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7 de maio de 2014

Reunião de condomínio



Não costumo participar de reunião de condomínio. A última vez que fui, presenciei trocas de acusações entre moradores e síndico e reclamações das mais estapafúrdias, além de encontrar figuras que infelizmente compartilham do mesmo endereço. Mas recentemente, recebi na minha caixinha de correios a ata da “assembleia geral ordinária”.

Retirando as burocracias de sempre e prestações de contas, a ata é um documento um tanto cômico, verdadeira piada pronta. Vejamos alguns trechos: “A moradora do apto 101 reclamou que os meninos jogam bola nas paredes e na grade do ar condicionado da vizinha e que também jogam objetos nas pessoas na rua. Foi questionada a possibilidade de advertir os pais das crianças”. Velha chata sempre existiu em qualquer condomínio e estatísticas comprovam que 90% moram no primeiro andar, com a janela do quarto voltada para o playground. Próxima.

“A moradora do apartamento 1202 reclamou que o cachorro da moradora do apartamento 107 fica avançando nos outros”. Geralmente cachorro reconhece gente mala e por isso ataca. Quantas vezes a moradora do 12º andar encontra o cachorro da moradora do primeiro andar para ela saber que avança não só nela como em outros vizinhos? Das duas uma, ou ela vive bisbilhotando a vida alheia ou já tem implicância direta com a dona do cachorro. Solta os cachorros nela! Próxima.

“Também foi feito reclamação dos vizinhos do apartamento 506 que fazem muito barulho com gritos, atrapalhando o descanso do 505”. E o mundo está cheio de recalcados! Fala sério! A pessoa não deve saber o que é sexo faz tempo e por isso se incomoda com o prazer alheio. Da próxima vez, abafa os gritos ao som de “Beijinho no Ombro”, da mais nova pensadora contemporânea Valesca Popozuda: “Keep calm e deixa de recalque”!

Nada mais havendo a debater, foi encerrada a sessão às 21h30. Por ser verdade, lavre a presente Ata que vai assinada pela secretária e pelo Sr. Presidente.

24 de novembro de 2011

Dono de casa


Quando resolvi morar sozinho, achei que muita coisa iria mudar em minha vida, principalmente o lado “dono de casa”. Realmente pensei na época que aprenderia cozinhar e ser um faz-tudo. Mas alguns anos se passaram e eu percebi que não sou um bom dono de casa. Não tenho nenhuma habilidade para atividades domésticas. Se a corda do secador de roupas arrebentar, por exemplo, demoro para resolver o problema, até chamar alguém para consertar para mim.

Por um lado, aprendi a dar valor aquilo que sempre meus pais fizeram muito bem. Meu pai, por exemplo, sempre consertou, ajeitou, pendurou, aparafusou, trocou tudo que precisava dentro de casa. Mas ele gostava disso e sempre aprendeu sozinho. Por outro, percebo que falta talento de minha parte, ou melhor, empenho e dedicação.

Nunca procurei saber, mas acho que deveriam existir cursos básicos de tarefas domésticas para solteiros ou recém-casados. As tarefas de passar, limpar e cozinhar são até mais fáceis aprender. Mas quando o assunto é mais específico, falta conhecimento de causa e principalmente prática para isso. No final, você acaba contratando o serviço, mesmo que ele seja banal.

Na cozinha, eu não passo fome. Gosto de inventar alguns sanduíches, umas pastas, umas saladas e massas. Mas nada de preparar grandes jantares, com pratos refinados etc. Uma coisa é certa: você aprende fazer mercado. Depois de algumas tentativas frustradas comprando frutas além da conta, carnes duras, produtos de péssima qualidade e caixas de congelados Sadia, agora a lista básica é pensada evitando qualquer desperdício ou produto fora do orçamento.

O mais engraçado de tudo isso é perceber que exatamente aquilo que você mais criticava quando criança, agora você faz o mesmo. Se eu estiver na rua e passar em frente a um mercado, sempre penso “o que está faltando lá em casa e preciso comprar?”. Era exatamente assim, quando estava com minha mãe e ela passava na frente do Mundial. Sempre tinha “um leite para levar, um sabão em pó para comprar, um iogurte que acabou”. Eu passei ter trauma daquele mercado, conhecido como o mercado dos idosos e das filas gigantes.