Parece mentira, mas em pleno século 21 devemos comemorar o Dia Internacional da Mulher pelo simples fato de que elas ainda não são iguais em direitos em relação ao homem. O mundo ainda é machista.
Ainda ouvimos histórias bárbaras de mulheres violentadas e discriminadas no Oriente Médio, na África e outros cantos do planeta. Cheguei a comentar em outro texto aqui sobre a vida quase desumana que mulheres viviam no período dos talibãs no Afeganistão, esquecidas pelo Estado e mal tratadas pelos maridos.
Mas infelizmente não precisamos ir tão longe para conhecer casos absurdos de maus tratos domésticos. Recentemente, conheci um caso de uma mulher, professora do ensino público, com filhos e netos, que apanhava do marido desempregado. Este, além de viver a custas dela, levava uma vida misteriosa, com negócios obscuros, que nunca quis sair de casa e sempre a ameaçou para que ela nunca o denunciasse. Ao contrário de mulheres ignorantes, que são “obrigadas” a conviver com este tipo de homem, esta além de ser independente, é instruída e conhece bem seus direitos. Mas o medo, a angústia, o pavor de ter seus filhos e netos ameaçados por este homem, sempre a forçou se manter calada. Depois de muitos acontecimentos quase trágicos, e com ajuda de amigos, ela denunciou para polícia federal e hoje ele já está fora de casa, longe dela.
Quantas mulheres ainda não vivem esta situação?
Por outro lado, o Dia Internacional das Mulheres serve também para homenagearmos aquelas mulheres que fazem a diferença. Mulheres que brigam pelos seus direitos, que lutam pela igualdade. Mais que isso, ensinam seus filhos o que é ser um verdadeiro cidadão, respeitando a mulher na sociedade. Muitas são matriarcas e, portanto, responsáveis pela base de uma família, a base da educação, do amor e respeito ao próximo, base da cidadania.
Não posso deixar de homenagear aquela que me deu a oportunidade de vida! Esta que me ensinou os valores morais desde cedo, entre eles, o de sempre respeitar a mulher, principalmente no casamento.
Essa falta de respeito e valorização da mulher advém da sociedade machista, arraigada há séculos. A própria mulher, por muitos anos, foi educada a aceitar, por exemplo, a infidelidade do homem, o papel de mãe e de dona de casa e até a submissão ao marido.
Esse tipo de educação não está tão ultrapassado assim. A mãe de uma grande amiga educou sua filha a deixar seu namorado transar com outras mulheres para que ela não perdesse cedo sua virgindade. Chega ser absurdo imaginar uma mãe “moderna” ter um pensamento tão machista assim.
Ao contrário desta visão machista, a minha sempre me ensinou que fidelidade não é um “privilégio” das mulheres, porque foram educadas assim. Os homens devem ser fieis tanto quanto as mulheres, sendo o princípio número um da relação entre homem e mulher. O respeito ao Dia Internacional das Mulheres deve começar por aí.
8 de março de 2008
28 de fevereiro de 2008
Mister Magoo tirou férias! Pra sempre!

“Se as meninas do Leblon não olham mais para mim (eu uso óculos)”, agora todas vão me ver, porque de uma vez por todas EU ESTOU SEM ÓCULOS!
Ao contrário de várias tristes histórias de fim de relacionamentos duradouros, essa é uma separação que só veio proporcionar liberdade rimando com felicidade!
Desde os meus dois anos de idade, eles me seguiam, me perseguiam, me guiavam e me enlouqueciam. Já foram esquecidos dentro de um aquário e se multiplicavam a cada perda de um companheiro. Seus modelos acompanhavam a moda do momento. Estilo Clark Kent, Mr Magoo, discreto, arrojado, executivo... mas todos feios e incômodos. Em todas as fotos, eles marcavam presença. O visual estava tão impregnado que já não me reconheciam sem eles. Onde eu estava, lá estavam eles.
Em pensar que durante anos eles sempre foram desnecessários...
Com a desculpa de um estrabismo medonho, os médicos diziam que eles eram essenciais. Eu não podia enxergar nada com aquele grau de estrabismo. Mesmo depois da cirurgia aos seis anos, eles permaneceram. O problema não foi resolvido, mas amenizado – pelo menos parei de assustar as pessoas com as bolas pretas dançando nas escleras (parte branca dos olhos).
As dores de cabeça permaneciam e a cada visita ao oftalmologista, mais um grau era acrescentado. Resultado: quatro graus de hipermetropia em cada olho, verdadeiro fundo de garrafa.
Mas aí conheci um médico. Ô médico. Então, meu ponto de vista mudou. E para muito melhor. A mudança começou em 1995, ainda com treze anos. Os exames foram feitos e a grande surpresa: “meu filho, você enxerga muito bem, o problema é que você faz um certo esforço muscular para corrigir seu estrabismo”. Ok, isso quer dizer o que?
Isso quis me dizer que eu nunca precisei usar óculos, se não fosse o tal do estrabismo... Resultado: de quatro graus eu passei a usar 0,75 de hipermetropia. Só para não ficar vesgão!
Mais ou menos na mesma época, conheci um tesouro: a lente de contato! Isso realmente abriu meu horizonte! E um novo mundo surgia diante os meus olhos! Aos poucos, fui largando meu calvário e me transformando em um outro homem. Aquela velha imagem de um garoto com seus olhos biônicos já ficava esquecida, e nem era conhecida pelas novas amizades. Tudo bem, que a lente me proporcionou momentos hilários, mas nada comparável ao mundo dos quatro-olhos. (só para citar um desses momentos, uma vez fiz a proeza de colocar duas lentes no mesmo olho sem perceber. Passei praticamente um dia achando que estava enxergando muito bem de uma vista em relação a outra).
Entretanto, porém, contudo, todavia... o melhor estava por vir! E acabou de chegar! Depois de sete anos sem visitar o super-médico-amigo, resolvi marcar uma nova consulta! E para minha grande surpresa, ele me deu alta! Disse que estou enxergando como nunca e que aquele velho estrabismo agora não incomoda mais a olho nu (só se você for muito inconveniente e ficar observando bem de perto, aí sim é capaz de perceber).
O casamento durou 24 anos. Mas finalmente chegou ao fim. Óculos agora? Só os escuros!
17 de fevereiro de 2008
Vai uma chupeta aí?
Que adoscelente gosta de ser irreverente, excêntrico e desafiador, isso não é novidade.
Essa é uma época da vida que os hormônios afloram deixando o bom senso um pouco de lado. O negócio é aparecer! Principalmente entre eles! Eles armam seu pavão, enquanto elas mostram seus guarda-roupas e as futilidades mais atraentes. Se o objetivo é chocar, impressionar, então eles conseguiram.
Estou falando da última moda nova-iorquina lançada por eles. Segundo uma amiga brasileira que veio passar as férias no Rio, e que mora pouco mais de nove meses por lá, veio com a novidade. E que novidade.
Não bastava a moda - já impregnada aqui também - de garotos que usam as cuecas aparecendo, deixando a calça ou bermuda quase na altura do joelho, agora os adolescentes de Nova York resolveram voltar a infância (uma idade não muito distante da idade atual). É comum vê-los andando pelas ruas da Ilha de Manhattan usando chupeta! O look realmente impressiona: calças abaixadas até o joelho, cuecas (dos mais diferentes modelos) aparecendo e chupetas na boca.
Bem, se isso agrada as nova-ioquirnas seguidoras da decadente Brithiney Spears, isso já não sei.
Agora faça uma breve reflexão: será que esta "moda" chegará ao Brasil?
Não é preciso pensar muito para ter a resposta que sim.
A cena é esta:
Baile Funk no Rio:
garotos na faixa dos 15, 17 anos, vestidos com suas bermudas caídas, cuecas e mais coisas aparecendo, andando no baile: - E aí, quer chupar minha chupetinha?
"Quando você era pequena não parava de chorar/ me pedindo a chupetinha pra você chorar/ Agora tu cresceu e pra não esquecer/ Com a boca aberta me pedindo para botar...
Totoma, toma bolete, toma bolete e pára de chorar..."
Essa é uma época da vida que os hormônios afloram deixando o bom senso um pouco de lado. O negócio é aparecer! Principalmente entre eles! Eles armam seu pavão, enquanto elas mostram seus guarda-roupas e as futilidades mais atraentes. Se o objetivo é chocar, impressionar, então eles conseguiram.
Estou falando da última moda nova-iorquina lançada por eles. Segundo uma amiga brasileira que veio passar as férias no Rio, e que mora pouco mais de nove meses por lá, veio com a novidade. E que novidade.
Não bastava a moda - já impregnada aqui também - de garotos que usam as cuecas aparecendo, deixando a calça ou bermuda quase na altura do joelho, agora os adolescentes de Nova York resolveram voltar a infância (uma idade não muito distante da idade atual). É comum vê-los andando pelas ruas da Ilha de Manhattan usando chupeta! O look realmente impressiona: calças abaixadas até o joelho, cuecas (dos mais diferentes modelos) aparecendo e chupetas na boca.
Bem, se isso agrada as nova-ioquirnas seguidoras da decadente Brithiney Spears, isso já não sei.
Agora faça uma breve reflexão: será que esta "moda" chegará ao Brasil?
Não é preciso pensar muito para ter a resposta que sim.
A cena é esta:
Baile Funk no Rio:
garotos na faixa dos 15, 17 anos, vestidos com suas bermudas caídas, cuecas e mais coisas aparecendo, andando no baile: - E aí, quer chupar minha chupetinha?
"Quando você era pequena não parava de chorar/ me pedindo a chupetinha pra você chorar/ Agora tu cresceu e pra não esquecer/ Com a boca aberta me pedindo para botar...
Totoma, toma bolete, toma bolete e pára de chorar..."
14 de fevereiro de 2008
O caçador de pipas na cidade do sol
Quando li o livro Caçador de Pipas, achei uma história fantástica, digna de filme. Mal sabia que no final do livro já dizia que o filme estava sendo providenciado. Pensei na época: "nossa, que bom! Assim não vou esperar tanto tempo pra assistir o filme".
Dois anos depois e nada do filme aparecer na telona. Na verdade, nem esperava mais que o filme viesse para o Brasil. Mas ele veio, e como o livro, faz sucesso.
Ao contrário de muitas histórias que nos surpreendem, mas que nos reconhecemos de uma certa maneira entre os personagens, este livro surpreende justamente por ser completamente diferente da nossa realidade. Como agradar milhares de pessoas no mundo todo com a história de dois garotos do Afeganistão - um lugar que só conhecemos através de guerras e bombas? Como pode uma linda história acontecer em um cenário tão assustador para os telespectadores globalizados que não conhecem outra visão deste território senão pelas imagens chocantes dos noticiários enlatados?
E que nomes são aqueles? Amir e Hassam? E que lugares são aqueles? E por que os religiosos são tão radicais? Qual a diferença entre Xiita e Sunita? Por que a relação com as mulheres é tão diferente da nossa?
Uma amiga minha disse uma vez que desistiu de ler o livro porque não conseguia memorizar os nomes, quem era quem na história... mas acabou adorando o filme (e agora pretende ler até o final o livro).
Apesar de toda essa estranheza inicial, o livro encanta. Encanta porque justamente conta a história de dois seres humanos, como nós! Podemos viver do outro lado do planeta, termos outra cultura, religião, ideais, mas no fundo, somos todos iguais.
Khaled Hosseini soube descrever muito bem essa história para o homem do Ocidente. E provou, que no final das contas, todos nós falamos a mesma língua: a língua do amor. Amor ao próximo, amor à família, seja dos laços sanguíneos, seja aquela que escolhemos para tal.
Agora estou lendo o segundo livro de grande sucesso do Hosseini: A Cidade do Sol.
O pano de fundo continua sendo as guerras do Afeganistão, desde a chegada dos soviéticos até o domínio dos talibãs. Só que agora as protagonistas são duas mulheres, Mariam e Laila. Duas mulheres com origens diferentes, com idades, costumes e vida diferentes que acabam tendo o mesmo destino, ou melhor, o mesmo marido.
Se no primeiro livro, as histórias de sofrimento, exploração, abuso sexual e guerra assustavam, neste, a vida quase desumana que as mulheres levam realmente impressiona.
Mariam é filha bastarda de um homem rico. Casa-se obrigada pelo pai, depois que perde a mãe. Nunca estudou, não teve filhos, não era amada e nunca amou nenhum homem.
Laila é filha caçula de um casal que sofria com a perda dos filhos mais velhos para guerra. Seu pai, antes da ocupação soviética, era professor universitário, e sempre se preocupou com a educação da pequena Laila. Tinha uma grande paixão de adolescência. Ela amava e era amada. E sonhava com um futuro bom. Mas a guerra destruiu com sua paixão, com sua família e com seus sonhos. Foi forçada a se casar com um velho para sobreviver.
Este homem, já velho e muito radical, tem duas mulheres que se completam, que se amam e que se unem para continuar a sobreviver ao seu lado.
Histórias tristes e personagens quase reais que nos ensinam muito mais que um Afeganistão que estamos acostumados a ver na TV.
Dois anos depois e nada do filme aparecer na telona. Na verdade, nem esperava mais que o filme viesse para o Brasil. Mas ele veio, e como o livro, faz sucesso.
Ao contrário de muitas histórias que nos surpreendem, mas que nos reconhecemos de uma certa maneira entre os personagens, este livro surpreende justamente por ser completamente diferente da nossa realidade. Como agradar milhares de pessoas no mundo todo com a história de dois garotos do Afeganistão - um lugar que só conhecemos através de guerras e bombas? Como pode uma linda história acontecer em um cenário tão assustador para os telespectadores globalizados que não conhecem outra visão deste território senão pelas imagens chocantes dos noticiários enlatados?
E que nomes são aqueles? Amir e Hassam? E que lugares são aqueles? E por que os religiosos são tão radicais? Qual a diferença entre Xiita e Sunita? Por que a relação com as mulheres é tão diferente da nossa?
Uma amiga minha disse uma vez que desistiu de ler o livro porque não conseguia memorizar os nomes, quem era quem na história... mas acabou adorando o filme (e agora pretende ler até o final o livro).
Apesar de toda essa estranheza inicial, o livro encanta. Encanta porque justamente conta a história de dois seres humanos, como nós! Podemos viver do outro lado do planeta, termos outra cultura, religião, ideais, mas no fundo, somos todos iguais.
Khaled Hosseini soube descrever muito bem essa história para o homem do Ocidente. E provou, que no final das contas, todos nós falamos a mesma língua: a língua do amor. Amor ao próximo, amor à família, seja dos laços sanguíneos, seja aquela que escolhemos para tal.
Agora estou lendo o segundo livro de grande sucesso do Hosseini: A Cidade do Sol.
O pano de fundo continua sendo as guerras do Afeganistão, desde a chegada dos soviéticos até o domínio dos talibãs. Só que agora as protagonistas são duas mulheres, Mariam e Laila. Duas mulheres com origens diferentes, com idades, costumes e vida diferentes que acabam tendo o mesmo destino, ou melhor, o mesmo marido.
Se no primeiro livro, as histórias de sofrimento, exploração, abuso sexual e guerra assustavam, neste, a vida quase desumana que as mulheres levam realmente impressiona.
Mariam é filha bastarda de um homem rico. Casa-se obrigada pelo pai, depois que perde a mãe. Nunca estudou, não teve filhos, não era amada e nunca amou nenhum homem.
Laila é filha caçula de um casal que sofria com a perda dos filhos mais velhos para guerra. Seu pai, antes da ocupação soviética, era professor universitário, e sempre se preocupou com a educação da pequena Laila. Tinha uma grande paixão de adolescência. Ela amava e era amada. E sonhava com um futuro bom. Mas a guerra destruiu com sua paixão, com sua família e com seus sonhos. Foi forçada a se casar com um velho para sobreviver.
Este homem, já velho e muito radical, tem duas mulheres que se completam, que se amam e que se unem para continuar a sobreviver ao seu lado.
Histórias tristes e personagens quase reais que nos ensinam muito mais que um Afeganistão que estamos acostumados a ver na TV.
3 de fevereiro de 2008
De volta para casa!
Estou voltando pra casa outra vez...
Finalmente Brasil! É essa sensação de quem volta ao seu país depois de uns dias fora. O sol, o calor, a família, o bifão-feijão-farofa te esperando.
Viajar é bom, mas voltar pra casa tem um prazer maior... até voltar a velha rotina.
Nunca tive essa sensação de querer voltar pra casa logo. Não que não estivesse aproveitando a viagem. Aliás, que viagem! Mas a saudade bate de qualquer maneira. Fico imaginando as pessoas que viajam por muito tempo. Pra morar fora, estudar por um tempo. Eu passei admirar muito essas pessoas. Mais que ter vontade de enfrentar novos desafios, em terras estrangeiras, onde tudo aquilo nao te pertence, ter coragem para aguentar tanto tempo fora de casa. Quando falo casa, não é apenas a nossa casa (que já significa muita coisa). É o nosso país, nosso povo, nosso calor, simpatia. Nossa língua, nossa cultura, nossa música. Nossa família, acima de tudo.
É lógico que experimentar coisas novas é bom. É ótimo! Você percebe quanto sua vida é diferente. Seus costumes, seu dia-a-dia. Algumas pessoas vivem para isso. Para experimentar! Ousar, trocar de vida como se fosse um personagem. Outras preferem uma vida mais tranquila, quase uma rotina, o feijão com arroz.
Não sou nem oito, nem oitenta.
A Europa realmente é o primeiro mundo. Outra realidade. Mas nunca trocaria meu país pra viver por lá. Gostei de conhecer, achei tudo lindo, história viva em todos os cantos. E ponto! Não troco minha praia por um rio Sena. Torre Eifell tem sua beleza, Big Ben surpreende, Palácio Real de Madri é inesquecível, porém não canso de ver meu Pão de Açucar, Cristo, Lagoa, Maracanã e praia de Ipanema.
Mas o bom é isso. Durante alguns dias da vida, você sai da sua realidade. Embarca numa longa viagem. Conhece cores, sabores, frios, palácios, reis e rainhas. Depois volta para casa. Desfaz a mala, entrega as lembranças, passa as 1.280 fotos para o computador (jura, que vai revelar pelo menos 200 fotos), coloca as roupas pra lavar, abre a janela e diz: que bom te rever, meu Rio de Janeiro!
Finalmente Brasil! É essa sensação de quem volta ao seu país depois de uns dias fora. O sol, o calor, a família, o bifão-feijão-farofa te esperando.
Viajar é bom, mas voltar pra casa tem um prazer maior... até voltar a velha rotina.
Nunca tive essa sensação de querer voltar pra casa logo. Não que não estivesse aproveitando a viagem. Aliás, que viagem! Mas a saudade bate de qualquer maneira. Fico imaginando as pessoas que viajam por muito tempo. Pra morar fora, estudar por um tempo. Eu passei admirar muito essas pessoas. Mais que ter vontade de enfrentar novos desafios, em terras estrangeiras, onde tudo aquilo nao te pertence, ter coragem para aguentar tanto tempo fora de casa. Quando falo casa, não é apenas a nossa casa (que já significa muita coisa). É o nosso país, nosso povo, nosso calor, simpatia. Nossa língua, nossa cultura, nossa música. Nossa família, acima de tudo.
É lógico que experimentar coisas novas é bom. É ótimo! Você percebe quanto sua vida é diferente. Seus costumes, seu dia-a-dia. Algumas pessoas vivem para isso. Para experimentar! Ousar, trocar de vida como se fosse um personagem. Outras preferem uma vida mais tranquila, quase uma rotina, o feijão com arroz.
Não sou nem oito, nem oitenta.
A Europa realmente é o primeiro mundo. Outra realidade. Mas nunca trocaria meu país pra viver por lá. Gostei de conhecer, achei tudo lindo, história viva em todos os cantos. E ponto! Não troco minha praia por um rio Sena. Torre Eifell tem sua beleza, Big Ben surpreende, Palácio Real de Madri é inesquecível, porém não canso de ver meu Pão de Açucar, Cristo, Lagoa, Maracanã e praia de Ipanema.
Mas o bom é isso. Durante alguns dias da vida, você sai da sua realidade. Embarca numa longa viagem. Conhece cores, sabores, frios, palácios, reis e rainhas. Depois volta para casa. Desfaz a mala, entrega as lembranças, passa as 1.280 fotos para o computador (jura, que vai revelar pelo menos 200 fotos), coloca as roupas pra lavar, abre a janela e diz: que bom te rever, meu Rio de Janeiro!
16 de janeiro de 2008
Férias

Os ingleses chamam de vacation. Os franceses chamam de vacances. Os espanhóis chamam de vacaciones. Mas nós brasileiros (e antes os portugueses) chamamos de férias. Uma palavra mágica, diferente dos outros idiomas que apresentam o mesmo radical, e que significa muito para quem tem e para quem pode desfrutar!
A palavra férias vem do latim feriare e significa "período destinado ao descanso do trabalhador ou do estudante". Acredito que férias significa muito mais do que isso.
É quando percebemos o quanto produzimos durante todo um ano, que para alguns parece ter passado rápido, para outros, uma eternidade. É um período em que o corpo e a mente pedem - juntos - uma pausa. Precisamos nos recompor, recuperar o ânimo e a energia para voltar a velha rotina.
Para aqueles que não podem viajar, as férias podem servir para apenas relaxar, aproveitar um fim de tarde no calçadão, uma praia mais tranquila, um cinema mais vazio, um romance para ler, um papo furado sem hora para acabar e uma noitada durante a semana, quando se percebe quantos vagabundos existem na cidade. Aproveita-se também para resolver aquele problema pendente, um exame médico pra fazer, um armário para arrumar.
Mas para quem pode viajar, as férias se multiplicam em vários significados. Ah, o que são as viagens de férias? Não importa o lugar: se é longe ou perto, se é no exterior ou no próprio país, se é sozinho ou com família e amigos, se é verão ou é inverno, se é praia ou serra, se é cidade ou campo. O que importa é que você vai sair de sua casa, com malas prontas, passagens, roteiro, guia e uma vida para se aventurar!
Este deveria ser meu primeiro texto do ano. Mas não foi, porque comecei contando sobre minha primeira viagem da minha primeira férias depois de um ano ralando no meu primeiro emprego! Talvez seja por todo esse pioneirismo que estou curtindo tanto o significado da palavra Férias!
É claro que em tempo de escola, nada era mais prazeroso o período de férias, mas confesso que agora, podendo aproveitar melhor tudo que descrevi, sinto um prazer imensurável de ter férias, e o melhor, poder realizar um sonho antigo: viajar para bem longe! Conhecer novas terras, novos ares, culturas diferentes, pessoas diferentes, línguas diferentes! "Navegar é preciso, viver não é preciso", segundo Fernando Pessoa. Eu já prefiro: Viver é preciso e, se possível, navegando, voando ou qualquer que seja o meio de transporte!
Boas férias! Boa viagem!
11 de janeiro de 2008
Em meio a malas!

Passando rapidamente por aqui, em meio a uma viagem à Foz do Iguaçu, deixo um recado de um viajante: Como é bom viajar! Lugares diferentes, culturas diferentes, pessoas, comidas, costumes e uma vida!
Perrengues fazem parte, como levar duas horas na alfândega da Argentina, na fronteira com o Brasil, para ter sua entrada autorizada no país dos hermanos, ou na fila de uma hora e meia da Receita para registrar suas bugigangas do Paraguay (me senti um próprio muambeiro). Mas nada se compara ao prazer de conhecer um país rico em águas, bichos e mata! Muita mata! Cataratas do Iguaçu é sim uma das Sete Maravilhas Naturais do Mundo! É impressionante a energia que essas águas nos proporcionam ao senti-las no rosto, enquanto passeamos pela trilha do parque.
Em uma semana, tive a oportunidade de conhecer dois países (Argentina e Paraguay) que não se comparam às belezas do nosso país, em se tratando principalmente da área urbana! A beleza natural talvez seja equivalente. Destaque para o lugar chamado Marco das três fronteiras, onde há o encontro dos Rios Iguaçu (vindo das Cataratas) e Paraná (que passa pela Usina Hidrelétrica de Itaipu). Assim como a famosa pororoca, as águas - de cores diferentes - dos dois rios se encontram e seguem em direção à Argentina.
Uma rapidinha: depois de um dia inteiro acompanhando duas amigas nas compras do Paraguay – em meio de malas, máquinas fotográficas, MP3, MP4 e até MP5 (acreditem, inventaram mais um número para o MP, só que este significa apenas o acréscimo da câmera digital no estilo de celular), uma moça, novata em compras made in Paraguay, resolve declarar no registro distribuído pela Receita cinco canetas! Eu disse CINCO canetas. Ela conseguiu ser barrada por um fiscal. Monólogo: “minha senhora, você está carregando cinco canetas quando o limite são três unidades para cada objeto. Desta vez, nós iremos liberar, mas da próxima, eu fico com a mercadoria”.
Outra rapidinha: alfândega da Argentina. Um rapaz está com sua nova carteira de identidade, feita recentemente pelo Detran. Eu não conhecia, mas esta nova carteira não tem mais o formato da antiga carteira de identidade, aliás ela é bem parecida com a carteira de motorista. O IFP deixou de fazer identidade e com isso o Detran ficou responsável por isso. Resultado: o rapaz foi barrado, porque eles ainda não conhecem o novo sistema brasileiro e, portanto, não aceitaram a nova carteira!
Foto minha: Cataratas do Iguaçu
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