O olhar para fotografia é algo fascinante, mesmo para quem
não tem talento para isso. Mais uma vez, a tecnologia trouxe para os dias
atuais uma popularização dessa arte, se isso ainda é possível dizer.
Ficou fácil fazer uma boa foto, principalmente quando se tem
múltiplos filtros para tornar a imagem em uma obra de arte. A febre do
aplicativo Instagram está aí para comprovar que fotografia virou vício para os
usuários de smartphone. Tudo pode virar foto. O cotidiano é
fotografado praticamente 24 horas por dia e pessoas estão ainda mais conectadas
através do gosto por essa arte.
Fotografar passou a ser um exercício diário com direito a
tarefas! Nesse aplicativo, é possível participar ainda do “Instarefa” que
propõe semanalmente as tarefas para os usuários do aplicativo, como
#instarefa_pelasruas e #instarefa_janelaseportas
Quando não havia esse aplicativo disponível para o sistema
android, eu usava os genéricos, como Lightbox e Mytubo. São muitos aplicativos
de fotos atualmente, com múltiplos filtros interessantes. Mas o Instagram é de
longe o mais popular. E o mais interessante é que todo mundo se sente um pouco
um Cartier-Bresson, tentando registrar momentos únicos, com um olhar
diferenciado.
Por enquanto, estou curtindo e, como eu moro nessa cidade, não é difícil encontrar bons cenários para uma foto artística. Já criei meu hashtag #cariocainrio
Ainda não tenho filho, mas
acompanhando o crescimento de filhos de alguns amigos e colegas, vejo como
a questão da educação hoje vem mudando, principalmente dentro de casa. Apesar
de ser batido, esse assunto gera várias discussões, sobretudo quando se compara
a forma que nossos pais nos educaram e como é o comum hoje.
A primeira grande
diferença está no diálogo. Hoje, os pedagogos, psicólogos, educadores e outros
especialistas afirmam que a base da boa educação está no diálogo entre pais e
filhos. Certamente, o diálogo é fundamental, mas, no caso da minha geração, isso não bastava para corrigir.
Disciplina, respeito, limite e educação eram impostos de diversas maneiras incluindo o diálogo. A bronca na hora
certa, o castigo bem dado e até as palmadas necessárias quando
chegava-se ao limite, tudo isso funcionava... e não criou traumas.
A cobrança na escola também era maior. No meu colégio, pelo menos, a média era sete e não havia tantos trabalhos, testes, provas para ajudar o aluno no final do ano letivo. Já hoje, com algumas
exceções, parece que o normal é facilitar a vida escolar do aluno. São tantas
oportunidades criadas para que o aluno consiga boas notas que é quase
impossível reprovar. Diante de tanta facilidade, a formação desse aluno acaba
sendo precária. Se esse aluno quiser passar para uma faculdade pública, vai
correr atrás do prejuízo no fatídico ano do vestibular. Caso contrário,
continua com a vida tranquila numa particular.
Recebi esse texto que
representa bem a transformação do ensino nas escolas:
1. Ensino de matemática em 1950: Um lenhador vende um carro de lenha por
R$100,00. O custo de produção é
igual a 4/5 do preço de venda. Qual é o lucro?
2. Ensino de matemática em 1970: Um lenhador vende um carro de lenha por
R$100,00. O custo de produção é igual a 4/5 do preço de venda ou R$80,00. Qual é o lucro?
3. Ensino de matemática em 1980: Um lenhador vende um carro de lenha por
R$100,00. O custo de produção é R$80,00. Qual é o lucro?
4. Ensino de matemática em 1990: Um lenhador vende um carro de lenha por
R$100,00. O custo de produção é R$80,00. Escolha a resposta certa, que indica o
lucro: ( )R$ 20,00 ( )R$40,00 ( )R$60,00 (
)R$80,00 ( )R$100,00
5. Ensino de matemática em 2000: Um lenhador vende um carro de lenha por
R$100,00. O custo de produção é R$80,00. O lucro é de R$20,00. Está certo? ( ) SIM ( )NÃO
6. Ensino de matemática em 2010: Um lenhador vende um carro de lenha por
R$100,00. O custo de produção é R$80,00. Se você souber ler coloque um X no
R$20,00. ( )R$ 20,00 ( )R$40,00 ( )R$60,00 (
)R$80,00 ( )R$100,00
Em um futuro não muito distante, será assim: Um lenhador vende um carro de lenha
por R$100,00. O custo de produção é R$ 80,00. Se você souber ler coloque um X no
R$20,00. (Se você é afro descendente, especial,
indígena ou de qualquer outra
minoria social não precisa responder)
( )R$ 20,00 ( )R$40,00 ( )R$60,00 ( )R$80,00 ( )R$100,00
Triste manhã de domingo aquela para família de Sr.
Lorival. Depois de passar algumas semanas entre a vida e a morte no leito de
hospital, finalmente sua alma passou para o outro lado, deixando amigos e
familiares desolados. Dona Vitória estava inconformada com a partida de seu
esposo, assim como seu filho Inácio que tinha no pai um exemplo de hombridade.
Ali, na torturante sala de espera daquele hospital sombrio, estavam todos
lamentando a partida do patriarca, até seu filho caçula Alberto, que aparentava
uma breve embriaguez, como de costume.
Depois
da lástima notícia dada pelo médico de plantão, um funcionário da santa casa,
responsável pelo necrotério daquele insalubre hospital, vestindo um surrado
jaleco acinzentado, veio até a inconformada sala de espera comunicar aos
presentes a necessidade de reconhecer o corpo antes da sua liberação. O
primogênito encontrava-se tão arrasado, que não teve discernimento para
compreender o recado do funesto funcionário. Restou ao coitado Alberto, que
ainda inebriado, não se absteve da penosa responsabilidade.
Ao
acompanhar o moribundo funcionário em um tenebroso corredor obscuro, Alberto
foi sentindo um calafrio horripilante, algo que o lembrava de seu pavor por
cadáveres desde a infância. Por um segundo, a sobriedade súbita lhe trouxe um
arrependimento pela impensada atitude tomada, ainda na longínqua sala de
espera. Mas já era tarde, e aquele cinzento funcionário se encaminhava ao
macabro necrotério.
Quando
Alberto adentrou a gélida sala branca, encontravam-se ali apenas dois corpos
com invólucros panos brancos desbotados. O mecânico funcionário do hospital se
dirigiu ao leito esquerdo e, em um hábil movimento, levantou parte da coberta
para o rápido reconhecimento. Para acabar logo com aquela torturante tarefa,
Alberto, com um olho entreaberto e o outro cerrado, reconheceu agilmente o
velho corpo de seu saudoso pai. Tarefa cumprida, Alberto suspirou o ar dos
angustiados e voltou em dois tempos para aliviada sala de espera.
Já
na pequena capela, amigos e parentes consolavam a inexpressiva viúva,
entorpecida por calmantes e chás relaxantes. Outros se debruçavam sobre o
caixão, inconformados com a estranha aparência do defunto. Por causa da maldita
doença, o inchaço no rosto de Sr. Lorival despertava reações diversas dos
presentes. Uns lamentavam a terrível doença, outros questionavam a falta da
peculiar pinta de Sr. Lorival no canto esquerdo do pescoço, já outros, tão
desolados, nem reparavam as mudanças corporais do recém falecido.
Avançadas
horas do interminável velório, dois rapazes entraram apressadamente na singela
capela com ares pouco amigáveis. Poucos se atentaram pela presença dos
desconhecidos, quando um deles se aproximou do caixão e gritou: “essa aqui é
minha mãe!”. Ainda desatentos, alguns se entreolharam espantados com tal
afirmação, já outros estranharam tamanha ousadia da invasão seguida de acusação
daquele homem.
O
outro ainda esbravejou: “vocês roubaram a minha mãe! É ela que está aqui”,
apontando para o pobre defunto florido no caixão. Desta vez, o primogênito
reagiu, inconformado com tamanha petulância do insultuoso rapaz. “Quem é você
para dizer um absurdo desse? Este aqui é meu pai! Não basta estarmos passando
por esse momento difícil, você ainda invade o velório desrespeitando a nossa
dor e caluniando meu querido pai...”.
O
rapaz ainda inconformado retrucou: “Eu estava no hospital procurando o corpo da
minha saudosa mãezinha, quando me avisaram que já tinham levado para enterrar.
Deixaram o corpo de um velho lá e trouxeram o da minha mãe...”, seu irmão
completou: “alguém de vocês reconheceu errado o corpo e trouxe nossa mãe para
cá. Eu exijo que retirem o corpo dela desse caixão”. Nesse instante, todos
perplexos focaram seus olhares ao único responsável por tamanho absurdo. Mas
diante do sumiço de Alberto, todos se perguntaram: “onde está esse bêbado
desgraçado?”.
Agora
sim estava explicado o sumiço da inesquecível pinta de Sr. Lorival. Nem a pinta nem Sr. Lorival se encontravam
naquele pequeno caixão. A única coisa que pertencia ao falecido era o impecável
terno cinza chumbo bizarramente vestido na Dona Rosa, mãe dos alterados
rapazes. A questão agora era saber como trocar a roupa da falecida, uma vez que
a pobre criatura já se encontrava dura como uma rocha da era paleozóica. Os
filhos estavam decididos a retirar todo aparato florido e trocar o elegante
terno cinza chumbado pelo deslumbrante vestido florido, especialmente preparado
para vestir Dona Rosa em sua despedida. A essa altura, os presentes não
conseguiam disfarçar as risadas contidas durante o tumultuado velório.
Inácio,
traumatizado, queria terminar logo com a confusão instaurada pelo seu
atrapalhado irmão caçula. “Vamos fazer o seguinte: leva esse caixão do jeito
que está, e me entreguem o tal vestido da sua saudosa mãe. Vamos enterrar nosso
pai com o vestido mesmo e não se fala mais disso. No final, vai tudo para baixo
da terra mesmo, pelo menos os dois não vão ser enterrados despidos”.
Enfurecido,
um dos rapazes se sentiu afrontado e partiu para ignorância: “Então você acha
que eu vou enterrar minha mãezinha vestida de homem? Se você não se importa em
embonecar seu pai, que não tem nem o direito de se defender agora, o problema é
seu, mas eu não vou permitir um absurdo desse”!
Diante
do impasse, os filhos de ambos os defuntos resolveram entrar num acordo.
Rasgaram o ilustre terno cinza e improvisaram Dona Rosa com um estampado pano
florido em um vestido estilo “tomara que caia”, super adequado para ocasião. Já
Sr. Lorival, com sua inseparável pinta, recebeu um outro terno, azul celeste, bem
mais apropriado para inusitada despedida.
Caro
leitor deve estar se perguntando: “afinal, onde estava Alberto?”
Desnorteado,
o bêbado fugiu e, entre um tropeço e outro, saiu perambulando pelas catacumbas
no cemitério.
Parece
incrível pensar que, em pleno século XX, existiam terras brasileiras ainda
desconhecidas pelos brancos e onde os índios eram soberanos. O filme Xingu, do
diretor Cao Hamburger,
resgatou uma história pouco conhecida pela grande maioria dos brasileiros sobre
a criação do importante Parque Nacional do Xingu, responsável pela preservação
da cultura indígena do nosso país. O mérito desse grande e fundamental feito é
exclusivo de três irmãos: Orlando, Cláudio e Leonardo, os irmãos Villas-Bôas.
Na década
de 1940, os três jovens decidiram se aventurar na Expedição Rocandor-Xingu,
promovida pelo governo brasileiro, com intuito de desbravar e reconhecer
(demarcar) as terras do centro-oeste até então desconhecidas. Os irmãos se
passaram por peões analfabetos para se misturarem aos homens que se alistaram
em busca de trabalho. Mas ao contrário desses, Villas-Bôas tinham formação e
dinheiro, portanto, o objetivo daquela aventura era outro. O que eles
vivenciaram proporcionou uma experiência que mudou a vida dos três e dos povos
indígenas brasileiros.
A “Marcha
para o Oeste” trouxe a descoberta de povos até então isolados e, portanto, sem
nenhum contato com a cultura branca. Sensíveis às causas indígenas e
preocupados com o rumo da política nacional, os três irmãos, juntos, lutaram
pela preservação da cultura indígena. Com muita articulação e importante
influência aos poderosos da época, eles conseguiram estabelecer uma extensa
área nativa para isolar os índios dos brancos. Essa era a única maneira que
eles enxergavam para preservar os índios de forma efetiva. Cláudio, o irmão
mais idealista, tinha consciência da ameaça do branco e afirmava: “Nós somos o
antídoto e o veneno”.
Os
brancos levavam o “progresso” ao mesmo tempo que transmitiam suas doenças.
Muitos índios morreram pelo simples contato com o branco. E por isso, Claudio e
seus irmãos lutavam para defender em todas as instâncias a causa indígena. Não
só se estabeleceram nas tribos, como levaram médicos e enfermeiras para
cuidarem dos doentes. Vacinaram os índios contra as doenças dos brancos.
Com a
criação do Parque Nacional do Xingu, eles venceram uma batalha contra uma nação
preconceituosa e indiferente. Na cena em que o irmão Orlando propõe o nome do
que chamaria o novo parque, o ministro sem titubear afirma: “é melhor
tirar´indígena´ de ´Parque Indígena do
Xingu´, afinal, brasileiro não gosta de índios”.
Talvez a
beleza desse filme está justamente em retratar por outra ótica a questão
indígena no nosso país. Historicamente, não fomos educados para “aceitar” com
naturalidade o espaço dos índios. Achamos que o progresso deve chegar para
todos, inclusive para eles, mesmo sem saber se é isso que eles querem. A
cultura dos brancos é invasiva, sempre foi. E o mais incrível é que o discurso “devemos
respeitar a cultura dos índios” fica só na teoria. Quando o branco percebe o
quanto está perdendo dinheiro com tanta terra produtiva mas inacessível, por
conta dos índios, toda essa filosofia cai por terra, e todo mundo quer se dar
bem. E foi exatamente isso que os irmãos Villas-Bôas lutaram a vida inteira.
Lutaram contra os poderosos do governo, lutaram contra os militares e lutaram
contra os empresários.
Cao Hamburger fez um filme extremamente sensível, sem piegas,
sem sensacionalismo. Um filme que tem uma história bonita, com um final feliz,
mas que sabemos que é parte de um todo. Todos os dias, assistimos nos
noticiários a luta eterna dos índios por suas terras. O sensacionalismo do
jornalismo diário ainda insiste em mostrar o índio como um “atrasado
culturalmente”, um “anti-progressista”, um “invasor de terras alheias”.
Portanto, a realidade
Um lugar que respira história e revela surpresas naturais,
assim é Paraty, a 245 km
do Rio de Janeiro. Depois de conhecer Trindade, um pouco depois de Paraty,
viajei para cidade histórica no feriado e desta vez pude conhecer alguns lugares
fantásticos de lá.
Já havia passado por Paraty, mas nunca tinha ficado mais que
um dia. E sempre me disseram: “o melhor de Paraty são as praias mais
distantes”. De fato, quem visita a cidade, tem que fazer o passeio de barco
pelas ilhas e praias desertas. O passeio dura cerca de cinco horas, com saídas
do porto às 10h da manhã. A bordo da escuna “Príncipe dos mares”, conhecemos
Ilha Comprida, Praia Saco da Velha, Lagoa Azul, Praia Vermelha. Em todas as
paradas, o mergulho com snorkel é essencial, para quem gosta de mergulhar e ver
as belezas marinhas, com grande variedade de peixes e corais. Em Ilha Comprida, a
primeira parada, se o tempo estiver bom, com sol e céu claro, a água
transparente facilita o mergulho. Mas vale lembrar que o tempo por lá é bem
típico: durante o dia, um sol imponente, mas depois o tempo costuma mudar.
Assim como Trindade, Paraty também tem opções de ótimas
cachoeiras, com piscinas naturais e trilhas fáceis e convidativas. Do outro
lado da cidade, pegando a estrada em direção à Cunha, ficam o Poço da Pedra
Comprida e a Cachoeira do Tobogã, como próprio nome já diz, é uma grande pedra
lisa usada como escorregador terminando numa piscina natural.
Existem ainda as praias próximas ao centro, incluindo uma
que passou a ser famosa pela lama acumulada no fundo. No carnaval, as pessoas
se lambuzam com a tal lama e saem pelas ruas do centro histórico formando um
bloco. Eu me aventurei andando no mar até não agüentar o volume de lama nas
pernas. A sensação é bem estranha, porque o seu pé vai afundando no fundo do
mar com uma lama viscosa. Infelizmente, no meio do caminho havia algo cortante
(que não consegui identificar) que acabou cortando meu pé, mas isso faz parte de
toda aventura...
Porém o passeio mais tradicional da cidade é de longe o centro
histórico, com ruas e calçamentos com pedras irregulares – conhecidos como
pé-de-moleque, construídos no século XVIII, graças ao comércio de ouro. As ruas
se tornaram patrimônio histórico e por isso são conservadas, impedindo a
entrada de veículos. A história está não só nas ruas mas também nas construções
coloniais e nas igrejas – Igreja da Matriz (ou Nossa Senhora dos Remédios),
Igreja da Santa Rita, Igreja de Nossa Senhora das Dores, e Igreja de Nossa
Senhora do Rosário e São Benedito.
Paraty é conhecida também como lugar da cachaça –
recentemente oficializada a bebida genuinamente brasileira. Os alambiques são pontos
de visitação também, com degustação das melhores cachaças do país. O Armazém da
Cachaça, localizado no centro histórico, é uma boa opção de compras dessas
especiarias.
Apesar de ser um lugar que vive praticamente do turismo,
Paraty ainda tem estrutura de cidade pequena, principalmente em períodos de
grande visitação, como férias e feriados. Em três dias por lá, faltou luz todos
os dias, às vezes em curto período, outras mais prolongadas. Outro problema
comum é o alagamento das ruas mais próximas do porto, quando a maré enche à
tarde. Na volta do passeio de escuna, há uma surpresa um tanto desagradável
para alguns turistas que depararam com seus carros imersos nas ruas alagadas.
Mas de um modo geral, a cidade é bem receptiva, com ótimos
restaurantes, preços justos e lugares super agradáveis para se conhecer. Percebe-se
que grande parte dos turistas não é de brasileiros. Assim como Búzios, outra
região praiana do estado que recebe milhares de turistas, Paraty está cheia de
gringos encantados com a cultura da cachaça, do artesanato local, das praias
paradisíacas e da arquitetura histórica.
Ela está lançando seu quinto álbum – Segunda Pele, mas
parece que foi ontem que Roberta Sá começou sua carreira. De fato, foi ontem. A
primeira aparição veio no programa Fama, em 2002, mas sua passagem foi
esquecida, principalmente por ela. Na biografia em seu site, ela não cita essa
participação, quando tinha apenas 21 anos.
Seu primeiro CD foi lançado dois anos depois, em 2004, já
com sucesso “A Vizinha do Lado”, de Dorival Caymmi, como tema da novela
“Celebridade”. No mesmo álbum, vieram: “Eu sambo mesmo” (Há quem sambe muito
bem/ Há quem sambe por gostar/ Há quem sambe por ver os outros sambar), “Casa Pré
fabricada” e “Ah, Se eu vou”.
Sua voz suave chama atenção, não só pelo bom repertório como
também pela leveza e simplicidade no seu canto. Ela não faz esforço para
cantar, muito menos grita (no estilo Ana Carolina). No início de carreira,
alguns confundiam sua voz com Marisa Monte, justamente pela semelhança no modo
suave de cantar.
Dessa nova geração de cantoras brasileiras, ela certamente
se destaca. Já ouvi participação de Roberta Sá em diversas gravações
importantes, desde homenagens a ícones de MPB (como Carmem Miranda), até
parceria com Ney Matogrosso, MPB4 e Gilberto Gil para abertura de novela. Em
seus últimos dois trabalhos, ela vai além do samba carioca, e mistura um pouco
de tudo, de coco, maxixe, até maracatu, xote e samba-de-roda. Ela é eclética musicalmente
e pode-se dizer que grande influência de suas escolhas profissionais tem a ver
com seu parceiro e marido Pedro Luís.
Em “Segunda Pele”, Roberta Sá explora ainda mais os ritmos
brasileiros, com arranjos que incluem, pela primeira vez, metais (trombone,
trompete e sax), reunindo oito músicos no palco. E no show, Roberta Sá
caprichou no figurino colorido, na simpatia e na energia empolgante.
Quando perguntei “qual artista da MPB você gostaria de
homenagear em um possível álbum”, Roberta Sá deu dicas de Caetano Veloso, como
compositor, mas também citou Elis, Gal e Maria Bethânia como intérpretes que
merecem ser homenageadas. “Tenho uma vida para tantas homenagens”, promete a
cantora aos seus fãs.
E para quem não entendeu o título, em seu show, Roberta
canta “Ta?” de Mariana Aydar, que inicia com esse verso.
“Now you
say you´re lonely/ You cried the whole night through/ Well, you can cry me a
river/ Cry me a river/ I cried a river over you”…
Com essa letra tensa e um arranjo digno de trilha sonora épica,
com uma orquestra alinhada, Michael Bublé abre seu espetáculo para arrastar uma
multidão de aplausos, gritos e assovios, principalmente de mulheres.
Ele faz estilo Frank Sinatra, repaginado, com cara de século
21, mas com jeito de galã dos anos 40. Seu repertório é famoso pelo romantismo,
pelas letras de dor de cotovelo e arranjos de jazz, blues e foxtrote, que
trouxe uma nova cara para canções como Me and Mrs Jones e outros clássicos.
O show no Rio mostra um Michael Bublé muito além do seu
terno impecável. Está despojado, brinca com a platéia, apresenta cada músico
com uma piada e convida a todos para uma festa, não a um concerto, porque “concerto
é chato”. Estão todos numa festa, livres para cantar, dançar, se divertir. E é
nesse clima, que Michael imita seu xará, Michael Jackson, brincando de dançar e
cantar como o rei do pop, invade a platéia, canta em cima de um palco
improvisado nos fundos para ficar mais próximo do “povão”, chama duas meninas
da platéia para tirar foto e muito mais.
Ao apresentar a banda, ele convida um brasileiro,
guitarrista da banda, para falar em português algumas palavras de
agradecimento. Em tom de brincadeira, o brasileiro diz que Michael não canta
nada e ainda paga mal seus músicos. A platéia vem abaixo, bate palma e o
próprio Michael acredita que todos estejam aplaudindo ele, sem entender nada de
português.
No final, já com a cortina fechada, sem acompanhamento dos
músicos, ele surpreende a todos cantando sem microfone para uma platéia de três
mil pessoas. Inevitável não aplaudir de pé um cantor que vem mostrar seus
múltiplos talentos e ainda faz graça de si mesmo.