7 de abril de 2011

O limite do Bullying


O que faz um homem invadir uma escola e matar várias crianças e depois se suicidar? A questão do bullying é perigosa, assusta e pode chegar ao extremo, como esse caso ocorrido hoje em Realengo, no Rio.

Analisar o comportamento desses assassinos tenta explicar, mas não justificar, o ato bárbaro que essas pessoas cometem. Não é regra, mas vira estatística, observar que a maioria sofreu bullying durante o período escolar, foram renegados, excluídos, debochados, quando não humilhados diante de colegas. As piores conseqüências podem ser essas, quando inocentes pagam com a vida pela violência praticada por outrem. É uma espécie de “vingança” voltar ao cenário onde por muitos anos a “vítima” foi mal-tratada e agora acertar as contas numa situação vantajosa, preparada e articulada com antecedência.

Esses seres infelizes e amargurados de certa forma se incomodam com uma sociedade que vive “feliz” ao seu redor. O que é normal para nós, é revoltante para eles, a ponto de planejar um massacre generalizado. Todos passamos a ser culpados (para eles).

Esses crimes, até então comuns (infelizmente) em países onde a cultura armamentista é mais forte, como nos Estados Unidos, preocupam os governantes e a sociedade em geral porque não têm hora para acontecer, muito menos local. Por maior que seja a segurança em um lugar público, como escolas, igrejas, cinemas etc, o controle de entrada e saída não é tão eficaz e acabam permitindo a entrada de pessoas que planejam com perspicácia seus atos insanos. É trágico e revoltante esse tipo de “violência gratuita”, ainda mais com crianças, adolescentes e adultos indefesos.

Buscar uma explicação para isso é tentar justificar o que é injustificável. Lamentar e tentar ajudar as famílias das vítimas é o mínimo que a sociedade pode tentar fazer. O medo fica porque nunca iremos adivinhar quando um próximo episódio poderá acontecer. Desejamos que realmente seja um caso isolado.

Porém, se tentarmos voltar para questão do bullying praticado nas escolas, talvez seria possível evitar que novos “revoltados” se formem, caso houvesse um programa educacional estruturado para ser desenvolvido e praticado em sala de aula.

O caso recente do americano Casey mostra como ele virou “herói” depois que revidou as agressões que recebia de seus colegas de escola. O Fantástico chegou a fazer uma reportagem (veja aqui) sobre a história do rapper Emicida que sofreu bullying em sua escola, quando era garoto, e depois de anos retornou nela para (ao contrário do acontecido hoje) apagar de sua memória as lembranças tristes. Ele chegou a jogar bola com os garotos da escola como se estivesse voltando no tempo e, desta vez, se via integrado, aceito pela garotada. Todos foram vítimas de bullying, mas as consequências são múltiplas, podendo ou não chegar ao extremo bárbaro.

Veja o caso da Escola de Realengo - matéria

3 comentários:

Ju disse...

Oi querido,
o acontecido de hoje realmente foi muito triste... espero também que seja um fato isolado e um ato desesperado... Engraçado que das coisas que eu li, não vi nada dizendo que foi reação a anos de deboche e isolamento... me manda o link?
beijos, ju

railer disse...

verdade, o modo como cada um lida com situações ruins é que nos define.

ALÔ! ALÔ! disse...

Bom dia Mário!O ato de excluir a diferença e puni-la com violência,o tal do bullying,é revoltante e tem tomado proporções assustadoras mas no caso específico deste rapáz,tal comportamento pode até ter servido para potencializar sua agressividade mas,ao que tudo indica,não foi a causa.Se se confirmarem as suspeitas,ele sofria de uma psicopatia,era esquisofrênico,doença que tem tratamento mas não cura e que normalmente não é fácil de diagnosticar,exeto nos surtos.O esquisofrênico,vive uma realidade descolada da comum,mais cedo ou mais tarde,este rapaz acabaria por protagonizar algum ato inusitado.Claro que isso não diminui em nada a monstruosidade do que aconteceu,nem a necessidade de repensarmos nossas escolhas enquanto sociedade.Que a nossa Dumblane,como a original,também nos sirva de lição.Abraços,Anna Kaum.