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Esse cartaz tem muito mais a ver com a história do filme |
Eu fui
muito empolgado para assistir esse novo filme de Woody Allen, muito bem
recomendado. A história é interessante, mas confesso que fiquei um pouco
decepcionado. Não que a fantasia de Woody Allen seja incômoda para mim, porque
afinal de contas quem já lhe conhece não pode esperar outra coisa. Mas o fato
de misturar passado, literatura de alto nível, com uma história superficial no
presente não combinou.
Os filmes
de Woody Allen têm outro tempo, outro ritmo. Nesse, em especial, achei
arrastado demais. Podia ser um pouco mais dinâmico. O fato é que Allen, que
escreveu e dirigiu, apostou numa fantasia gostosa para quem curte arte –
literatura, música e pintura – do início do século passado, tendo Paris ainda
como pano de fundo. Cenário maravilhoso, personagens fantásticos e uma história
fraca e insossa.
Gil é um
bem-sucedido roteirista de Hollywood, que é um apaixonado por uma Paris da
década de 20, e se encontra na cidade luz acompanhando sua noiva, os futuros
sogros e um casal de amigos (da noiva). Ele está escrevendo um romance e sua
paixão por Paris lhe faz pensar em se mudar para cidade. Em uma noite perdida
pelas ruas de Paris, ele ganha uma carona de um carro bem antigo e tem a sorte de
encontrar artistas como Scott Fitzgerald, Cole Porter e até Salvador Dali numa
viagem ao passado. Essa parte lúdica é o que realmente vale a pena do filme.
Aliás, sinceramente, ele poderia ter se perdido para sempre no tempo, porque os
personagens do presente são todos chatos e repetitivos.
Para quem
conhece Paris, vale a pena rever lugares fantásticos, que aparecem todo
instante durante o filme. Mas chega ser engraçada a forma como Woody Allen
passa para seus filmes seu olhar turístico. Nesse filme, principalmente, ele
passa alguns bons minutos iniciais só mostrando paisagens da cidade ao som de
um disco velho. Depois de Paris, Espanha (com Vicky Cristina Barcelona) e em
breve na Itália (cenário de seu próximo filme), Allen não descarta a
possibilidade de vir filmar aqui no Rio. Como será o olhar “woodylense” sobre nossa
cidade?
2 comentários:
também gostei do filme.
mário, vc tem twitter? qual seu email? vamos marcar um papo ao vivo aqui no rio!
eu me pergunto se você estabelece alguma diferença entre "superficialidade" e "simplicidade" - reparei que você também fala em "superficialidade" do filme "tango", muito embora o personagem-diretor no filme fale em "simplicidade". será que você concorda que há uma diferença entre essas palavras quando faz as suas críticas?
será, ainda, que cabe ao crítico dizer qual ritmo é mais apropriado?
será que o filme do woody allen é só uma fantasia gostosa? quero dizer, você, que escreve críticas de filme, não vê nada sobre crítica literária ali?
enfim, você acha a história superficial; mas, quando escreve a sua crítica, você gira em torno da narração dessa história superficial; assim, será que você não está se deixando degenerar por essa superficialidade?
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