22 de maio de 2012

Todos somos Cartier-Bresson


O olhar para fotografia é algo fascinante, mesmo para quem não tem talento para isso. Mais uma vez, a tecnologia trouxe para os dias atuais uma popularização dessa arte, se isso ainda é possível dizer.

Ficou fácil fazer uma boa foto, principalmente quando se tem múltiplos filtros para tornar a imagem em uma obra de arte. A febre do aplicativo Instagram está aí para comprovar que fotografia virou vício para os usuários de smartphone. Tudo pode virar foto. O cotidiano é fotografado praticamente 24 horas por dia e pessoas estão ainda mais conectadas através do gosto por essa arte.

Fotografar passou a ser um exercício diário com direito a tarefas! Nesse aplicativo, é possível participar ainda do “Instarefa” que propõe semanalmente as tarefas para os usuários do aplicativo, como #instarefa_pelasruas e #instarefa_janelaseportas

Quando não havia esse aplicativo disponível para o sistema android, eu usava os genéricos, como Lightbox e Mytubo. São muitos aplicativos de fotos atualmente, com múltiplos filtros interessantes. Mas o Instagram é de longe o mais popular. E o mais interessante é que todo mundo se sente um pouco um Cartier-Bresson, tentando registrar momentos únicos, com um olhar diferenciado.

Por enquanto, estou curtindo e, como eu moro nessa cidade, não é difícil encontrar bons cenários para uma foto artística. Já criei meu hashtag #cariocainrio 





10 de maio de 2012

Vida escolar

Ainda não tenho filho, mas acompanhando o crescimento de filhos de alguns amigos e colegas, vejo como a questão da educação hoje vem mudando, principalmente dentro de casa. Apesar de ser batido, esse assunto gera várias discussões, sobretudo quando se compara a forma que nossos pais nos educaram e como é o comum hoje.

A primeira grande diferença está no diálogo. Hoje, os pedagogos, psicólogos, educadores e outros especialistas afirmam que a base da boa educação está no diálogo entre pais e filhos. Certamente, o diálogo é fundamental, mas, no caso da minha geração, isso não bastava para corrigir. Disciplina, respeito, limite e educação eram impostos de diversas maneiras incluindo o diálogo. A bronca na hora certa, o castigo bem dado e até as palmadas necessárias quando chegava-se ao limite, tudo isso funcionava... e não criou traumas.

A cobrança na escola também era maior. No meu colégio, pelo menos, a média era sete e não havia tantos trabalhos, testes, provas para ajudar o aluno no final do ano letivo. Já hoje, com algumas exceções, parece que o normal é facilitar a vida escolar do aluno. São tantas oportunidades criadas para que o aluno consiga boas notas que é quase impossível reprovar. Diante de tanta facilidade, a formação desse aluno acaba sendo precária. Se esse aluno quiser passar para uma faculdade pública, vai correr atrás do prejuízo no fatídico ano do vestibular. Caso contrário, continua com a vida tranquila numa particular.

Recebi esse texto que representa bem a transformação do ensino nas escolas:

1. Ensino de matemática em 1950:
Um lenhador vende um carro de lenha por R$100,00. O custo de produção é
igual a 4/5 do preço de venda. Qual é o lucro?



2. Ensino de matemática em 1970:
Um lenhador vende um carro de lenha por R$100,00. O custo de produção é igual a 4/5 do preço de venda ou R$80,00.
Qual é o lucro?





3. Ensino de matemática em 1980:
Um lenhador vende um carro de lenha por R$100,00. O custo de produção é R$80,00.
Qual é o lucro?


4. Ensino de matemática em 1990:
Um lenhador vende um carro de lenha por R$100,00. O custo de produção é R$80,00.
Escolha a resposta certa, que indica o  lucro:
( )R$ 20,00 ( )R$40,00 ( )R$60,00  ( )R$80,00 ( )R$100,00


5. Ensino de matemática em 2000:
Um lenhador vende um carro de lenha por R$100,00. O custo  de produção é R$80,00.
O lucro é de R$20,00.
Está certo?
( ) SIM  ( )NÃO


6. Ensino de matemática em 2010:
Um lenhador vende um carro de lenha por R$100,00. O custo de produção é R$80,00.
Se você souber ler coloque um X no R$20,00.
( )R$ 20,00  ( )R$40,00 ( )R$60,00 ( )R$80,00 ( )R$100,00


Em um futuro não muito distante, será assim:
Um lenhador vende um  carro de lenha por R$100,00. O custo de produção é R$ 80,00.
Se você souber ler coloque um X no R$20,00.
(Se você é afro descendente, especial, indígena ou de qualquer outra
minoria social não precisa responder)
( )R$ 20,00  ( )R$40,00 ( )R$60,00 ( )R$80,00 ( )R$100,00

4 de maio de 2012

Dona Rosa e seu paletó de madeira


Triste manhã de domingo aquela para família de Sr. Lorival. Depois de passar algumas semanas entre a vida e a morte no leito de hospital, finalmente sua alma passou para o outro lado, deixando amigos e familiares desolados. Dona Vitória estava inconformada com a partida de seu esposo, assim como seu filho Inácio que tinha no pai um exemplo de hombridade. Ali, na torturante sala de espera daquele hospital sombrio, estavam todos lamentando a partida do patriarca, até seu filho caçula Alberto, que aparentava uma breve embriaguez, como de costume.

Depois da lástima notícia dada pelo médico de plantão, um funcionário da santa casa, responsável pelo necrotério daquele insalubre hospital, vestindo um surrado jaleco acinzentado, veio até a inconformada sala de espera comunicar aos presentes a necessidade de reconhecer o corpo antes da sua liberação. O primogênito encontrava-se tão arrasado, que não teve discernimento para compreender o recado do funesto funcionário. Restou ao coitado Alberto, que ainda inebriado, não se absteve da penosa responsabilidade.

Ao acompanhar o moribundo funcionário em um tenebroso corredor obscuro, Alberto foi sentindo um calafrio horripilante, algo que o lembrava de seu pavor por cadáveres desde a infância. Por um segundo, a sobriedade súbita lhe trouxe um arrependimento pela impensada atitude tomada, ainda na longínqua sala de espera. Mas já era tarde, e aquele cinzento funcionário se encaminhava ao macabro necrotério.

Quando Alberto adentrou a gélida sala branca, encontravam-se ali apenas dois corpos com invólucros panos brancos desbotados. O mecânico funcionário do hospital se dirigiu ao leito esquerdo e, em um hábil movimento, levantou parte da coberta para o rápido reconhecimento. Para acabar logo com aquela torturante tarefa, Alberto, com um olho entreaberto e o outro cerrado, reconheceu agilmente o velho corpo de seu saudoso pai. Tarefa cumprida, Alberto suspirou o ar dos angustiados e voltou em dois tempos para aliviada sala de espera.

Já na pequena capela, amigos e parentes consolavam a inexpressiva viúva, entorpecida por calmantes e chás relaxantes. Outros se debruçavam sobre o caixão, inconformados com a estranha aparência do defunto. Por causa da maldita doença, o inchaço no rosto de Sr. Lorival despertava reações diversas dos presentes. Uns lamentavam a terrível doença, outros questionavam a falta da peculiar pinta de Sr. Lorival no canto esquerdo do pescoço, já outros, tão desolados, nem reparavam as mudanças corporais do recém falecido.

Avançadas horas do interminável velório, dois rapazes entraram apressadamente na singela capela com ares pouco amigáveis. Poucos se atentaram pela presença dos desconhecidos, quando um deles se aproximou do caixão e gritou: “essa aqui é minha mãe!”. Ainda desatentos, alguns se entreolharam espantados com tal afirmação, já outros estranharam tamanha ousadia da invasão seguida de acusação daquele homem.

O outro ainda esbravejou: “vocês roubaram a minha mãe! É ela que está aqui”, apontando para o pobre defunto florido no caixão. Desta vez, o primogênito reagiu, inconformado com tamanha petulância do insultuoso rapaz. “Quem é você para dizer um absurdo desse? Este aqui é meu pai! Não basta estarmos passando por esse momento difícil, você ainda invade o velório desrespeitando a nossa dor e caluniando meu querido pai...”.

O rapaz ainda inconformado retrucou: “Eu estava no hospital procurando o corpo da minha saudosa mãezinha, quando me avisaram que já tinham levado para enterrar. Deixaram o corpo de um velho lá e trouxeram o da minha mãe...”, seu irmão completou: “alguém de vocês reconheceu errado o corpo e trouxe nossa mãe para cá. Eu exijo que retirem o corpo dela desse caixão”. Nesse instante, todos perplexos focaram seus olhares ao único responsável por tamanho absurdo. Mas diante do sumiço de Alberto, todos se perguntaram: “onde está esse bêbado desgraçado?”.

Agora sim estava explicado o sumiço da inesquecível pinta de Sr. Lorival.  Nem a pinta nem Sr. Lorival se encontravam naquele pequeno caixão. A única coisa que pertencia ao falecido era o impecável terno cinza chumbo bizarramente vestido na Dona Rosa, mãe dos alterados rapazes. A questão agora era saber como trocar a roupa da falecida, uma vez que a pobre criatura já se encontrava dura como uma rocha da era paleozóica. Os filhos estavam decididos a retirar todo aparato florido e trocar o elegante terno cinza chumbado pelo deslumbrante vestido florido, especialmente preparado para vestir Dona Rosa em sua despedida. A essa altura, os presentes não conseguiam disfarçar as risadas contidas durante o tumultuado velório.

Inácio, traumatizado, queria terminar logo com a confusão instaurada pelo seu atrapalhado irmão caçula. “Vamos fazer o seguinte: leva esse caixão do jeito que está, e me entreguem o tal vestido da sua saudosa mãe. Vamos enterrar nosso pai com o vestido mesmo e não se fala mais disso. No final, vai tudo para baixo da terra mesmo, pelo menos os dois não vão ser enterrados despidos”.

Enfurecido, um dos rapazes se sentiu afrontado e partiu para ignorância: “Então você acha que eu vou enterrar minha mãezinha vestida de homem? Se você não se importa em embonecar seu pai, que não tem nem o direito de se defender agora, o problema é seu, mas eu não vou permitir um absurdo desse”!

Diante do impasse, os filhos de ambos os defuntos resolveram entrar num acordo. Rasgaram o ilustre terno cinza e improvisaram Dona Rosa com um estampado pano florido em um vestido estilo “tomara que caia”, super adequado para ocasião. Já Sr. Lorival, com sua inseparável pinta, recebeu um outro terno, azul celeste, bem mais apropriado para inusitada despedida.

Caro leitor deve estar se perguntando: “afinal, onde estava Alberto?”

Desnorteado, o bêbado fugiu e, entre um tropeço e outro, saiu perambulando pelas catacumbas no cemitério.


crônica baseada em fatos reais

30 de abril de 2012

“Somos veneno e antídoto”, quando o branco se depara com o índio


Parece incrível pensar que, em pleno século XX, existiam terras brasileiras ainda desconhecidas pelos brancos e onde os índios eram soberanos. O filme Xingu, do diretor Cao Hamburger, resgatou uma história pouco conhecida pela grande maioria dos brasileiros sobre a criação do importante Parque Nacional do Xingu, responsável pela preservação da cultura indígena do nosso país. O mérito desse grande e fundamental feito é exclusivo de três irmãos: Orlando, Cláudio e Leonardo, os irmãos Villas-Bôas.

Na década de 1940, os três jovens decidiram se aventurar na Expedição Rocandor-Xingu, promovida pelo governo brasileiro, com intuito de desbravar e reconhecer (demarcar) as terras do centro-oeste até então desconhecidas. Os irmãos se passaram por peões analfabetos para se misturarem aos homens que se alistaram em busca de trabalho. Mas ao contrário desses, Villas-Bôas tinham formação e dinheiro, portanto, o objetivo daquela aventura era outro. O que eles vivenciaram proporcionou uma experiência que mudou a vida dos três e dos povos indígenas brasileiros.


A “Marcha para o Oeste” trouxe a descoberta de povos até então isolados e, portanto, sem nenhum contato com a cultura branca. Sensíveis às causas indígenas e preocupados com o rumo da política nacional, os três irmãos, juntos, lutaram pela preservação da cultura indígena. Com muita articulação e importante influência aos poderosos da época, eles conseguiram estabelecer uma extensa área nativa para isolar os índios dos brancos. Essa era a única maneira que eles enxergavam para preservar os índios de forma efetiva. Cláudio, o irmão mais idealista, tinha consciência da ameaça do branco e afirmava: “Nós somos o antídoto e o veneno”.

Os brancos levavam o “progresso” ao mesmo tempo que transmitiam suas doenças. Muitos índios morreram pelo simples contato com o branco. E por isso, Claudio e seus irmãos lutavam para defender em todas as instâncias a causa indígena. Não só se estabeleceram nas tribos, como levaram médicos e enfermeiras para cuidarem dos doentes. Vacinaram os índios contra as doenças dos brancos.

Com a criação do Parque Nacional do Xingu, eles venceram uma batalha contra uma nação preconceituosa e indiferente. Na cena em que o irmão Orlando propõe o nome do que chamaria o novo parque, o ministro sem titubear afirma: “é melhor tirar  ´indígena´ de ´Parque Indígena do Xingu´, afinal, brasileiro não gosta de índios”.

Talvez a beleza desse filme está justamente em retratar por outra ótica a questão indígena no nosso país. Historicamente, não fomos educados para “aceitar” com naturalidade o espaço dos índios. Achamos que o progresso deve chegar para todos, inclusive para eles, mesmo sem saber se é isso que eles querem. A cultura dos brancos é invasiva, sempre foi. E o mais incrível é que o discurso “devemos respeitar a cultura dos índios” fica só na teoria. Quando o branco percebe o quanto está perdendo dinheiro com tanta terra produtiva mas inacessível, por conta dos índios, toda essa filosofia cai por terra, e todo mundo quer se dar bem. E foi exatamente isso que os irmãos Villas-Bôas lutaram a vida inteira. Lutaram contra os poderosos do governo, lutaram contra os militares e lutaram contra os empresários.

Cao Hamburger fez um filme extremamente sensível, sem piegas, sem sensacionalismo. Um filme que tem uma história bonita, com um final feliz, mas que sabemos que é parte de um todo. Todos os dias, assistimos nos noticiários a luta eterna dos índios por suas terras. O sensacionalismo do jornalismo diário ainda insiste em mostrar o índio como um “atrasado culturalmente”, um “anti-progressista”, um “invasor de terras alheias”. Portanto, a realidade

11 de abril de 2012

Paraty, Paratodos



Um lugar que respira história e revela surpresas naturais, assim é Paraty, a 245 km do Rio de Janeiro. Depois de conhecer Trindade, um pouco depois de Paraty, viajei para cidade histórica no feriado e desta vez pude conhecer alguns lugares fantásticos de lá.


Já havia passado por Paraty, mas nunca tinha ficado mais que um dia. E sempre me disseram: “o melhor de Paraty são as praias mais distantes”. De fato, quem visita a cidade, tem que fazer o passeio de barco pelas ilhas e praias desertas. O passeio dura cerca de cinco horas, com saídas do porto às 10h da manhã. A bordo da escuna “Príncipe dos mares”, conhecemos Ilha Comprida, Praia Saco da Velha, Lagoa Azul, Praia Vermelha. Em todas as paradas, o mergulho com snorkel é essencial, para quem gosta de mergulhar e ver as belezas marinhas, com grande variedade de peixes e corais. Em Ilha Comprida, a primeira parada, se o tempo estiver bom, com sol e céu claro, a água transparente facilita o mergulho. Mas vale lembrar que o tempo por lá é bem típico: durante o dia, um sol imponente, mas depois o tempo costuma mudar.

Assim como Trindade, Paraty também tem opções de ótimas cachoeiras, com piscinas naturais e trilhas fáceis e convidativas. Do outro lado da cidade, pegando a estrada em direção à Cunha, ficam o Poço da Pedra Comprida e a Cachoeira do Tobogã, como próprio nome já diz, é uma grande pedra lisa usada como escorregador terminando numa piscina natural.

Existem ainda as praias próximas ao centro, incluindo uma que passou a ser famosa pela lama acumulada no fundo. No carnaval, as pessoas se lambuzam com a tal lama e saem pelas ruas do centro histórico formando um bloco. Eu me aventurei andando no mar até não agüentar o volume de lama nas pernas. A sensação é bem estranha, porque o seu pé vai afundando no fundo do mar com uma lama viscosa. Infelizmente, no meio do caminho havia algo cortante (que não consegui identificar) que acabou cortando meu pé, mas isso faz parte de toda aventura...



Porém o passeio mais tradicional da cidade é de longe o centro histórico, com ruas e calçamentos com pedras irregulares – conhecidos como pé-de-moleque, construídos no século XVIII, graças ao comércio de ouro. As ruas se tornaram patrimônio histórico e por isso são conservadas, impedindo a entrada de veículos. A história está não só nas ruas mas também nas construções coloniais e nas igrejas – Igreja da Matriz (ou Nossa Senhora dos Remédios), Igreja da Santa Rita, Igreja de Nossa Senhora das Dores, e Igreja de Nossa Senhora do Rosário e São Benedito.


Paraty é conhecida também como lugar da cachaça – recentemente oficializada a bebida genuinamente brasileira. Os alambiques são pontos de visitação também, com degustação das melhores cachaças do país. O Armazém da Cachaça, localizado no centro histórico, é uma boa opção de compras dessas especiarias.


Apesar de ser um lugar que vive praticamente do turismo, Paraty ainda tem estrutura de cidade pequena, principalmente em períodos de grande visitação, como férias e feriados. Em três dias por lá, faltou luz todos os dias, às vezes em curto período, outras mais prolongadas. Outro problema comum é o alagamento das ruas mais próximas do porto, quando a maré enche à tarde. Na volta do passeio de escuna, há uma surpresa um tanto desagradável para alguns turistas que depararam com seus carros imersos nas ruas alagadas. 



Mas de um modo geral, a cidade é bem receptiva, com ótimos restaurantes, preços justos e lugares super agradáveis para se conhecer. Percebe-se que grande parte dos turistas não é de brasileiros. Assim como Búzios, outra região praiana do estado que recebe milhares de turistas, Paraty está cheia de gringos encantados com a cultura da cachaça, do artesanato local, das praias paradisíacas e da arquitetura histórica.

10 de abril de 2012

Sobre Roberta Sá, “pra bom entendedor, meia palavra bas...”


Ela está lançando seu quinto álbum – Segunda Pele, mas parece que foi ontem que Roberta Sá começou sua carreira. De fato, foi ontem. A primeira aparição veio no programa Fama, em 2002, mas sua passagem foi esquecida, principalmente por ela. Na biografia em seu site, ela não cita essa participação, quando tinha apenas 21 anos.

Seu primeiro CD foi lançado dois anos depois, em 2004, já com sucesso “A Vizinha do Lado”, de Dorival Caymmi, como tema da novela “Celebridade”. No mesmo álbum, vieram: “Eu sambo mesmo” (Há quem sambe muito bem/ Há quem sambe por gostar/ Há quem sambe por ver os outros sambar), “Casa Pré fabricada” e “Ah, Se eu vou”.

Sua voz suave chama atenção, não só pelo bom repertório como também pela leveza e simplicidade no seu canto. Ela não faz esforço para cantar, muito menos grita (no estilo Ana Carolina). No início de carreira, alguns confundiam sua voz com Marisa Monte, justamente pela semelhança no modo suave de cantar.

Dessa nova geração de cantoras brasileiras, ela certamente se destaca. Já ouvi participação de Roberta Sá em diversas gravações importantes, desde homenagens a ícones de MPB (como Carmem Miranda), até parceria com Ney Matogrosso, MPB4 e Gilberto Gil para abertura de novela. Em seus últimos dois trabalhos, ela vai além do samba carioca, e mistura um pouco de tudo, de coco, maxixe, até maracatu, xote e samba-de-roda. Ela é eclética musicalmente e pode-se dizer que grande influência de suas escolhas profissionais tem a ver com seu parceiro e marido Pedro Luís.

Em “Segunda Pele”, Roberta Sá explora ainda mais os ritmos brasileiros, com arranjos que incluem, pela primeira vez, metais (trombone, trompete e sax), reunindo oito músicos no palco. E no show, Roberta Sá caprichou no figurino colorido, na simpatia e na energia empolgante.

Quando perguntei “qual artista da MPB você gostaria de homenagear em um possível álbum”, Roberta Sá deu dicas de Caetano Veloso, como compositor, mas também citou Elis, Gal e Maria Bethânia como intérpretes que merecem ser homenageadas. “Tenho uma vida para tantas homenagens”, promete a cantora aos seus fãs.

E para quem não entendeu o título, em seu show, Roberta canta “Ta?” de Mariana Aydar, que inicia com esse verso.