29 de novembro de 2007

Relações Humanas



A mente humana é uma máquina que opera de forma ininterrupta. Na maior parte do tempo, ela funciona bem. Não ao seu máximo, mas de forma plausível e sustentável. Porém, às vezes, ela falha. E quando falha, parece que não tem jeito. Junta tudo e joga fora, mesmo que amanhã ela volte a funcionar um pouco melhor.

Metáfora difícil? Vejamos. Todos os dias você mantém uma certa rotina. Acorda, se arruma, vai para o trabalho (faculdade, curso etc), trabalha durante o expediente (e até mais que o previsto), volta pra casa ou faz alguma atividade extra (academia, curso, cinema etc). Imagina se essa rotina fosse feita completamente sozinha, sem ninguém ao seu redor, como se você vivesse isolado de todos. Ok, aí sim você seria realmente uma máquina. Afinal, você apenas estaria executando uma operação, mecanicamente.

Mas nós não vivemos assim. Ao acordar (caso não more sozinho), você depara com as pessoas que dormem sob o mesmo teto: pai, mãe, avó, avô, tio, irmão, irmã, esposa, namorida, amigo e por aí vai. Depois no trabalho você encontra seus colegas de labuta: gente tranqüila, outra um pouco nervosa, outra calma demais, outra super simpática, outra nem tão receptiva assim, outra caladona, outra fofoqueira, outra desligada, outra estressada, enfim: pessoas. E aí que eu quero chegar! Somos seres humanos, ou melhor, máquinas humanas que, muito além de executar seus procedimentos rotineiros, pensam! Pensam e agem! Mais que isso: têm sentimentos! Entretanto, todavia, contudo, porém... falham! E como falham!

Uma resposta atravessada, uma atitude egoísta, um descuido comportamental, uma explosão de idéias podem afetar diversas relações entre familiares, amigos, colegas de trabalho e estranhos.

Exemplos? Podíamos citar vários. Casamentos desfeitos, relações profissionais de coleguismo prejudicadas, amizades abatidas e ressentidas e por aí vai. Onde está o erro? No ser humano, certamente. É justamente nisso que incomoda tanta gente. As pessoas não podem errar, pelo menos as outras. Nós, sim! Nós erramos sempre, apesar de não aceitarmos isso, ou pelo menos não enxergamos isso.

E tudo isso me faz refletir sobre como as pessoas encaram os erros dos outros. As nossas relações são muito instáveis. Se um dia você é uma ótima pessoa, boa companhia, amigo leal, colega de trabalho maravilhoso, amanhã você não presta, é falso, egoísta etc. Tudo por conta, às vezes, de uma atitude imatura ou impensada.
Algumas preferem pensar: "você é meu amigo, até que pise no meu calo. Não vacila comigo, porque se eu sou bom como amigo, sou muito melhor como inimigo"! Tenho medo de pessoas assim.

Estamos aqui pra aprender com o próximo e saber conviver com as diferenças dos outros. Nem tudo de você me agrada, assim como eu não te agrado sempre. Somos chatos, egoístas, sensíveis, carentes. Mas com certeza, seus valores, suas qualidades é que prevalecem, porque gosto de você e porque quero seu bem.
Em alguns casos, os erros são corrigidos, então, há solução: um perdão sincero, uma reconciliação calorosa, um abraço de compreensão. Já outros casos, os erros persistem e aí não "têm jeito”, deve haver um rompimento. Em outros, eles são escamoteados, ou no melhor da expressão, varridos para debaixo do tapete, até a próxima faxina!

Seja como for, o homem é capaz ou não de perdoar a falha humana. Mas para perdoar, de verdade, é preciso que haja comprometimento de melhora, da parte de quem erra ou, às vezes, mútua.

Diante de uma reflexão barata das múltiplas e complexas relações humanas, só sei que nós não vivemos sozinhos. O homem é um ser sociável por natureza. Se as relações são difíceis, não devemos perder o equilíbrio e a paciência. Saber escutar mais que falar é importante, porém sem deixar de se posicionar (mesmo que você não saiba como agir). A sinceridade deve prevalecer, procurando a maneira mais educada para praticar essa máxima. Enxergar as coisas boas que o próximo pode nos oferecer. E tentar ao máximo perdoar o semelhante porque somos dignos de falha. E quando a máquina falhar, não crie problemas, pense em soluções, sempre.

3 comentários:

Bibi disse...

Oi? Qualquer semelhança NÃO é mera coincidência, né?

Mário Cesar Filho disse...

Com certeza, Bibi. Mas esse é um pensamento para refletir mesmo. Resolvi escrever esse texto depois de umas semanas conturbadas, em "todas as minhas relações humanas"...
Lembrando que devemos praticar mais a teoria, pra não deixar a hipocrisia falar mais alto. Gostaria que todos do nosso grupo lessem. Beijo

Indecisa disse...

Fantástico esse texto.