15 de outubro de 2007

Do que as mulheres gostam


Esse é o título do filme, estrelado por Mel Gibson, que cai muito bem para o pensamento que vamos desenrolar aqui. Este mês a editora Abril está lançando mais uma revista feminista, ops, feminina (desculpe, mulheres, meninas, adolescentes...). O fato é que, depois de realizar uma pesquisa de mercado, a editora identificou um nicho ainda não explorado. Acho que estou sendo grosseiro ao tratar de nicho um público tão delicado e inteligente. Trata-se de mulheres entre 18 e 28 anos, ou seja, mulheres que já saíram da fase adolescente de ser, mas também não são classificadas como mulheres bem resolvidas, seja no amor, no trabalho, na família etc. (como se houvesse realmente uma mulher assim, mesmo com seus oitenta anos, mas enfim). Portanto, saindo dessas outras faixas etárias, em que revistas já conhecidas (como Capricho, para as mais novinhas, e Marie Claire, Nova, para as mais “experientes”), eis que lançam Gloss! Uma revista que está aberta para novas experiências, dúvidas, descobertas, dicas de beleza, de saúde, de emprego, de homem, ops, errei de novo, de relacionamento (melhor assim) – ou seja, tudo aquilo que uma mulher desta faixa de gaza quer ler na praia, no salão, no ônibus, no táxi, no consultório...

Antes de ser lançada, a editora criou um concurso voltado apenas para mulheres publicitárias (que trabalham em agências) que estivessem encaixadas no público alvo da revista. Para participarem, elas deveriam enviar um vídeo de um minuto apenas, com baixíssima resolução, que contasse de forma livre o que é ser uma “mulher gloss”. O prêmio seria um curso de curta duração (entre as opções de escolha havia um curso sobre moda, por exemplo) em Londres. Uma grande amiga, publicitária, resolveu participar. Depois de contar sobre o concurso, em uma sexta-feira à noite, antes de uma sessão de cinema, eu e mais dois amigos (além da nossa mulher gloss, é claro) nos reunimos numa mesa de bar para discutir como seria o tal vídeo. Várias idéias surgiram, entre elas a de um clipe com várias fotos da nossa protagonista durante sua vida, entre família, amigos etc. (um tanto clichê, como apontou um dos participantes do papo). Vale lembrar aqui que todos somos comunicadores (dois publicitários, uma radialista e um jornalista). A idéia saiu da mesa e, como o tempo era curto, começamos o trabalho logo no dia seguinte, na praia da Urca.

Para encurtar o papo, o vídeo ficou muito interessante, tanto que classificou nossa amiga gloss entre as dez finalistas do concurso (já adiantando, ela infelizmente não conseguiu a viagem). No vídeo, a nossa protagonista falava sobre suas experiências, expectativas, dúvidas, sentimentos, enquanto caminhava livremente na areia da praia (ao som de Walk on, de U2).

Mas o que eu gostaria de contar aqui, e daí vem o título “Do que as mulheres gostam?”, é justamente a velha questão: Por que é tão difícil entender as mulheres?

Em um primeiro pensamento, podíamos pensar assim: “ora, se quiséssemos mesmo entendê-las e saber como agir em diferentes situações da vida, bastávamos comprar uma dessas revistas femininas (e aí a Gloss seria mais uma para ajudar!) e ler todas as histórias contadas por elas”. Nessas revistas, você encontra desde a melhor opção de roupa e maquiagem para um encontro a dois, até o que dizer na cama no primeiro encontro. E claro, o que elas pensam de nós, principalmente na cama. Pronto, seria só seguir essa dica: comprar todas essas revistas, ou melhor, assinar todas para ter o conforto de receber em casa (o porteiro não entenderia sua preferência, mas o que importa?) e assim descobrir de uma vez por todas o que as mulheres gostam.

Seria fácil, mas não é bem assim.

Nós sabemos que nem elas sabem o que querem de fato. Um namorado novo para viver novas experiências ou continuar com o que tem, porque este já sabe bem ou mal o que você gosta de fazer? Um homem romântico, a ponto de levar flores com cartões apaixonados, abrir a porta do carro, puxar a cadeira no restaurante, surpreender com jantares a luz de velas, sempre pagando a conta no final, repetir pelo menos uma dúzia de “eu te amo” durante uma mesma noite; ou um homem que chega apertando e puxando, dando um chupão no pescoço, rosnar feito animal mesmo, para mostrar que é bicho macho, segurando sua presa, dando uns tapinhas na hora H (ou bater forte, quando o negócio já estiver esquentando) e, até mesmo exagerar nos palavrões pra mostrar virilidade (eu juro que já escutei isso de uma mulher, querendo dizer que adora homem falando palavrão!)?

Você pode agradar a mulher, levando ao shopping, esperando ela experimentar cada peça das 37 roupas selecionadas em apenas uma loja, e deixando de jogar futebol com seus amigos (para quem gosta de futebol, é claro). Mas ao mesmo tempo, deve compreender quando um dia ela quiser sair apenas com as amigas. Mesmo assim ela pode pensar: “poxa, ele não tem ciúmes quando eu saio com as minhas amigas para night, parece que não liga pra nada”, ou então: “ele deixou de ter a vida dele, de sair com os amigos dele para viver grudado a mim, com os meus amigos. Ele não sabe o que é viver sem mim. Ele é muito dependente”.

Se você saiu com uma menina numa noite e no dia seguinte não ligar (ou no terceiro, quarto, quinto dia), ela vai achar que você não gostou dela, ou que você é safado mesmo, galinha, só queria uma vez e ponto. Mas, se você liga logo no dia seguinte, assim, tipo, à tarde... pronto, este está desesperado, gamou, agora vai ficar no meu pé. “Ai que saco, odeio garoto chiclete”.

Depois que você já conquistou,mas ainda está na fase de descobrir o que ela gosta, você fica naquela de perguntar ou não o que ela está a fim de fazer. “Ai, odeio os caras que não tomam atitude, nem pra decidir se come uma pizza ou um japonês depois do cinema”. Ou então: “ah, ele não me pergunta se eu gosto de teatro, vai logo me levando; queria sair pra dançar hoje. Ele parece velho, só faz programinha de velho, ou então pra engordar”.

Primeiro beijo, primeiro amasso, primeira oportunidade de... “calma, meu filho. Não é assim não. Vamos com calma, parece um polvo”. Ok, estava com pressa. Da próxima vez vou mais devagar. Daí vem a próxima vez, e você, com mais calma, não avança, dar os amassos, mas não sai muito disso, ou melhor, espera a resposta dela. “Ai que saco, da outra vez estava com um fogo só, tive que dar um freio. Hoje que eu vim preparada pra tal, não faz nem sai de cima. Odeio cara lerdo. Parece que está nervoso ou com medo”.

Aí eu me lembro rapidamente da cena em que Nick (personagem de Mel Gibson no filme), lendo os pensamentos delas, vai para cama com uma ensandecida por sexo. Depois de escutar coisas do tipo: “ai, mas era só isso? Nossa esperava mais. Que cara fraco. Que decepção”, ele resolve tomar AQUELA atitude e... bem, pra quem não se lembra do filme, é a melhor resposta que NÓS podíamos dar àquelas que acham que não sabemos o que elas gostam.

Pena que isso foi uma obra de ficção.

Importante: este texto não é machista.

10 comentários:

Renato disse...

bom, antes tenh oque adimitir que foi dicil saber onde era o lugar de fazer comentarios! Gostei bastante, acho que vc escreve bem! Tb gostei do prestigio que a cultura espanhola tem na sua vida! Qd vc faz sua descricao!!!!

Renato disse...

tb é dificil postar aki sem dar erro na pagina! rsrsrs
acho que problema é comigo!

Rodrigo disse...

Amigo, vc descreveu muito bem a nossa situação!!! KKKKKKK
E o melhor sem ser machista!!!

Parabénsssss

TO COM A BARRIGA DOENDO DE TANO RIR!!!!

Vanessa disse...

Voz feminina na áreaaaa hehehe

Marinho, tenho que concordar que nós somos assim msm... vivemos em constante questionamento. MAAAS vcs não estão mto longe disso, cara. Vcs reclamam, reclamam... qdo encontram uma menina que dá valor reclamam que ela não desgruda. Aí dão um pé na garota e vão pra pista. Na pista reclamam que gastam mto e que não tem mulher que presta. Às vezes até esbarram com uma mulher maneira e não dá valor algum pra garota...
Ah! A gente sempre espera que vcs liguem... sempre... hehehe


Pena que nossa amiga-Gloss não ganhou! = (

Cris disse...

hahahaha é isso mesmo!!! Dá um passo para a frente, dois pra trás, um pro lado, gingadinha pro outro.. ajeita daqui, ajeita dali e pum! Agradou uma mulher! rs Mas os homens não ficam atrás, não, tá? Se tomamos a iniciativa somos putas, se não tomamos somos caretas. Se somos avançadas nos amassos, somos putas, se não, somos roda-presa. Se ligamos no dia seguinte, somos desesperadas (ou putas), se não ligamos eles ficam inseguros.. Se resolvemos ceder aquela "vontade", somos putas, se não, eles procuram as putas..rsrs Enfim, relacionamentos são complicados! E não os gêneros!

Zulmira disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Zulmira disse...

Um comentário curto e sincero:

Qualquer semelhança, não é mera coincidência!!!

hahahahahahahaha

Eu inclusive concordo com o comentário da minha irmã Vanessa... E graças a ela acabei de descobrir o meu defeito: dou valor demais!

hahahahahahahahaha

Jujuba disse...

olha... este texto continua mt grande... e to com preguiça de ler... como ele ta com bastantes comentários, vou me permitir ficar quietinha, ok?

prometo que um dia volto aqui para comentar...

Carla disse...

muito boa mario.adorei....principalmente por ter usado esse fime no centro. Só acho que deveria ter falado isso.....ahaahhahahahahahah
te adoro amigo e parabens por mais um sucesso: o blog. ahahahhahahah

CAROLINA disse...

Mááário!!!
Poxa, td que vc disse é verdade, mas... pera lá! Vc pode até tentar dizer que não é machista, porém, como um bom jornalista, vc tem que admitir que vc foi, no mínimo, parcial!
Vcs homens tb têm td isso e vc, com certeza, sabe mt bem disso!
Bom, mas de qq forma, deu pra dar umas boas gargalhadas! ;-)
Bjoks, Carol.